110 * pensamento do dia










(foto aqui)

“Não somos responsáveis apenas pelo que fazemos,
mas também pelo que deixamos de fazer.”
Moliere
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Analise-se, que vale a pena…

Qualquer manual de teoria da informação aponta as regras básicas de conduta.
Além da teoria da notícia, todos serão unânimes na ética profissional dos jornalistas e das empresas de informação. Aliás, fala-se hoje também muito de ética empresarial.

Num país que tem doze Ordens, que critérios para seleccionar as que são presente à Ordem do Dia, na TSF?!
“De Segunda a Sexta, às 18h50m. Sábados às 12h50m
Segunda-feira – Médicos
Terça-feira – Arquitectos
Quarta-feira – Advogados
Quinta-feira – Biólogos
Sexta-feira – Economistas
Sábado – Engenheiros”

Não vou repetir argumento a propósito da Ordem dos Enfermeiros.
O que decorre é que não é a dimensão das Ordens que conta para a TSF.
Até aqui, parece claro! Porque excluída está a maior Ordem do País.

É para quê, já agora?
A TSF convida médicos, advogados, economistas, arquitectos, biólogos e engenheiros a pronunciarem-se sobre temas da actualidade que directa ou indirectamente interagem com estas áreas profissionais. Em colaboração com as respectivas ordens“… anuncia-se.

Vou contar as Ordens profissionais existentes, sim? (aproveito para as linkar, igualmente)
Advogados,
Arquitectos,
Biólogos,
Economistas,
Enfermeiros,
Engenheiros,
Farmacêuticos,
Médicos,
Médicos Dentistas,
Médicos Veterinários,
Notários,
Revisores Oficiais de Contas
– se contei bem, são doze (e se me esqueci de alguma, lamento)
Ou seja, um ciclo de duas semanas, incluía todas as Ordens. Mas não: é um ciclo semanal…

QUAL O CRITÉRIO QUE PRESIDIU À ESCOLHA de SEIS da TSF?
O da dimensão não foi, constatou-se. O alfabético também não foi, como se vê.
Qual ou quais??

Numa sociedade democrática, os meios de informação não estão à margem nem devem esquivar-se a responder a questões simples – claramente, e no mínimo, a TSF peca por falta de accountability, de transparência na prestação pública de resposta.
Além de desrespeitar uma série de príncipios – sim, da ética da informação, pois que nem se responde às dezenas ou centenas de solicitações…

Ah, só falta o próximo Fórum da TSF ser sobre transparência nos processos ou a isenção e objectividade das empresas de informação…

»» livros e leituras

foto daqui

“A harmonia entre os nossos pensamentos e o mundo, a ponte que construímos entre o passado e o futuro, o sentido daquilo que o mundo físico contém e o modo como as nossas mentes se inserem nele são tópicos aos quais se dedicaram os pensadores mais perspicazes, tendo conseguido como resultado apenas a frustração. Parece haver sempre palavras melhores um pouco mais além, à espera de serem encontradas.
A este respeito poderíamos ser cínicos – sabe-se de filósofos profissionais que o foram – como se a defesa da reflexão crítica se tivesse revelado vã. Não creio que tal se justifique. Penso que o próprio processo de compreensão dos problemas é, em si, um bem. Se o desfecho é aquilo a que Hume chamou um «cepticismo mitigado», ou o sentido do quanto uma modéstia decente nos fica bem no decurso das nossas especulações intelectuais, isso não é certamente uma coisa má. O mundo está repleto de ideias e uma consciência exacta do seu poder, dificuldade, fragilidades e falibilidade não é de modo algum o que menos lhe faz falta.”

Simon Blackburn
Pense. Uma contagiante introdução à Filosofia. Lisboa: Gradiva, 2001. p. 302

uma década depois…

Há um pouco mais de dez anos, consumimos horas a reflectir sobre uma trilogia – já nessa época aprendíamos imensas coisas uma com a outra. Esta semana falaram-me nesse artigo (obrigada, APF) e fui relê-lo.
Tenho a noção de que, às vezes, o que escrevemos há tempo atrás embaraça-nos, pela diferença com o que hoje pensamos (ainda que possa ser a diferença entre semente e arbusto)… Outras vezes realicerça-nos e faz entender melhor caminhos percorridos. Foi o caso desta vez!

“A sociedade espera de nós a prestação de um serviço com competência.
Nós sabemos que, ao privilegiar o cuidar personalizado, estamos a valorizar o desenvolvimento das novas competências profissionais que são de ordem sócio-afectiva. Pretendemos, como é natural, melhorar a qualidade dos cuidados que prestamos, aumentando os nossos níveis de competências.
Atendendo a que as Pessoas são fins em si mesmos e não meios para o uso arbitrário da nossa vontade, têm uma dignidade que temos de reconhecer e preservar. Ao Cuidar de Pessoas, nós, enfermeiros, não exercitamos meramente as nossas habilidades e conhecimentos. Pômos os nossos saberes ao serviço dos utentes. Desta forma, e porque nós e eles somos Pessoas, a nossa competência e a qualidade dos cuidados que prestamos são exigências éticas.”
NUNES, L; LOPES, A. – «Acerca da Trilogia: Competência profissional – qualidade dos cuidados – ética». Nursing, Julho/Agosto 1995, p. 13.

Uma década depois, acredito profundamente nesta trilogia…