Textos à mão
Colectânea de artigos publicados, aqui à distância de uns click’s:
Um olhar para o desenvolvimento profissional: itinerários na transição
Este não é um artigo científico, nem, no seu sentido estrito, um artigo de opinião - quando se expressa opinião, diriam os gregos, estamos na área do senso comum, da doxa, e, portanto, do que pretende ser uma representação de um objecto, mas que não se apoia em suficientes evidências empíricas e/ou lógicas. Em última instância, posso afirmar que a «culpa» é de Parménides que, nas suas investigações filosóficas, impôs a diferença entre a verdade (aletheia) e a opinião (doxa). Portanto, de opinião fundamentada se julga tratar-se este texto e este exercício de pensar-por-escrito.
Estamos em 2008 e celebram-se os 10 anos desde a publicação do Decreto-lei n.º 104/98 de 21 de Abril , o Estatuto da Ordem dos Enfermeiros. O que significa que há 10 anos o Estado devolveu aos enfermeiros os poderes de regulação. Há um decénio que se escreveu[2] que os enfermeiros são idóneos para assumir a regulamentação e o controlo do seu próprio exercício profissional. E reconheceu o Estado o interesse público desta profissão. Por isso, o nosso modelo, hoje, é o de auto-regulação profissional, a que alguns autores chamam modelo de regulação[3] pelos profissionais (pois há modelos de regulação pelo governo ou pelo mercado).
A regulação de uma profissão (da nossa e de outras) tem várias dimensões, por exemplo, quanto ao modo como se acede ao exercício, como se desenvolve e exerce, como se muda de título, entre outros, e, naturalmente, como se é julgado em situação de eventual violação de deveres, sendo a área da disciplina profissional[4] a que mais é reconhecida, por diversos autores e correntes, como traço característico das associações profissionais de direito público, vulgarmente designadas por Ordens profissionais. Afirma-se hoje que o modelo de desenvolvimento profissional é estruturante para a enfermagem portuguesa - considero que se inclui claramente nos mecanismos de regulação da profissão, porque se destina a regular o acesso ao exercício (e, aqui, inclui-se a inscrição, certificação e registo profissional do enfermeiro de cuidados gerais) bem como o acesso ao título de especialista. continuar a ler em Artigos de Opinião, Cogitare em Saúde, Abril 2008
Contributo da Enfermagem para a Bioetica: de duas senhoras caminhando juntas
Um desafio de pensar a interface entre a Enfermagem e a Bioética. Vale a pena começar por dizer que preciso da Filosofia para isto, para dois tópicos, que se relacionam com a Ética e com a Epistemologia….E estas duas Senhoras, de vulto científico, idades e tradições diferentes, a Enfermagem e a Bioética, podem contribuir reciprocamente para nos tornarmos melhores. Mais capazes do cuidado de Si, do Outro e do Mundo. Publicado. Revista Servir, Volume 55, n.º 03, 2007.
Este é um assunto acerca do qual se poderiam escrever muitos livros e, decerto, ainda ficariam coisas importantes por abordar. Por isso, o presente artigo só pode ter a pretensão de apontar e sugerir alguns aspectos, como contributos ao pensamento ou subsídios ao caminho. Está estruturado em três blocos articulados: o primeiro, que se refere à conceptualização da responsabilidade, o segundo que se debruça sobre a responsabilidade profissional do enfermeiro e, o terceiro, reportando ao contexto específico da enfermagem perioperatória. Publicado. Revista AESOP , volume VIII, n.º 23, Agosto, 2007.
Olhar no sentido do futuro: do que temos ao que queremos – na encruzilhada do presente
Revista Percursos – N.º comemorativo do Dia Internacional do Enfermeiro. 12 Maio 2007 - “Sob o signo do Olhar: re-ver, ver e pre-ver”.
