História e hermenêutica

Sob o signo da alteridade e da diferença no tempo (como afirma Ricoeur) – sem o qual não é possível a reconfiguração do passado – é preciso ter em conta que pensar o que já-passou nos leva a respostas construídas, cumulativas, parciais, datadas, prováveis, e que cabe ao historiador procurar tornar o mais verossímel e convincente. Daí uma estreita ligação entre a história e a hermenêutica.

Já Droysen entendia que tanto a natureza quanto a história eram concepções geradas pela mente dos homens a partir da percepção empírica do mundo. Ou seja, o que faria com que se formasse, a partir do caos das percepções sensíveis do mundo empírico, a construção de um saber acumulado sobre o passado, era uma vontade do espírito. A história era, para Droysen, esta vontade, ou este querer atribuir sentido às coisas, fazendo com que a realidade se constituísse como um mundo moral, ou seja, qualificado, dotado de valor e significado.

Droysen estabelecia, assim, uma construção epistemológica para mostrar como a ciência da história era um resultado de percepções sensoriais, orgânicas, sobre o real. Era esta capacidade humana de atribuir sentido às coisas – formando, ao longo do tempo, a humanitas, ou a cultura – o real conteúdo da história.
Nesta medida, Droysen referia, explicitamente, as representações construídas pelo historiador e tratava as fontes ou registos do passado (material objectivamente imprescindível, quer enquanto fontes primárias, quer secundárias), como representações construídas num outro tempo, cabendo ao historiador, por seu turno, representar o já representado (portanto, o próprio material chega ao historiador como representação).

o historiador, diga-o ou não, impõe sempre o seu olhar, já que, para ele, encontrar um caminho para a memória equivale a traçar o seu relato preciso na espessura do esquecimento, essa multiplicidade informe e indefinida de relatos possíveis(Joseph Beaude).

(Mateus, Rembrandt)

Na ilha por vezes habitada


Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos de
morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas
mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a
vontade e os limites. Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o
sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do
mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos
ossos dela.
Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.

José Saramago,
Provavelmente Alegria

Pensamento do dia

“Cada vez que se liberta o espírito humano de uma hipótese que o limitava de modo desnecessário, que o forçava a ver errada ou parcialmente, a efectuar combinações erróneas, a enveredar por sofismas em vez de articular juízos rigorosos, presta-se-lhe já um importante serviço. Porque o espírito humano passa então a ver os fenómenos com maior liberdade, passa a encará-los noutras combinações, em diferentes relações, ordena-os a seu modo, e recupera a possibilidade de errar por si próprio e à sua maneira. Coisa que é inestimável, porque não tardará que, na sequência, o espírito humano consiga descobrir os seus próprios erros.

Johann Wolfgang von Goethe,
Citador

preparados para a diversidade?…


Há gente que utiliza o Ankh, pendurado ao pescoço. E, sendo certo que alguns não conhecem o significado do que usam, muitos portam significado ao que trans-portam consigo.

O Ankh é um símbolo antigo, que se reveste de uma variedade de significados. Desde a imortalidade e da crença que a vida nunca acaba, passando pela fertilidade (pelo grafismo de representação de «chave do Nilo») e símbolos feminino e masculino (Osiris e Isis, a união de céu e terra), até à grandeza do homem, de braços abertos para o universo. Centralmente, é um símbolo (chave) de Vida.

Preparados
para a diversidade?

dar conta de…

Uma clara vantagem do Google Scholar é proporcionar encontros inesperados com trabalhos potencialmente interessantes.

Uma tese a «espreitar»:
Competência emocional: um enfoque reflexivo para a prática pedagógica

Para colegas que desenvolvem a Abordagem Biográfica, fica a referência de
Narrativa autobiográfica: uma prática reflexiva na formação docente

Finalmente, um terceiro texto
Prática pedagógica, processos interactivos humanos e a construção do conhecimento usando a Internet: uma análise a partir da teoria históricocultural de Vygotsky