colectânea de conversas

29 05 2007

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Conversámos aqui sobre as virtudes capitais dos professores
1 - respeito singular
2 -
entusiasmo
3 -
curiosidade e inquietude
4 -
acreditar nas capacidades dos estudantes
5 -
humildade
6 -
gerir a relação e os afectos
7 - procurar ser justo nos processos
bem assim como os pecados mortais
1- da arrogância titulada
2 - da acédia ou a inacção profissional
3 - da discriminação ou a des-igualdade
4 - da ignorância-quando-era-suposto-saber
5 - da pequenez de visão e de espírito
6 - do embotamento emocional
7 - da pressa
e dos des-cuidar
E igualmente, virtudes capitais dos estudantes
1 - a humildade
2 - a irreverência
3 - a generosidade
4 - a ousadia
5 - a resiliência
6 - a solidariedade

7 - o empenhamento
e pecados mortais
1 - a preguiça intelectual
2 - a inveja
3 - a indiferença
4- A desonestidade
5 - A calúnia
6 - A inoperância
7 - a procrastinação

ainda que vistos da perspectiva do professor.

Caminho(s) de tese era para ter sido o início de uma «rubrica». Referente, de novo (e sempre) à tarefa e ao papel do professor, numa peculiar dimensão.
Aprendentes Adultos, seguia essa ideia, de ajustamento e de adequação, requerida ao professor.

Faz tempo que vou escrevendo «escrita de estudantes» e agora, está no tempo de entrar a escrita de professora… já a seguir…





humor, virtude acessória…

10 12 2006

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saber esperar

22 02 2006

É um dos cinco saberes complexos, de Morin.
A espera traz a dimensão do tempo e a nossa época parece dar primazia ao tempo medido em relação ao vivido - a dimensão quantitativa, de transformar o tempo numa coisa, quase numa espécie de mercadoria. Numa concepção linear do tempo, caminhamos sobre uma recta, em direcção a uma meta final (a morte). Essa linearidade contribui para que encaremos a morte como um ponto final que nos apavora e não como um dado da vida. Tende a fazer com que desvalorizemos a passagem, a trajetória, e tudo aquilo que com ela se relaciona - o que dificulta a prática da tolerância, da serenidade e da compaixão.

Todavia, do ponto de vista qualitativo, o tempo não se ganha nem se perde: vive-se.
É preciso reaprender a aguardar o nascer do dia, o cair da noite, a chegada de uma estação do ano, as fases da lua, o desenvolvimento de uma ideia. Os ciclos da vida incluem o tempo de espera. Vivemos neles e eles em nós. Há coisas que não adiante perseguir - aliás, a experiência mostra (e insistimos em não aprender com) que é a ansiosa perseguição da felicidade que muitas vezes nos faz infelizes.

Saber esperar não é uma condição que deriva de um conjunto de regras, de um sistema filosófico ou de um posicionamento pragmática. Trata-se de uma dimensão importante da condição humana, e negá-la é negar a própria essência do viver. Da vida, da qual nos queixamos, e à qual, ao mesmo tempo, nos apegamos.





Virtudes capitais dos estudantes - # 2: o desafio da irreverência

28 10 2005

1 - a humildade

2 - o desafio da irreverência

A irreverência é uma ideia que desafia, que interroga as fronteiras, os limites, os cânones. Significa que alguém não se curva, de modo reverente, à autoridade, por exemplo, que não reverencia de modo sistemático ou habitual. Note-se, desde ja, que não se confunde com impertinência pois que (est)a irreverência ocorre dentro dos limites da polidez e da delicadeza, mesclada com o desafio de “ultrapassar fronteiras”.

A irreverência é, sobretudo, um comportamento mental, um modo de se perceber a si e aos outros que combate a sedução de um único modelo ou a adesão cega a esquemas pré-fixados.
Com ela, se descontrói e reconstrói, encaram-se questões clássicas numa óptica diferente, movemo-nos entre formas e paradigmas diversos.

Calculo que seja propriciadora da agilidade mental mas tem, forçosamente, de ser acompanhada de saber (porque sem ele, tornar-se-ia mesmo impertinente).
Partilha com a curiosidade uma aproximação ao espírito de aventura intelectual (que precisa de uma dose considerável de coragem e irreverência) e à inovação.

Acrescentaria que se poupa e protege do ridículo assim como do escandaloso, abeirando-se mais do fleumático e do despretencioso. Ademais, é fácil confundir irreverência com ingenuidade, até porque ambas se mesclam no turbilhão de entusiasmo do estudante.

Tratando-se de sadia «rebeldia intelectual», ao serviço da descoberta e do desafio, a irreverência possibilita o questionamento, mais do que isso, protege-o e promove-o.

