Leituras: "O sonho transdisciplinar e as razões da Filosofia"


O sonho transdisciplinar e as razões da Filosofia
lê-se com a facilidade de uma conversa, (em brasileiro), em que o interlocutor aponta argumentos em discurso fluido, e se vai caminhando nos cruzamentos da epistemologia com outros ramos próximos…

Do sonho e das dificuldades (superáveis) do transdisciplinar (capítulo 1) à crise da razão (capítulo 2) e às razões da Filosofia (capítulo 3), as páginas escritas por Hilton Japiassu fizeram-me boa companhia num serão recente.

É do último capítulo que retiro:

“É inegável que a filosofia vem passando por um momento de crise e mal-estar, por um momento em que a decisão precisa ser tomada: há muito tempo a imagem do filósofo não é mais a do educador “temperante” (com autodomínio e moderação baseados na racionalidade) do género humano, inteiramente devotado aos ideais de emancipação e autonomia e reconhecendo na Sabedoria a sua verdadeira riqueza. Entra em crise porque deixa de pôr-se verdadeiramente em questão. Da filosofia, praticamente todo mundo fala. Mas pouca gente sabe do que se trata. Neste domínio, o que reina é uma generalizada e tremenda confusão. Ou então, uma temível indiferença. Donde ser importante investigarmos e nos entendermos sobre o quê exactamente estamos falando. Tarefa difícil, para não dizer inglória ou impossível. Porque os grandes pensadoes que nos precederam sempre mantiveram entre si francos desacordos, não somente sobre as teses e as posições que defendiam mas sobre a natureza mesma da filosofia e sua significação social. Isto começou na Antiguidade e persiste nos nossos dias. As disputas foram acirradas e apaixonadas. Platão insistiu muito no facto de a filosofia ter a sua origem no espanto. E Aristóteles confirma: “Foi o espanto que impulsionou os primeiros pensadores às especulações filosóficas“, não somente para escapar da ignorância mas para aumentar os seus conhecimentos independentemente de toda a utilidade: “perceber uma dificuldade e se espantar é reconhecer a sua própria ignorância“. Ambos reconhecem que o objectivo primordial da vida do filósofo é o de contemplar: os melhores homens são os que veêm, amam e contemplam a verdade! O filósofo sempre foi e será um maníaco do «por quê?» Bem mais tarde, Kant já reconhece: “não aprendemos nenhuma filosofia. Só podemos aprender a filosofar.”
p. 165


Ao capítulo 1, voltarei mais tarde…

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s