Ontologias
Esquissos e apontamentos de um caminho que vem de antes, de ali
e cruza para aqui, sítio maior de Ontologias
onde se Parte de:
pôr as ontologias na ordem do dia, mostrar o que se anda a fazer por outros lados e com a modéstia de quem não sabe nada, ir construindo com pá e pica, pequenos objectos que se podem expor na banca, à beira do caminho.
Existem áreas acerca das quais o conhecimento está bem estruturado onde esta coisa das ontologias tem vindo a romper caminho, como é o caso da informática médica e o seu veio mais promissor que é o eHealth. O criador do blogue tem outros apontamentos que versam a educação/formação/aprendizagem e como homem livre-pensador tem normalmente a porta aberta, sempre pronto para ir fazendo outras coisas enquanto espera pela grande viagem.
Há muitos outros amigos, companheiros colegas e camaradas (esta fala é masculina mas é só a fazer de conta) que vão aparecer por aqui. Todos nós vamos ser muito humildes, vamos começar a juntar tarecos para construir esta casa, que pode muito bem ser, só rés-do-chão. Aquilo que se quer é que tenha quintal, dois palmos de terra, umas flores, umas árvores e tudo o mais que a natureza humana dos seus autores entender deixar por aqui como metáforas.
….
percebe-se que existe mais do que um modo de ver as ontologias.
Dissemos – alguns de nós - que na perspectiva da Filosofia, existe um domínio do conhecimento considerado como objecto central da metafísica que é a ontologia.
Abreviadamente, sem prejuízo de outros estenderem o que deve ser estendido, a metafísica é a ciência das razões das coisas. Porque reconhecemos a incapacidade (?!) de passar a metafísica a fórmulas, às vezes quem pertence a outras artes & ciências, pode refugiar-se em Kant que reduz a metafísica à critica do conhecimento: “…o inventário sistematicamente ordenado de tudo o que nós desfrutamos como razão pura “.
Por aqui, sff…
seguimos
faz sentido falar de ontologias?, AlexSousa
Sem lógica, a representação do conhecimento é vaga, sem critérios para determinar se as declarações são redundantes ou contraditórias. Sem ontologia, os termos e os símbolos estão mal definidos, confusos, e confundem. E sem modelos computacionais, a lógica e ontologia não podem ser aplicadas em programas de computador.
A representação do conhecimento é a aplicação da lógica e ontologia às tarefas de construção dos modelos computacionais em alguns domínios.
A representação do conhecimento é um assunto multidisciplinar que aplica teorias e técnicas de outros três campos:
1 - Lógica proporciona a estrutura formal e as regras de inferência.
2 - Ontologia define os tipos de coisas que existem no domínio da aplicação.
3 - Computação apoia as aplicações que distinguem a representação do conhecimento da filosofia pura.
Parto desta «arrumação» - de um post abaixo…. Na lógica da representação do conhecimento, note-se. Recorro a outros para circunstanciar: Guarino (1997) definiu ontologia como uma caracterização axiomática do significado do vocabulário lógico, e, para Sowa e Dietz (1999), define os tipos de coisas que existem no domínio de uma aplicação.
Entende-se, assim, que possam ser classificadas, e sem pretender senão (in)formar-me,poderia seguir Uschold (1996), que divide as ontologias quanto ao tipo de conhecimento que representam:
a) Ontologia de domínio: conceptualizações de domínios particulares;
b) Ontologia de tarefas: conceptualizações sobre a resolução de problemas independentemente do domínio onde ocorram;
c) Ontologia de representação: conceptualizações que fundamentam os formalismos de representação do conhecimento.
Até aqui, em aceitando a aplicação, até que caminha…
Não me incomoda, como já afirmei, que se dêem outros e novos usos às palavras - pese embora que a ontologia, pela filiação ao Ser, me tivesse parecido, logo à partida, um tanto questionável. A ontologia - como conhecimento das concepções sobre a natureza do ser - trazida para outras áreas…até pode ser um uso analógico, diria. Repego uma ponta em que já peguei: o que «existe», «é», pode ser representado. Tratar-se-á, portanto, de re-representar o que existe. Uma espécie de compromisso ôntico? ontológico? aceitável, penso eu. Se entender «ontologias» como descrição formal de conceitos num domínio do discurso, relativo às propriedades de cada conceito - na linha das características e atributos, da classificação das coisas existentes -, uma ontologia constitui-se como base de conhecimento.
Ah, mas… Agora, penso… Base do conhecimento faz aportar à epistemologia. Ou a um modo de ver (entender) o conhecimento – que filosofia do conhecimento é supra-ciência por isso mesmo. O conhecimento é libertador, como é sabido – do mundo e de Si; por exemplo, conhecer a causa das nossas acções, capacita(nos) para trans-formar, para modificar. Para transmutar, como na alquimia. Por isso se liga à ética (pois, eu tinha de lá ir dar…), de um modo semelhante a como se liga à política.