Janelas da Aprendizagem ao Longo da Vida
Revista Percursos . Ano 2, Nº 1, Jan-Março 2007, ISSN 1646-5067
Glancing to the mirror: competencies profile for nursing teachers
We intend to describe the construction and validation process of a (our) nursing teacher competencies profile. The research question was: in the actual scenario, facing perspectives and challenges of higher education, what teacher competencies profile can we consensualize? Main objective was to obtain a list of competencies and their indicators, with the final consensus of teachers. Theoretical framework have three axes: from actors and ends, enlightening educational objectives and the transition to learning outcomes; then, the process, learning centered, gathering contributes from Bologna process and Tuning Project, and, in third, centered in nursing education, departuring from competencies based curriculum by the analyze of generalist nurse profile and approaching the new significant learning experiences model. Is an exploratory and descriptive study, with qualitative methodology, founded in propositions and using Delphi technic. Transversal and operational, is, by the nature of main objective and Delphi process, projective. The construction of competencies profile was followed by criteria definitions about consensus, and the choice of questionnaire parts and questions. The final profile includes ten competencies and indicators to each one, which will be presented and discussed. Comunicação na 6th EUROPEAN CONFERENCE OF NURSE EDUCATORS, 5 et 6th October 2006, Paris ( France)
Usuários de serviços de saúde e os seus direitos
A proposta de reflectirmos sobre os direitos dos utentes dos serviços de saúde, à luz da temática da bioética e da vulnerabilidade, em interface com a Enfermagem, é desafiadora. Proponho elucidar dois percursos sequenciais, ou, metaforicamente, fazermos uma caminhada e construirmos pontes, caminhando Da Pessoa aos Direitos Humanos e Dos Direitos dos Utentes aos Deveres dos Profissionais, dando particular enfoque à mediação que tem de (no sentido de deve) atender à vulnerabilidade dos Utentes de serviços de saúde. Publicado. Revista Brasileira de Bioética, Vol. 2, N.º 3 – 2006, pág(s): 201-219 , ISSN 1808602-0.
Humanização na Saúde: estratégia de marketing? A visão do enfermeiro
Pode ser uma oportunidade interessante, decompor o título que nos interroga, previamente a enunciar visão sobre uma resposta possível. Portanto, consideraremos três partes de diálogo: Sobre Humanização, Sobre Estratégia de Marketing, e o Olhar do Enfermeiro para a relação entre ambos. Revista Brasileira de Bioética, vol. 2, nº 2, 2006. ISSN 1808602-0.
(In)sucesso escolar em ensino clínico: moldura teórica de suporte à reflexão
Revista Percursos, Ano I, Nº2, Dezembro 2006 – ISSN 1646-5067
Dois mapas, duas trajectórias: destrinçar mapa conceptual e mapa mental
Revista Percursos, Ano I, Nº 1, Julho-Set. 2006 – ISSN 1646-5067
Perspectiva ética da gestão do risco: caminhos para cuidados seguros
Aceitando que tudo tem alguma possibilidade de risco, entende-se que a gestão do risco começa quando se definem as acções para reduzir ou para evitar o risco. Este enquadramento evoca as questões do conhecimento e da probabilidade, distinguindo-se entre riscos prováveis, previsíveis ou possíveis daqueles que são potenciais ou incertos, considerando-se que, em qualquer contexto, a virtude da prudência e o princípio de vigilância são relevantes nos processos de tomada de decisão. Ademais, a segurança é essencial à qualidade na saúde e nos cuidados de enfermagem. Existem evidências crescente de que existem factores identificados, correlacionados com eventos adversos, e, por outro lado, os erros são uma fonte comum de risco re-conhecido – ainda que insuficientemente relatado. Revista Portuguesa de Enfermagem, N.º 3, Abril 2006.
