Analise-se, que vale a pena…

Qualquer manual de teoria da informação aponta as regras básicas de conduta.
Além da teoria da notícia, todos serão unânimes na ética profissional dos jornalistas e das empresas de informação. Aliás, fala-se hoje também muito de ética empresarial.

Num país que tem doze Ordens, que critérios para seleccionar as que são presente à Ordem do Dia, na TSF?!
“De Segunda a Sexta, às 18h50m. Sábados às 12h50m
Segunda-feira – Médicos
Terça-feira – Arquitectos
Quarta-feira – Advogados
Quinta-feira – Biólogos
Sexta-feira – Economistas
Sábado – Engenheiros”

Não vou repetir argumento a propósito da Ordem dos Enfermeiros.
O que decorre é que não é a dimensão das Ordens que conta para a TSF.
Até aqui, parece claro! Porque excluída está a maior Ordem do País.

É para quê, já agora?
A TSF convida médicos, advogados, economistas, arquitectos, biólogos e engenheiros a pronunciarem-se sobre temas da actualidade que directa ou indirectamente interagem com estas áreas profissionais. Em colaboração com as respectivas ordens“… anuncia-se.

Vou contar as Ordens profissionais existentes, sim? (aproveito para as linkar, igualmente)
Advogados,
Arquitectos,
Biólogos,
Economistas,
Enfermeiros,
Engenheiros,
Farmacêuticos,
Médicos,
Médicos Dentistas,
Médicos Veterinários,
Notários,
Revisores Oficiais de Contas
– se contei bem, são doze (e se me esqueci de alguma, lamento)
Ou seja, um ciclo de duas semanas, incluía todas as Ordens. Mas não: é um ciclo semanal…

QUAL O CRITÉRIO QUE PRESIDIU À ESCOLHA de SEIS da TSF?
O da dimensão não foi, constatou-se. O alfabético também não foi, como se vê.
Qual ou quais??

Numa sociedade democrática, os meios de informação não estão à margem nem devem esquivar-se a responder a questões simples – claramente, e no mínimo, a TSF peca por falta de accountability, de transparência na prestação pública de resposta.
Além de desrespeitar uma série de príncipios – sim, da ética da informação, pois que nem se responde às dezenas ou centenas de solicitações…

Ah, só falta o próximo Fórum da TSF ser sobre transparência nos processos ou a isenção e objectividade das empresas de informação…

Autor: LN

LN é sigla de Lucília Nunes. Este blog nasceu no Sapo em 2001. Esteve no Blogspot desde 01.01.2005. Importado para Wordpress a 21.10.2007. Ligado ao FaceBook desde 13.12.2010.

9 opiniões sobre “Analise-se, que vale a pena…”

  1. Enviei um e-mail dirigido ao sr. director da TSf lamentando este facto e referindo que não são explícitos os critérios de escolha! Era bom que cada colega enviasse um e-mail para que o sr. director fosse confrontado com esta onda de indignação de todos nós!

    Gostar

  2. Pois eu enviei um, há uns dias largos atrás, interrogando polidamente das razões e lamentando o equívoco. E foi exactamente a falta de resposta que conduziu a esta entrada. Concordo que, naturalmente, vale a pena inundar a caixa de correio electrónico. Mas bastará, ainda assim???…

    Gostar

  3. Insisto…
    Devemos questionar a montante…
    Quem é a TSF?…
    O que é a TSF?…
    Um órgão de comunicação?!…
    De informação?!…
    De “insuflação”?!…
    O que está em causa é o/um código deontológico que está/deveria estar visceralmente ligado a um órgão de informação a: TSF.
    Não pretendo exercer o CUIDAR a uma estação de rádio.

    Gostar

  4. Sorriso inevitável com o «cuidar» a uma estação de rádio…

    Para montante, caminhemos:
    Quem é a TSF? O que é?

    CRONOLOGIA?
    Março de 1981 – Aproveitando o programa eleitoral do novo governo, que fala em reprivatizar a rádio, é criada a “TSF – Cooperativa de Profissionais de Rádio”, constituída por Adelino Gomes, Albertino Antunes, António Jorge Branco, António Rego, Armando Pires, David Borges, Duarte Soares, Emídio Rangel, Fernando Alves, Jaime Fernandes, Joaquim Furtado, João Canedo, José Videira, Mário Pereira e Teresa Moutinho;

    11 de Agosto de 87 – A empresa de ar condicionado “FNAC” e a “Prodiário” (entre outros, “O Jornal”) entram no capital da empresa “Radio Jornal SA.”, com, respectivamente, 10 e 34 por cento; A cooperativa mantém os 34 por cento e há quatro cooperantes que individualmente possuem posições (num total de 16 por cento), mais 5 por cento da “Renascença Gráfica”/Diário de Lisboa e 1 por cento da “Repórteres Associados”/Tal e Qual/Rocha Vieira;

    29 de Fevereiro de 1988 – primeira emissão da TSF (primeira notícia do primeiro noticiário, às 7 da manhã, lida por Francisco Sena Santos: “Paz no fisco durante três meses), ainda “pirata”, apenas em Lisboa, e em 102.7 FM; Emídio Rangel é o primeiro director;

    Julho de 88 – Ruptura no interior da cooperativa: de um lado, entre outros, Emídio Rangel (que assumiu a presidência da cooperativa) e de outro Teresa Moutinho e Albertino Antunes. Início de uma longa batalha judicial;