Conversamos?!…





Virtudes capitais dos estudantes - # 1: Humildade

24 10 2005

Prometidas e inquiridas há algum tempo, as virtudes capitais
seguem-se à divagação em torno dos pecados mortais dos estudantes
(que, por sua vez, é binómio que se segue à exploração
das virtudes capitais e dos pecados mortais dos professores)

1 - Humildade

Esta virtude foi a mais referida… e tomemos nota que é ela que “torna as virtudes discretas, como que despercebidas de si mesmas. Essa discrição é o sinal – ele mesmo discreto – de uma lucidez sem falha e de uma exigência sem fraquezas.” assim o afirma Comte-Sponville.

Pois, a humildade não é a depreciação de si nem tem nada a ver com pobreza (porque será que as pessoas dizem «humilde» como sinónimo de pobre? por causa da raíz de «humus», filhos da terra?). Já agora, nem sempre os pobres são humildes tal como nem sempre os ricos são orgulhosos.
A humildade é reconhecimento de tudo o que não se é, que se não pode e que não se sabe.
Por isso, também nem é próxima da humilhação nem tem a ver com ela.
É mais o esforço de cada eu de se consciencializar de si, sem ilusões de grandeza ou de pequenez.
Daí que eu possa afirmar que a humildade é tanto a consciência como a gestão dos limites. E evoco-a, para a vida e para o saber.

Porque a noção de certeza é frágil, o conhecimento diminuto, faz falta a humildade pessoal, científica, humana. Nesses aspectos, torna-se virtude necessária e essencial ao estudante.
E cresce entre eles, sim, quando (ainda) maravilhados pela imensidão do que há para saber, para descobrir.

conversamos?! …





binómios ou inquérito às virtudes dos estudantes

29 09 2005

Quando falámos dos professores, caminhámos dos pecados mortais às virtudes capitais.
Porque são binómios. E se relacionam.
Do mesmo modo, concluídos os pecados dos estudantes, é altura de proceder em espelho e passar às virtudes. E, da mesma forma, ouvir opiniões e sugestões para a construção da lista…

conversamos?!





Virtudes capitais do professor - # 7: procurar ser justo nos processos

10 07 2005


Depois de
1 - respeito singular
2 - entusiasmo
3 - curiosidade e inquietude
4 - acreditar nas capacidades dos estudantes
5 - humildade
6 - gerir a relação e os afectos

7 - procurar ser justo nos processos

Olhando as virtudes anteriores, percebe-se que respeitar os outros é a base da justiça…
Que ter entusiasmo, curiosidade e inquietude, são traços intelectuais.
Que a humildade e a gestão da relação e dos afectos tocam a interpessoalidade e a ética.
Que acreditar nas capacidades se liga ao entusiasmo e a convicção.

Acrescentaria a justiça nos processos, ou seja, no ensino-aprendizagem em geral e na avaliação, em particular (sugestão de PJ).
Ser justo no sentido de «dar a cada um o que lhe é devido», de recusar as parcialidades mas é mais que isso.
É cumprir as promessas, pactos e acordos, reconhecer os direitos e as necessidades dos outros,
demonstrar respeito, saber que ser justo exige saber rectificar e reparar, reconhecer danos ou prejuízos e procurar corrigir, é saber que a equidade e a gentileza são parceiras da justiça.

É ser claro nos processos, incluindo grelhas/critérios de avaliação, por forma a poderem ser discutidos e compreendidos.
Talvez a justiça objectiva seja facilitada por instrumentos mas, na verdade, carece de interrogar-se a si mesmo se se está a ser justo ou se existem enviesamentos (e quais e como combater ou aceitar) nas decisões… E estar atento é muito relevante no processo.





Virtudes capitais do professor - # 5: humildade

1 07 2005


Romania Landscape Posted by Hello

Depois de
1 - respeito singular
2 - entusiasmo
3 - curiosidade e inquietude
4 - Acreditar nas capacidades dos estudantes

5 - Humildade

“A humildade é uma virtude humilde: ela até duvida que seja uma virtude! Quem se gabasse da sua mostraria simplesmente que ela lhe falta.” afirma Comte-Sponville, o homem do Pequeno Tratado das Grandes Virtudes.

A humildade decorre de uma consciência dos limites - não é a depreciação de si, não é ignorância do que se é mas antes o conhecimento, ou reconhecimento, de tudo o que não se é. Por isso é uma virtude lúcida, sempre insatisfeita consigo mesma.

Pascal critica a soberba dos filósofos (e eu acrescentaria, dos cientistas). Poderíamos chamar-lhe, até, arrogância. Pois que ser humilde é amar a verdade mais que a si mesmo - e é nisso também que todo pensamento supõe a humildade. Ao duvidar de si, reconhece a impotência e a fraqueza.

