Pensamento do dia














Os grandes navegadores devem a sua reputação aos temporais e tempestades.

Epicuro

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elos e cadeias ou de flores no caminho…
















A RS, do Criancices, brindou o «Conversamos?!» com um Prémio oriundo da «X LIST», Thinking Blogger Awards. Agradeço a escolha, que é elogiosa e simpática.
Ainda assim, demorei a responder à tarefa solicitada, isto é, escolher os CINCO blogues que me fazem pensar! Céus… tarefa dificil. Que me fazem pensar?!

Reconhecendo que escolher «é sempre rejeitar» (diria Ortega y Gasset), retiro da lista possível os que já não estão activo (como o Infirmus ou o Marketing Axiológico), escolho não escolher os que são mais de arte (ainda que ela faça pensar, como no Século Prodigioso) e por aí adiante… Assim, os escolhidos são:

I – Aprender e Ensinar, pelo conhecimento e pela reflexão empenhada, JNA partilha fontes e materiais sempre pertinentes, particularmente no ensino superior.

II – Reformar o ensino superior não é bem (apenas) um blog, sendo que JVC comenta, escreve e desafia de modo ineludível e incontornável.

III – Retórica, que conheci como
Retórica e Persuasão, e leio, com o traço caracteristico do AS não ter comentários abertos.

IV –Que Universidade? um espaço sempre de informação, de «revista da imprensa» e precioso para quem quer pensar, serviço que o MJM nos presta a todos há muito tempo.

V – UniverCidade, e não obstante as ocasionais intermitências, o espaço do LM faz-me pensar sobre o Ensino Superior, e muitas vezes repensar os argumentos.

VI – Outro Olhar, que desde há muito passo pelo canto do MP, certa de encontrar mesmo um olhar pessoal, alargado, interrogativo.

VII – A Educação do meu umbigo, onde o PG alia a história, a educação, uma escrita fluente e um olhar crítico.

VIII – Estranho Estrangeiro, um estilo onde o insular se lembra e VS caminha, sem ser “no limbo”.

Ah, são mais de cinco? paciência…
que ainda assim, foi bem difícil!
Se quiserem, podem ir a todos e dizer-me quais cinco escolheriam…

Do dia

Trinta e três anos passaram.
Teremos hoje real consciência do significado?!
Ou, como herdeiros de uma fortuna invisível, malbaratamos esse poder e essa riqueza?!
Talvez seja importante sentarmo-nos a ouvir contar como era e possamos perceber a diferença.
Ah, e o risco! Que o poder existe se as pessoas se reunem e esvai-se quando elas se dispersam…

Vou buscar o que escrevi o ano passado, a propósito do mesmo dia – da Liberdade:

Diria Sartre que, queira ou não queira, estou condenada a ser livre.
A liberdade é tida como condição de alguém que está isento de constrangimento – relevo desde já que a ideia de «ser livre» não pode ser nem é absoluta: como nós, a nossa liberdade está situada e delimita-se. Costumo dizer que se não sou imortal nem sei voar, como podia a minha liberdade ser absoluta?

O género mais primário é o da liberdade de movimento, de ir daqui para ali.
Mesmo esta, tem limitações evidentes.
Da perspectiva política, a liberdade torna-se possibilidade de um cidadão agir segundo a sua determinação, nos limites da lei (aliás, refere-se a existência de “direitos, liberdade e garantias”).
A liberdade de pensamento não precisa de ser protegida mas a da expressão, de opinião, de consciência, precisam – porque se realizam no exterior de nós, se concretizam no mundo.

Filosoficamente, diria que a liberdade pode ser vista como uma das faces da dignidade humana, se viermos pelo caminho da autonomia (autodeterminação, enquanto faculdade auto-reger-se) e da razão.

Enquanto qualidade da vontade de se guiar por motivos e valores pessoais, noto que se distingue de livre arbítrio.
E cedo se relacionou com a responsabilidade, até se tornarem correlativas uma da outra.

Muito se cruza nestas faces da liberdade: falamos de liberdade de investigação, de autonomia do professor, de ideais liberais, de imunidades e direitos, de poder decidir com e sem motivos nas mais diversas esferas da acção humana…

A liberdade do juízo (que depende, por exemplo, do grau de autoconsciência e da visão pessoal) difere, por exemplo, da liberdade política.

Julgo que a liberdade se exerce dentro e fora de nós, em permuta de tipo osmótico.
E posso sentir-me livre mas é preciso que exista liberdade política e social para o realizar? ou que esteja disposta a correr os riscos que implica? Na inversa, posso ser pouquíssimo livre, numa sociedade politicamente liberal e democraticamente organizada? Ou não?!…

Aqui, vale a pena retomar os comentários da altura, e acrescentar que “só o banho cultural [e a cultura é aqui entendida com algo que foi acrescentado ao sujeito] é que permite ao sujeito ter consciência desse sentimento de liberdade.”, como afirmava MP.

E não obstante existir liberdade fora de si, na cultura e na sociedade, tal não significa que haja dentro de si.
E vice-versa, pois em ambiente de totalitarismo, a pessoa, individualmente, pode agir de modo livre (aqui, chamava os «Homens em tempos sombrios» de Arendt, para a conversa).

Agora, na perspectiva da génese da consciência da liberdade, preciso de ser educado para tal.
Educado no sentido da «paideia» grega a encaminhar-me o pensamento… Educação para Pensar por Si. Porque é preciso de desenvolver o pensar e o julgar.

leituras

Há uns anos que me apresentaram Colin McGinn (continuo grata!). Vale a pena ler The Mysterious Flame e, para já, aí está ele, na tradução portuguesa de The making of a Philosopher.

Como se Faz Um Filósofo é uma narrativa biográfica dos caminhos feitos na senda da Filosofia, para quem, filho de mineiro e primeiro da família a chegar à universidade, começou pela Psicologia. Ao contar-nos do seu percurso intelectual, vamos igualmente compreendendo os filósofos que ele foi descobrindo e acerca dos quais nos narra, como que em conversa… as histórias dos professores, os seus gostos e interesses, a evolução do seu pensamento. E acompanhamos assim perspectiva contemporânea de figuras notáveis do século.