JPR

Ontem apresentado, nos Claustros do Instituto Politécnico de Setúbal, o livro:
Justiça, Poder e Responsabilidade:
articulação e mediações nos cuidados de enfermagem.”

Edição da Lusociência.
Tese de doutoramento em Filosofia, na área da ética filosófica.
Organizada em três partes.

O tríptico teórico, na primeira parte, começa pela justiça, caminhando do bom para o justo, com Paul Ricoeur, com o debate entre a Pequena Ética de Soi-même comme un Autre, Le Juste I e Le Juste II. Depois, seguimos Arendt, interrogando o que nós fazemos, a Vita Activa, a perspectiva do domínio público e os tópicos da justiça e do mal. As actividades do labor, trabalho e acção têm características próprias e destacamos que as menos duráveis e fiáveis mas, simultaneamente, as que criam a condição da lembrança (história) são os produtos do discurso e da acção. A pluralidade é o facto fundamental – afirma Arendt que «São os homens, e não o homem, que vivem na terra e habitam o mundo”. Seguidamente, revemos a justiça de vocação institucional, do contrato ao debate, predominantemente com John Rawls e passando ao contexto da ética empresarial.

No segundo capítulo da parte teórica, aprofunda-se o poder, caracterizando a esfera da política, a concepção diferencial do poder com a força, a violência, a autoridade e a revolução, desenhando a faculdade da Vontade, de acordo com Hannah Arendt. Apontam-se os tipos de poder e abre-se espaço ao enigma da autoridade – e aqui cruzámos Ricoeur e Arendt, apontámos diversas formulações de liberdade, considerando a faculdade do Pensar, que se move na Terra dos Invisíveis, o consentimento e dissentimento, a opinião e a objecção de consciência.

No terceiro capítulo, dedicado à responsabilidade, estruturam-se diversas perspectivas do sentido, no plano ético, jurídico e disciplinar, assim como moral. Com Hans Jonas e Paul Ricoeur, aprofundámos as ideias de Prudência, Prevenção e Precaução, que deverão guiar a acção em ordem a podermos lidar com os riscos, sejam eles possíveis, previsíveis, prováveis ou incertos. A deslocação do objecto da responsabilidade acaba por ser tripla porque se é responsável pelo Outro-frágil, pelo mundo-espaço-entre-os-homens e pela extensão da acção no espaço e tempo futuro.

Na segunda parte da tese, configurámos o perfil ético, deontológico e disciplinar dos enfermeiros. Apresentámos a metodologia do estudo de campo, reunimos os elementos para o perfil pela identificação dos problemas éticos referidos na prática, enquadrámos a responsabilidade e poder disciplinar da Ordem dos Enfermeiros, apresentando seguidamente a análise dos pedidos de parecer ao Conselho Jurisdicional, e os acórdãos dos processos disciplinares relativos à actividade profissional. Com o contributo das entrevistas a peritos, esboçámos uma matriz de relação entre justiça, poder e responsabilidade nos cuidados de enfermagem.

Na terceira parte da tese, realizámos a articulação e mediações recíprocas nos cuidados
considerando os 3 eixos estruturantes, Justiça, Poder e Responsabilidade, e os 8 eixos identificados da prática dos cuidados, a saber: a prestação de cuidados, a gestão dos cuidados, a qualidade dos cuidados, a gestão dos recursos humanos, a gestão dos recursos materiais, a justeza, os níveis de decisão e a organização.

Entendemos que a mediação configura e pela mediação se reconfigura e, para cada eixo fomos articulando, alternadamente, a justiça entre o poder e a responsabilidade, o poder entre a justiça e a responsabilidade e a responsabilidade entre o poder e a justiça.

Conversamos?!…

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8 thoughts on “JPR

  1. Em primeiro lugar, muitos parabéns!
    Pelo trabalho, pela obra e pela disponibilidade para a partilha.
    A obra é de estudo, mas vai valer a pena!
    Muito obrigado LN por contribuir desta maneira para muitas construções e em particular para o desenvolvimento da disciplina científica de Enfermagem.

    SD

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  2. A todos, o meu reconhecimento pelas palavras. É sempre mais profícuo construir junto e partilhar.
    Beijo.

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  3. Ao ler este livro lembrei-me do Raul Solnado ao receber um prémio pouco antes de morrer. Dizia ele que só há dois discursos de agradecimento, um curto OBRIGADO e um longo MUITO OBRIGADO.
    Eu agradeço da mesma forma
    A Marona Beja

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