Duas ressalvas: a humildade não é servil (nem tem nada a ver com pobreza) e existem falsas humildades, apenas aparentes e ocultando uma considerável presunção.

O que tem a ver com ser professor?
Por princípio, e por suposto, o professor sabe. Mas é pela manutenção da humildade que pode abrir-se ao contributo do outro, reconhecer em cada estudante (e em cada ser humano) a mais-valia singular e própria.
Ter consciência da imensidão das questões que se levantam aos seres humanos é percorrer um trilho que cruza o sentido da humildade (e até, da pequenez).

Ao professor e ao investigador faz falta a humildade científica, não apenas porque ninguém sabe tudo ou porque não há uma verdade absoluta mas também porque existe sempre a possibilidade de aprender com os outros e de corrigir desvios do seu próprio percurso.
É por via da humildade que se combate a arrogância e a vaidade… e por melhor que seja a auto-avaliação, por mais assertivo que seja o desenho que se faz de si próprio, há sempre um espaço fundador para o reconhecimento do que não se (é, tem, sabe, pode…).

Conversamos?!





virtudes capitais do professor - # 4: acreditar nas capacidade dos estudantes

27 06 2005


três rosas num pé Posted by Hello

Depois de
1 - respeito singular
2 - entusiasmo
3 - curiosidade e inquietude

4 - Acreditar nas capacidades dos estudantes

Tanto aparece na proposta da “capacidade de acreditar nos alunos mais fracos” (V.V.) como em “acreditar nas capacidades dos alunos em melhorarem o seu rendimento académico, por muito insuficiente que este possa ser” (PJ).

Acreditar é crer em algo. Por exemplo, por força da vontade.
A vontade é o ponto central a partir do qual uma acção significativa pode ocorrer. Por isso há quem a defina como uma combinação da atenção com o esforço (de superação de inibições, da preguiça ou da distração).
Mas querer não é um acto em si mesmo - antes orienta a consciência de maneira que a acção desejada possa revelar-se por si própria.
Diria que uma das responsabilidades primordiais do professor é encorajar os estudantes a aumentar a sua capacidade de acreditar em si e de (se) realizarem. Poderia estar aqui uma das raízes do empreendorismo!

Acreditar, neste caso, é confiar, e a confiança frequentemente justifica-se a si mesma - aliás, basta pensar na gestão das expectativas e no «efeito Pigmaleão».
Acreditar nas capacidades dos estudantes implica estar atento às oportunidades, tomar medidas alternativas, a fim de enfrentar desafios ou superar obstáculos.
Incentivar e promover mesmo em momentos de maiores dificuldades ou de aparente insucesso.
Também requer procura criativa de formas de chegar aos estudantes e, até, mostrar confiança na própria capacidade de realizar uma tarefa difícil ou enfrentar m difícil desafio. Pode ser uma forma de exemplaridade importante…

Conversamos?!





Virtudes capitais do professor: # 3 - curiosidade e inquietude

19 06 2005


limao Posted by Hello

Depois de
1 - respeito singular
2 - entusiasmo

3 - curiosidade e inquietude

Propostas do PJ e do Vieira Alves. Indo no sentido de “promover a curiosidade e problematizar os assuntos abordados, fazendo com que os alunos percebam que é possível ter uma visão mais complexa, integrada e diferenciada de uma determinada disciplina, mas que o conhecimento sobre esta constitui uma construção infinita, como acontece em todos os ramos do saber” (PJ) e da “Inquietude. Sempre procurando superar-se.” (VA)

Vou-me «colar» um pouco à Pedagogia da Autonomia
(Paulo Freire, PEDAGOGIA DA AUTONOMIA- Saberes Necessários à Prática Educativa)
e pensar o enfoque que liga a pedagogia e a ética do ensino.

As atitudes e comportamentos do professor, dentro e fora da sala de aula, influenciam os estudantes - e é preciso ter consciência da importância da curiosidade e da diferença entre “curiosidade ingénua” e “curiosidade epistemológica” (diferem na complexidade, pois a primeira baseia-se na experiência quotidiana, e a segunda deve ser dotada de rigor metódico, do criticismo).

Parece do domínio do evidente que deve existir uma reflexão crítica entre a relação Teoria e Prática e que o professor temn de promover uma troca de ensinamentos e aprendizagens, aberto aos questionamentos e dificuldades.
Todavia, não basta.
É preciso reforçar a capacidade crítica e a insubmissão, a capacidade de «desobedecer» e de «ser curioso», inquietando-se e inquietando à sua volta…
Do que decorre que o ensino não pode ser tratado como algo definitivo, e a curiosidade do professor pode ser «mola propulsora» da construção e produção de conhecimentos.





