Publicado em Ética, Tomada de decisão

tomada de decisão: ainda e sempre


Old Path Posted by Hello

Tomar decisões faz parte do dia-a-dia.
Muitas vezes, decide-se sem grandes análises e, também, sem uma avaliação acurada do que se está a fazer. Situações simples, habituais, não levantam dúvidas.
Mas… quanto menos familiares (logo, mais instáveis e ambíguos) forem os problemas, mais morosa e analítica tende a ser a estratégia da decisão.
Face a uma situação nova (ou inesperada) em que se exige uma decisão, somos desafiados (ou forçados) a reflectir no que estamos a fazer e temos de explicar os motivos que nos levaram a agir (ou não) de determinada forma.

As decisões morais têm de ser fundamentadas numa cuidadosa deliberação racional sobre os factos existentes, no exame dos princípios morais relevantes, na apreciação das opções e possibilidades (chamo-lhes «cenários»), na monitorização dos efeitos e consequências das acções e na identificação de lições para o futuro.

Decidir é escolher uma acção (nunca em registo de pensamento binomial, já agora! mas exigindo sempre mais que duas alternativas, de forma crítica) de entre várias possíveis (daí, os cenários) e dirigida para (aí está, a finalidade) a resolução de um determinado problema.
Por aqui se vê que a decisão pode ser orientada segundo uma ideologia, condicionada por crenças e valores, pelas prioridades e/ou pelos objectivos.
Por outro lado, resolver o problema (que era o pretendido) é condicionado pela escolha (supôr-se-ia da melhor acção) e à existência (ou não) de competências para a levar a cabo.

Deixo Ortega y Gasset com a sua afirmação inequívoca: «escolher é sempre rejeitar».

E fico a pensar que falta menos de uma semana para uma escolha nacional…
Como qualquer processo de tomada de decisão, exige deliberação e acção.
Não basta decidir, é preciso concretizar, isto é, votar.

Autor:

LN é sigla de Lucília Nunes. Este blog nasceu no Sapo em 2001. Esteve no Blogspot desde 01.01.2005. Importado para Wordpress a 21.10.2007. Ligado ao FaceBook desde 13.12.2010.

6 opiniões sobre “tomada de decisão: ainda e sempre

  1. A escolha é irredutível e apodíctica. Mesmo escolhendo não escolher estaremos a escolher. Qual a melhor escolha? Pois sim, de acordo com todo o seu texto mas deixo Pascal no ar, quando este diz que embarcados já estamos. Esperemos que as abstenções sejam bem mais baixas 🙂
    Ainda não tinha vindo comentar mas gosto muito do seu blog, está muito bem conseguido. Parabéns pelos seus raciocínios claros.

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  2. Olá, bem vinda. Dei um saltino ao sítio do Gado Bravo (e, daí ao Marketing axiológico). Interessante, voltarei a visitar.

    Ao «seu» Pascal ripostarei com J. Marina e com “somos todos náufragos no mesmo mar…” por isso me parece que devemos uns aos outros, no mínimo, solidariedade…

    Ainda bem que os raciocínios lhe parecem claros. Que descodificar e reinterpretar é aparentemente mais simples falado do que escrito! 🙂

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  3. Nas sociedades actuais o aumento exponencial das escolhas, pelo menos para os indivíduos de certas classes sociais, tem, paradoxalmente, aumentado a infelicidade humana. Um livro que desenvolveu de forma particularmente sólida esta linha de raciocínio foi The Paradox of Choice de Barry Schwartz, editado no ano passado. Para todos os que se interessam por processos de decisão esta obra constitui um verdadeiro “vintage” (ver http://www.amazon.co.uk/exec/obidos/ASIN/0060005696/qid=1108419194/sr=2-1/ref=sr_2_11_1/202-4201833-2956665
    PJ

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  4. oh, céus…
    Why More is Less…
    Obrigado pela «ponte», PJ.

    A possibilidade excessiva de escolhas (e o entrar em «overload») está ligada a elevadíssimas expectativas de sucesso (apenas e tão só). Claro que leva à depressão!
    “Why Choice Is Demotivating”, releva para quando nos sentimos mal com as escolhas, quando maximizamos porque queremos “the best”.
    Os «maximizadores» (e está a falar de americanos) tendem a ser menos felizes, afirma ele.
    Pois em Portugal dizemos que «o óptimo é inimigo do bom» 🙂
    Uma cultura que apenas quer o melhor e olha de soslaio para os outros, a ver se o tem (ou se têm eles) é um convite aberto a “maximizar”, à insatisfação permanente.

    pronto, já divaguei….
    Posso devolver a gentileza?
    Na perspectiva mais da ética, A coragem de escolher, de Fernando Savater. 🙂

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  5. na área da escolha, pode também ser interessante acrescentar a ideia das falácias da decisão e da possibilidade de desobeder.
    Aliás, “Desobedeça!” é um interessante título na área da gestão…

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  6. Obrigado pela sugestão de leitura do livro de Savater. Por uma coincidência interessante acabei de ler esse livro há duas semanas…
    PJ

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