do animal simbólico ao autor: Ernst Cassirer

Ernst Cassirer (1874-1945) foi um filósofo alemão, que estudou em Marburg (onde se relacionou com a famosa escola do mesmo nome), com Hermann Cohen e Paul Natorp.
Deu aulas em Hamburg até 1933, quando os nazis ascenderam ao poder.
Depois, foi professor, sucessivamente, em Oxford, em Gothenburg, em Yale e Columbia University. Naturalizou-se como sueco e foi mais um dos muitos casos de intelectuais nascidos judeus-alemães a sair da Alemanha nos anos 30.

O seu trabalho maior e mais relevante entitula-se «Philosophy of Symbolic Form», em 3 volumes. Noto, contudo que «Essay on Man» e «Language and Myth» se tornaram mais conhecidos.
Em traços gerais, Cassirer considera que, enquanto os animais percebem o mundo pelo instintos, o ser humano cria o seu próprio universo pelos significados simbólicos que atribui e delineia a sua percepção de realidade – nestes universos simbólicos encontramos a linguagem, o mito, a religião, a ciência,… – e configura o homem como «animal simbólico».

Símbolo é «palavra-chave» e distingue-se dos signos, que os animais utilizam igualmente – tem diversos significados e sentidos, em diferentes contextos.

Conheci os seus textos nos inícios dos anos 80, e foi tema da minha tese de licenciatura (quando ainda havia essa figura) – »À procura do animal simbólico de Cassirer».
O que mais me interessou em Cassirer, e hoje permanece, é a noção do significado simbólico como construtor – não com sede na literatura, na hermenêutica ou no interaccionismo simbólico mas na forma «pura e dura» do pensamento filosófico.
Relevo um contributo relevante na Filosofia da Ciência, e a sua amizade e intercâmbio com Einstein. Aliás, o filósofo explora a relação entre a teoria geral da relatividade e a concepção de conhecimento da Escola de Marburg (neo-kantiana). Ligeirinho, diria que realizou uma reinterpretação de Kant, sobretudo nas condições objectivas do conhecimento (espaço e tempo).

http://plato.stanford.edu/entries/cassirer/
http://www.kirjasto.sci.fi/cassir.htm
http://cscs.umich.edu/~crshalizi/reviews/essay-on-man/
http://webtext.library.yale.edu/xml2html/beinecke.CASSIRER.con.html
http://www.princeton.edu/~freshman/philosophy/cassirer/cassirer.html

Autor: LN

LN é sigla de Lucília Nunes. Este blog nasceu no Sapo em 2001. Esteve no Blogspot desde 01.01.2005. Importado para Wordpress a 21.10.2007. Ligado ao FaceBook desde 13.12.2010.

4 opiniões sobre “do animal simbólico ao autor: Ernst Cassirer”

  1. ninguém quis conversar…! 😦
    ouve-se falar em Kant… ciência… e zupp
    nunca o li LN, vou ter em conta!
    um beijinho

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  2. Cassirer foi uma descoberta para mim…
    E, Rosa, eu acho que não abrir comentários num tema tão específico, pode até nem ser por… zupp! Tenho, para mim, que a filosofia goza de “má reputação” e que uma das tarefas interessantes é torná-la próxima, acessível. 😉 Até porque é a mãe das ciências…

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  3. Olá! Vi seu texto qnd estava pesquisando informações sobre Cassirer, e mais especificamente, sobre o símbolo em Cassirer. Sou aluna do 6 período de filosofia pela UCP-Petrópolis, RJ. E colo grau no ínicio de 2009, e estou fazendo monografia, a principio o meu tema seria A linguagem como instrumento da Cultura em Cassirer, mas estou pensando em ser mais especifica, e abordar com mais intensidade o símbolo. E ficaria muito feliz se vc pudesse ne ajudar. Indicar algum livro, comentador, site. Estou precisando de material a respeito do assunto, mas tenho uma barreira linguistica, meu inglês é básico e não sei nada de alemão! Sei espanhol, mas as obras de Cassirer em espanhol levam em média 11 semanas pra chegarem, isso qnd te no estoque, e necessito entregar a monografia em novembro, o tempo está curto! Se vc puder me ajudar, uma orientação q seja, já será de grande valia.
    Desde já agradeço.
    Monique

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  4. O texto tem uma visão filosófica muito interessante quanto ao ser do homem. Pode-se facilmente fazer essa observação quanto ao homem contemporâneo. Esse texto foi trabalhado na aula de filosofia: antropologia e ética da Puc Minas, o método de estudo usado pelo professor é baseado nos métodos de ensino das universidades francesas, ele busca passar um ensino ativo e não passivo. Logo, o ponto de vista adquirido por mim não se concretizou em terras conhecidas, solo em que posso pisar com confiança. Mas, acredito que esse texto não seja um Simbolo de diferentes percepções, seu conteúdo pode ser facilmente debatido, mas o ponto é até que ponto é debatido? Há necessidade de se ir mais profundo nesse assunto, acredito que o texto pode ser ponte para um visão mais empática das pessoas para o mundo.

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