    28 de Setembro de 88 – Terminam as emissões “piratas” porque é aberto concurso para atribuição de alvarás. A TSF concorre em Lisboa, Porto, Coimbra e Faro. Só ganha em Lisboa e Coimbra;

    20 de Março de 89 – Regressam as emissões da TSF a Lisboa (89.5 FM); em Setembro alia-se à Rádio Nova, do Porto, em cadeia nacional, para os noticiários;

    Finais de 1990 – Concurso para atribuição de frequências regionais: a TSF perde a concessão sul para a Correio da Manhã Rádio;

    1 de Julho de 91 – A TSF inicia finalmente emissões regulares no Porto, ao adquirir a “Rádio Activa” (90.0 FM);

    Abril de 92 – Emídio Rangel abandona a direcção da TSF, para assumir a liderança da SIC; David Borges é o novo director;

    Primeiro trimestre de 92 – é criada a Rádio Energia, dirigida a um público jovem (primeiro só Lisboa, um ano depois Porto);

    19 de Março de 93 – A empresa “Lusomundo” (detentora, entre outros meios, da Rádio Press, com uma rede regional de frequências a Norte e Centro) cria com a cooperativa uma nova sociedade (“Rádio Notícias”), detida em partes iguais, para a gestão do património da TSF Radio Jornal; a Cooperativa rejeita uma proposta de compra por parte de Pinto Balsemão;

    Junho de 93 – a TSF começa também a emitir nas frequências da Rádio Press:

    Outubro de 93 – começa a emitir a XFM, iniciava da “Rádio Notícias”, em Lisboa e Porto

    1993 – A “Projornal” e a “FNAC” vendem as suas posições na “Radio Jornal” (44 por cento) ao empresário Gonçalves Pereira/”Interpress”;

    Agosto de 94 – A “Lusomundo” garante a maioria do capital da “Rádio Notícias”, após a venda das últimas acções individuais de cooperantes (Emídio Rangel e Mário Pereira); a Cooperativa mantém 22 por cento no capital;

    Fevereiro de 95 – Começa a ser emitido regularmente o “Fórum TSF” ;

    Março de 95 – É vendida a participação da TSF na rádio de Coimbra, para onde emite agora através dos emissores da Rádio Press;

    Maio de 1995 – David Borges demite-se e é substituído por Carlos Andrade;

    1997 – duas rádios ligadas à TSF (pertencentes ao universo da “Rádio Notícias”), a Energia e a XFM, terminam as emissões;

    Setembro de 1999 – A propósito da violência em Timor, a seguir ao referendo, a TSF inicia uma emissão especial, durante 10 dias, ininterruptamente, que lhe valeu uma medalha dos Direitos Humanos da Assembleia da República;

    2000 – A TSF (através da sua empresa-mãe, “Rádio Notícias”) lidera o “ranking JN” das empresas mais rentáveis de Portugal (de acordo com a análise da rentabilidade dos capitais próprios);

    Abril de 2000 – A “Portugal Telecom”, através da sua participada “PT Multimédia”, adquire 48 por cento da “Lusomundo”, através de uma Oferta Pública de Aquisição; em Novembro, compra a totalidade das acções da “Lusomundo” ao accionista de referência, Luís Silva;

    Agosto de 03 – Carlos Andrade demite-se e é substituído por José Fragoso;

    Setembro de 03 – A TSF pede para ser uma rádio nacional, através de uma alteração legislativa;

    fonte, isto é, excertos quase integrais de:
    http://oquesepassa.no.sapo.pt/tsf.htm

    Hum… interessante…

    Sabia eu que a PT, empresa controlada pelo Governo, é dona do “Diário de Notícias”, do “Jornal de Notícias”, da TSF, da NTV e SIC Notícias, “24 Horas” e “Tal & Qual”. (tive de ir verificar a lista).
    E dizia-se no Público que a TSF é muito sensível a uma certa influência – cf. http://www.publico.clix.pt/tvzine/critica.asp?id=1324

    Fico por aqui, que me alonguei…

    Gostar

  5. Procurava (de uma forma naif) uma explicação através de uma arquitectura da essência, quando a
    arqitectura histórica é por demais clara…
    obrigado

    Gostar

  6. De nada 🙂
    Sou fã de uma perspectiva do entendimento por enquadramento histórico. COntextual. Da génese e desenvolvimento. Ah, e da etimologia. Às vezes, ajudam imenso.

    Gostar

  7. Apenas duas correcções ao “historial” da TSf.
    A última emissão da “era pirata” não foi em Setembro mas sim a 22 de Dezembro.
    E o que é mais importante….a TSF não pertence ao universo PT. Fois adquirida na sua totalidade (tal como o DN) pelo Sr. Joaquim Oliveira.

    Gostar

  8. Correcções agradecem-se. Apesar de se ter procurado fontes com alguma fiabilidade 😉

    Gostar

  9. Quando uma empresa passa por uma reformulação e intenção sempre é evoluir, não devemos nunca esquecer, que a experiência e competência dos antigos são essenciais nessa evolução, uma Rádio como a TSF, esquece o seu passado, quando deixa para trás nomes que quem a ajudou a constituir como: Antonio Jorge Branco, Adelino Gomes, Albertino Antunes, , Armando Pires, Emídio Rangel entre outros.
    Profissionais que levaram o conhecimento através do Portugal Passado na voz de António Jorge Branco, e as Lendas e Calendas que prendiam a atenção do outro lado do atlântico.

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s