Virtudes capitais do professor: # 2 - entusiasmo

13 06 2005


contentamento Posted by Hello

Depois de
1 - a virtude capital: respeito singular

Os comentários apontaram «entusiasmo«, «entusiasta»… e eu lembro-me da primeira vez que um professor me disse que «entusiasmo» começou por significar (para os gregos, claro) «a inspiração, o delírio ou a possesão dos deuses» (habitualmente, de Apolo, Pitia ou Dionisio… ).

Hoje, representa alegria, satisfação e interesse elevado. Mas o entusiasmo transfigura, efectivamente. O fervor e o empenhamento de alguém entusiasmado é, frequentemente, contagioso. Sobretudo, quando vivido e sentido com espontaniedade. Trata-se de aderir a uma causa, a um ideal, a um objectivo - alegremente.

Lembro Edgar Morin em “A cabeça bem-feita” e “Os sete saberes necessários à educação do futuro”, além de outras reflexões. E que o professor é alguém comprometido (com a difusão do conhecimento, com a produção de ocnhecimento, com os processos de ensino-aprendizagem).

A responsabilidade do docente é grande, na perspectiva de que a qualidade do processo educativo está essencialmente relacionada à qualidade de formação do professor e à sua competência. O professor não educa apenas através das palavras, mas também (e sobretudo, diria) pela postura revelada nas suas atitudes e comportamentos.
Esta coerência tem repercurssões (a falta dela também). O questionamento, a dúvida e a incerteza são, não só aceites, como também fomentados e festejados.

A postura entusiasmada diante dos desafios do conhecimento releva-se em dois eixos centrais: o amor à sabedoria e a interpretação do conhecimento, tanto da sua área de formação, quanto no sentido amplo do conhecimento (além da capacidade de interpretação da cultura e da sociedade). Este entusiasmo estampa-se no rosto do docente.
Os actos autorizam e acreditam o discurso.
Sendo entusiasta do conhecimento, não pode estar cego ante as lacunas e cegueiras do próprio conhecimento, como bem lembra Edgar Morin. Atitude sobretudo necessária para que o professor desenvolva esta virtude capital, sem se tornar dogmático ou fundamentalista.

Finalmente, o professor deve ter um compromisso com a melhoria da sociedade - queira ou não, a sua acção jamais será neutra no aspecto político, por exemplo, entre outros.
Por isso, este pode ser o sítio onde se cruzam a ética, a política e a profissionalidade docente.

Conversamos?!





Virtudes capitais do professor - # 1: respeito singular

9 06 2005


gotas de água Posted by Hello

1. “Tratar todos os alunos (crianças, adolescentes e adultos) com respeito. Parece básico, mas para uma percentagem não negligenciável de professores trata-se de um princípio que nunca foi interiorizado (PJ, comentário em http://conversamos.blogspot.com/2005/06/inqurito.html#comments)”

O respeito foi a virtude recomendada para combater o pecado mortal da discriminação ou a des-igualdade (http://conversamos.blogspot.com/2005_05_01_conversamos_archive.html)
É sabido que todos os seres humanos são iguais em direitos e em dignidade.
Di-lo a Declaração Universal dos Direitos do Homem e a Constituição da República Portuguesa.
Em tudo o resto, diferimos.
E esta diversidade plural enriquece o género humano.
Banal - esta afirmação! Contudo, a formatação sistemática (ou a sua tentativa) em relação aos Outros, é constatação ou evidência do contrário…

O Respeito, como virtude, aceita integralmente o Outro, tal como é, e por muito que ele seja diferente ou semelhante a nós. O que significa que preserva e protege a sua dignidade…
Por isso é uma virtude elevada - mais do que a tolerância ou do que a polidez.
O respeito instala-se nas relações interpessoais e deve reger a consideração ao Outro como pessoa singular, autónoma e em desenvolvimento.

Noto que o adjetivo respeitoso não evoca em absoluto o respeito à liberdade alheia, nem mesmo à sua dignidade, mas antes uma espécie de deferência ou de consideração que podemos julgar suspeita, muitas vezes. Por isso me esquivo à palavra respeitoso…

Sómente ao respeitar o estudante, pode o professor estabelecer os fundamentos de uma relação pedagógica profícua. E daqui partir (por isso, «capital», de «kaput», líder) derivam as questões de respeitar os tempos e os ritmos, de ajustar às necessidades, de entender o caso em vez do colectivo. Quem respeita não humilha, não troça, não desvaloriza. Aceita o outro e procura ajudar, promover, o seu desenvolvimento.
Notaria, para finalizar, que será difícil respeitar a dignidade dos outros, se não se respeitar a sua própria…