Projecto nas coisas a vontade de as compreender, de as conhecer e de legislar sobre elas, de determinar a(s) finalidade(s). E já me afasto para a interpretação, a hermenêutica portanto. Criadora de sentido. Interrogo-me sobre os modos como a classificação (de conceitos, de objectos…) pode ser suficiente para compreender uma atitude hermenêutica (que aprofunde o conhecimento das relações e das ligações).
Em síntese meditativa, poderemos juntar a Hermenêutica à tríade?! ou não faz sentido? Voltarei à hermenêutica, portanto…
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A conversa continua (e continuará) - Propostas sobre propósitos
Enquanto a minha máquina principal está hoje sob comando quase total da Computação, que é uma Deusa à imagem das Outras, tal qual tem estado nos últimos cinco dias, eu espero ardentemente que ao sétimo dia se faça Luz.
LN deixou-nos um desafio difícil de digerir. Por um lado porque salta uma das regras deste tipo de gente que por aqui anda e que é, em palavras simples:- Não mexas muito que pode quebrar…
Por outro, coloca mais uma peça no tabuleiro já de si complexo: 8 x 8, acrescido de 16 regras básicas, o que pode levar até 10 elevado a 123 movimentos possíveis.
Aquilo que nós pensávamos poder ser lidado por gente de 3 campos: lógica, ontologia, computação, vê-se a braços com a provocação proveniente da Hermenêutica. Antes desta, temos um fio condutor e aglutinador que é o conhecimento. Pacífico!
Como se diz por aí, a filosofia não pode (deve) dar cobertura às nossas ideias preferidas, gostosas e acarinhadas, uma vez que somos tentados a não as avaliarmos cuidadosamente. Pelo contrário, a filosofia impõe que façamos a respectiva avaliação critica das nossas ideias — todas — pondo em causa os lugares-comuns que sorvemos a largos golos, a bem da paz e da tranquilidade da raça.
A filosofia e o seu método obrigam-me a formular questões antes de dizer a LN que chove torrencialmente e que está um dia maravilhoso para andar no areal da Praia de Francelos. LN e o seu método provocam-me de maneira salgada e perguntam-me qual é exactamente o problema de trazer a hermenêutica para o quadro que esboçamos? E o que é exactamente ser adepto da hermenêutica?
Para já, Hermes tinha o dom da ubiquidade, o que agrada sobremaneira ao povo computacional, depois era portador da boa sorte, patrono dos oradores, escritores, atletas, mercadores, ladrões e outros predestinados. Gosto de ver Hermes no seu papel de Deus da Mudança, sandálias aladas e a lira sempre disponível. Definitivamente, Hermes não me assombra a casa, nem a mesa, nem a cama, nem a roupa. Muito menos a máquina pensante. Depois, esta minha cabeça confusionista, volta não volta vai buscar o teorema de Gödel e a questão da incompletabilidade. Direis vós: lá está ele a encher balões e agora dá-lhe com Gödel para desviar as atenções. Não é nada disso, posso não saber muito destas coisas com que andamos entretidos, menos ainda terei capacidade suficiente para explicar as enredadas linhas do meu pensamento, mas o diabo é que eu dei por verdadeira a proposta de Gödel quando ele diz que um sistema lógico não pode bastar (por si só) à sua própria justificação ou validação. Isto não quer dizer que não se possa analisar uma questão com base naquilo que assumimos como saber adquirido, antes significa que o número de novas questões para as quais, respostas terão de ser encontradas é de facto enorme (infinito, diz Gödel…).
A ciência contemporânea contraiu uma dívida elevada para com os discípulos de Hermes, pela sua permanente inquietação, pela transmutação dos elementos, pelas teorias da energia e da relatividade. Está aberta a porta a Hermes! Mas também a outros Deuses e Deusas, sobretudo aos que sabem e conseguem raciocinar perante factos observáveis. Faça-se ainda uma última ressalva: não acredito que a Pedra Filosofal me permita entrar desta vida na eternidade dos BemAventurados.
de Alexandre Sousa.
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e lá vou…
e regresso ao assunto
de ontologias… em cinco pontos, dedilhado intermezzo

Investigação aplicada é realização de trabalho original a fim de adquirir novos conhecimentos. É, no entanto, direccionada, principalmente, para uma finalidade ou objectivo prático específico. Assim se passa com as ontologias aplicadas aos sistemas de informação, que se referem implicitamente a uma determinada visão do Domínio em que operam. O âmbito desta ontologia aplicada (sistemas de informação) é o de fazer emergir, de uma forma clara e inequívoca, conhecimento implícito e hipóteses sobre a natureza e estrutura deste domínio. Se a ontologia como disciplina filosófica estuda o ser e a estrutura geral das entidades, a ontologia aplicada investiga e desenvolve modos de estruturar através de linguagens formais e computacionais o conhecimento que está inerente a documentos que pertencem aos sistemas de informação.
vindo daqui - e continuar a ler…
Vejo a moldura com 4 lados, com a hermenêutica lá.