Análise dos deveres na salvaguarda dos direitos
Pensar Enfermagem em termos de deveres reporta a uma deontologia, seja qual for a sua forma, mais em termos de Carta ou de Código, com força de documento legal. Fomo-nos habituando a uma abordagem centrada nos deveres dos enfermeiros e, se pensarmos nisto, verificamos que sempre que foram definidos ou enumerados deveres dos profissionais, eles decorriam da responsabilidade assumida, por esses profissionais, perante a sociedade e do que deles era esperado também nas organizações. Apresenta-se o Código Deontológico, na lógica de percurso dos Direitos das Pessoas aos Deveres dos Profissionais, pois muitos deveres decorrem da protecção e salvaguarda dos direitos dos clientes. Revista da Ordem dos Enfermeiros, nº 18, Set. 2005, p. 17-26
Enfermagem e cidadania: uma relação a des-ocultar
Configurando a cidadania como um conjunto de valores e competências, parece-nos existir uma «relação oculta» entre a prestação dos cuidados de enfermagem e a promoção do processo de construção da cidadania. Propomos pensar sob a forma de trajectos: 1) de «fora para dentro» da profissão - perspectivando o papel do enfermeiro, os seus deveres e responsabilidades também à luz da garantia dos direitos do Outro; 2) de «dentro para fora»da profissão - o respeito pelos direitos humanos, dar poder e considerar sempre cada indivíduo como pessoa e cidadão, agir em benefício ou a favor dos utentes; 3) de «dentro para dentro» da profissão – equacionar métodos de distribuição de trabalho e valorizar a liberdade de consciência individual. Revista Pensar Enfermagem, Novembro 2004
Configurando a relação bioética e ética de enfermagem
Fala-se de Ética de Enfermagem e percebe-se que é preciso destrinçar, articulando, com a Deontologia e com a Bioética. É que o pensar sobre o agir enquanto enfermeiro não se pode confundir, embora se articule, com outras esferas de ligação transdisciplinar e com as exigências imperativas dos deveres. Sobretudo nesta altura em que tantos enfermeiros fazem formação avançada em Bioética, há que configurar as relações. Revista da Ordem dos Enfermeiros, nº12, Maio 2004
A qualidade na formação na perspectiva dos valores
além da questão da reorganização dos valores da profissão, tem umas notas finais a propósito de educar e ensinar bem como a referência ao texto da cidadania docente (L. Rego). O período de 4 anos da Licenciatura de Enfermagem visa transformar um jovem adulto comum num profissional reflexivo, autónomo, responsável, competente, actuando de acordo com os princípios científicos, técnicos, éticos… estamos no domínio (também) da qualidade da formação.Simpósio – A qualidade na formação e nos cuidados de saúde. Que caminhos?. ESE de Viana do Castelo.2003
«Cinco estrelas»: acerca das competências morais no exercício de Enfermagem
Usamos a expressão «cinco estrelas» para falar de excelência. Pode ser aplicada numa reflexão acerca das competências morais na prática de Enfermagem, reflectindo de fundo num caminho de construção de cada um de nós…Revista Nursing, Novembro 2002
Equacionando direitos e necessidades
Na nossa profissão, fomo-nos habituando a uma abordagem centrada nos deveres dos enfermeiros (atendamos a que os focos de atenção, em épocas anteriores, eram diferentes da actualidade). E, se pensarmos nisto, verificamos que sempre que foram definidos ou enumerados deveres para os profissionais, decorriam da responsabilidade assumida perante a comunidade/sociedade (mandato social) e do que deles era esperado também nas organizações em função dos direitos dos clientes.Revista da Ordem dos Enfermeiros, nº 4, Novembro 2001, p. 21-25
Acerca da triologia competências profissionais - qualidade dos cuidados - ética
Em síntese, a reflexão centra-se naquilo que designámos como triologia por reunir três pontos sensíveis do debate actual da enfermagem, que interrelacionamos, nomeadamente, as competências profissionais da vertente relacional, a melhoria da qualidade dos cuidados e a relação de ambas com a componente ética da profissão. Armandina Lopes, Lucília Nunes - Revista Nursing, Julho/Agosto 1995.
O que queremos dizer quando falamos de ética?
Há palavras que usamos ou ouvimos com uma certa frequência e há outras que nos servem de apoio, interjeição ou de estribilho. Há palavras que, em dados momentos, se começam a ouvir quase ao virar de cada esquina, de modo que, quando nos damos conta, fazem parte do nosso vocabulário e incluímo-las no nosso repertório pessoal. Uma das palavras que parece viver um período de larga difusão é a “Ética”.Revista Nursing, nº 88, Junho de 1995, p. 7-10





Gostei bastante de seu blog, estou começando a arriscar a escrever acerca da minha profissão/enfermagem.
Atenciosamente Márcia.