Da(s) vizinhança(s)

Muita gente anseia (ou di-lo) por uma liderança…
Acabei de ler um argumento lúcido em torno de Uma Questão de liderança :
Uma liderança forte só porque é forte não tem interesse. A uma liderança dinâmica só porque é dinâmica aplica-se o mesmo. Tal como a mudança apenas pela mudança, já vimos o que tem dado ao longo destes anos. Mais importante do que tudo isso é existir um rumo e esse rumo ser claro e justo nos objectivos, digno e transparente nas estratégias e leal no recrutamento e mobilização das vontades.Mais do que uma liderança forte, interessa saber ao serviço do que está essa liderança, qual é o seu projecto em concreto e como pretende levá-lo à prática”
Mais do que o que, interrogue-se o porque, o como e o para quê.

Já tinha passado os olhos, mas agora li atentamente. Recomendo: JVC, JFG e SMS, Proposta de bases para uma lei da autonomia das instituições de ensino superior. Noto que é pré-relatório da OCDE mas depois dele, vale mesmo a pena ler. Já agora, deixo um excerto…
O primeiro objectivo deve ser indubitavelmente o da garantia da qualidade, que é condição de competitividade das universidades face a novas missões e desafios e num mundo da educação superior como tudo cada vez mais globalizado e com novas pressões colocadas pela educação transnacional. A garantia da qualidade é também um factor de defesa dos consumidores, sejam eles os estudantes sejam os empregadores e, indirectamente, toda a sociedade.
O segundo objectivo é o da relevância, também essencial do ponto de vista da defesa do consumidor. A relevância para a empregabilidade (o que é diferente de ser para o emprego dirigido) e para as necessidades sociais é um objectivo central. (…) No entanto, é preciso ter grande cuidado em não considerar a relevância social apenas do ponto de vista económico. Não creio que haja uma medida económica para cursos como filosofia, matemática “pura”, teatro ou outras artes. Há mais vida para além da economia. Recusamos a regulação livre pelo mercado, mas também temos muito receio dos vícios burocráticos da regulação estatal tradicional. Defendemos um modelo de regulação por uma entidade independente. É um mecanismo cada vez mais usado na nova administração pública. Reúne o melhor: a isenção em relação aos interesses políticos, económicos e corporativos, a competência, a defesa dos consumidores. Já os temos em vários sectores. Na concorrência, na energia, nas telecomunicações, na saúde, nos seguros, na comunicação social e, desde há muitos anos, na banca, por intermédio do Banco de Portugal. Porque não na educação superior, actividade porventura mais complexa e desafiante do que qualquer dessas?”

Continue a ler aqui.

Em da crítica da educação à educação crítica, HS expressa-se e faz propostas de um caminho diferente (sobretudo, face às escolas do 2º e 3º ciclos, todavia, há uns pressupostos gerais):
só uma sociedade que seja governada com preocupações fundas com a justiça social pode constituir-se como contexto alargado e estruturante de um sistema educativo também ele preocupado com a equidade.”Nem mais.
As leis básicas que temos de que destaco a Constituição da República e a Lei de Bases do sistema Educativo constituem ainda, para já, um fundo legal positivo. Pena que sejam tantas e tão grosseiras as vezes em que são incumpridas na prática, as suas indicações.
Se fosse só na Educação – continua a ser um mistério como é que temos excelente legislação e precária realidade…
Para ler as propostas, continuar aquiPosted by Picasa

(longo) pensamento do dia

“é preciso coragem para pensar, às vezes, como é preciso para sofrer e lutar, porque ninguém pode pensar em nosso lugar – nem sofrer em nosso lugar, nem lutar em nosso lugar -, e porque a razão não basta, porque a verdade não basta, porque é necessário ainda superar em si tudo o que estremece ou resiste, tudo o que preferiria uma ilusão tranquilizadora ou uma mentira confortável. Daí o que chamamos de coragem intelectual, que é a recusa, no pensamento, de ceder ao medo, a recusa de se submeter a outra coisa que não a verdade, à qual nada assusta e ainda que ela fosse assustadora.
É também o que chamamos lucidez, que é a coragem do verdadeiro, mas a que nenhuma verdade basta. Toda verdade é eterna; a coragem só tem sentido na finitude e na temporalidade – na duração. Um deus não precisaria dela. Nem um sábio, talvez, se só vivesse nos bens imortais ou eternos evocados por Epicuro ou Spinoza. Mas isso não é possível, e é por isso que, de novo, precisamos de coragem. Coragem para durar e aguentar, coragem para viver e para morrer, coragem para suportar, para combater, para enfrentar, para resistir, para perseverar…”

A. Comte-Sponville

(Foto Maastricht)

dar conta de…

Soube nas Inquietações Pedagógicas
e confirmei no link da Conferência Ibérica em Educação para a Cidadania,
em Lisboa, a 9 e 10 de Março de 2007.

Conference Topics:
1. Higher Education and Citizenship
2. Citizenship across Curriculum and Schools
3. Citizenship and the Politics of Education
4. Citizenship Education in the Iberian Context: Comparative aspects
5. Active Citizenship: Challenges and Prospects

Abstracts of 200 words, addressed to the conference e-mail, will be reviewed by the scientific committee.
Conference e-mail: cieurope@fc.ul.pt
Deadlines for abstracts: 31 january 2007
Reply for the Committee: 12 february 2007