1. Filosofia não é uma ciência, como a vejo. Está acima, e o conhecimento que visa, assim como o sentido, são de natureza diversa da da ciência. E concordo que é do tipo que confere organização e sistemática. Ao científico como ao pensamento estético. Ou ao pensamento, apenas. Nela, a ambição pelo todo não é incompatível com a visão da parte - de um modo análogo ao que uma visão de landscape da floresta não se antagoniza com um mergulho às árvores - completam-se. Nela, a importância maior é das perguntas, das indagações que se colocam.
2. A Ontologia filosófica saiu do campo estrito e passou a admitir-se como ontologia para-definir-os-tipos de seres e entes. Portanto, também de coisas. Daí que se admita que exista «ontologia de domínio», «ontologia de tarefas», «ontologia de representação» (é desta que falamos…)
3. A Representação do conhecimento aplica teorias e técnicas dos 4 campos: Lógica ( proporciona a estrutura formal e as regras de inferência), Ontologia, Computação (apoia as aplicações que distinguem a representação do conhecimento da filosofia pura) e da Hermenêutica (as regras e técnicas da interpretação).
4. A compreensão das coisas precisa de um método analítico esclarecedor e de um procedimento de compreensão descritiva, afirma Dilthey. Compreender é apreender um sentido – e sentido é o que se apresenta á compreensão como conteúdo. Ou seja, determinam-se um pelo outro: só é possível determinar a compreensão pelo sentido e vice-versa.
5. Lógica, Ontologia, Computação e Hermenêutica fazem uma moldura. Quatro lados de um enquadramento amplo e desafiador. O que os liga, como se de cola se tratasse? Não o conhecimento, em si, mas a Representação do conhecimento.
Como Leonardo cita:
“Philosophical ontology is the science of what is, of the kinds and structures of objects, properties, events, processes and relations in every area of reality”
Para um sistema de informação, uma ontologia é uma representação de um pré - existente domínio da realidade, o qual:
(1) Reflecte as propriedades dos objectos dentro do seu domínio de tal forma que obtém uma correlação sistemática entre a realidade e a própria representação;
(2) É inteligível para o especialista no domínio;
(3) Apresenta-se formalizada de tal modo que permite o processamento automático da informação.
Uma ontologia neste sentido é uma coisa feita por um investigador ou especialista num determinado domínio. Esta coisa é uma teoria formal, que recapitula com precisão o domínio em função do tipo de entidades contido dentro dele; ou seja, não é ad hoc, mas sim, em conformidade com o mundo. Assim, uma ontologia representa uma verdade - para - o - mundo de um dado domínio. Isto está em contraste com os usos mais populares nas áreas da informação e da ciência da computação, pelo que podemos ver uma ontologia como um mero modelo ad hoc construído para algum propósito específico.
Afirma Alexandre Sousa
E é certo que, aquando da minha atirada para cima da mesa da homenagem a Hermes, AS afirmara:
Aquilo que nós pensávamos poder ser lidado por gente de 3 campos: lógica, ontologia, computação, vê-se a braços com a provocação proveniente da Hermenêutica. Antes desta, temos um fio condutor e aglutinador que é o conhecimento. Pacífico!
Como se diz por aí, a filosofia não pode (deve) dar cobertura às nossas ideias preferidas, gostosas e acarinhadas, uma vez que somos tentados a não as avaliarmos cuidadosamente. Pelo contrário, a filosofia impõe que façamos a respectiva avaliação critica das nossas ideias — todas — pondo em causa os lugares-comuns que sorvemos a largos golos, a bem da paz e da tranquilidade da raça.
A filosofia e o seu método obrigam-me a formular questões antes de dizer a LN que chove torrencialmente e que está um dia maravilhoso para andar no areal da Praia de Francelos. LN e o seu método provocam-me de maneira salgada e perguntam-me qual é exactamente o problema de trazer a hermenêutica para o quadro que esboçamos? E o que é exactamente ser adepto da hermenêutica?
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e em outro excerto
A ciência contemporânea contraiu uma dívida elevada para com os discípulos de Hermes, pela sua permanente inquietação, pela transmutação dos elementos, pelas teorias da energia e da relatividade. Está aberta a porta a Hermes! Mas também a outros Deuses e Deusas, sobretudo aos que sabem e conseguem raciocinar perante factos observáveis. Faça-se ainda uma última ressalva: não acredito que a Pedra Filosofal me permita entrar desta vida na eternidade dos BemAventurados.
Finalizando:
Por mais que se procurem alquimias, transmutações da Pedra Filosofal, ainda resta a possibilidade de que os processos sejam o mais enriquecedor do que se faz pelos caminhos…
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continuamos…..





