pensamento do dia















O que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesmo.


Clarice Lispector

Anúncios

Leituras

“A liberdade é sempre um começar de novo, um “ caminho de pé posto “ e o interesse por si é sempre comparência a uma encruzilhada, uma opção, uma alternativa sem termo médio: ou a ausência de uma abstracção, diáspora de ser e fragmentação ou afirmação sempre em risco, crença sempre em questão. À pergunta do início ─ porquê antes a paz, a liberdade, a justiça, a ciência, a veracidade, a honestidade e a vida, do que a violência, a servidão, a injustiça, a ignorância, a dissimulação, a corrupção e a morte, só uma resposta fundada é possível: porque sim, por um autopatentamento anterior às razões simplesmente analíticas de uma adesão, por isso que interessa ser index sui et mali, como Espinosa dizia da verdade, e, indissociavelmente uma questão de integridade, de inteireza pessoal a que se tem de responder em nome próprio, sob pena de desintegração total e de falta de comparência.”

Carmo Ferreira

1 – Escrita de professores

É espantosa a dimensão do papel do(a) professor(a)… e a necessidade da (sua) adaptação aos contextos em que pretende promover o aprender e o pensar.
Deveria ser diferente em cada caso, ou melhor, para cada estudante e caso-a-caso, em termos do âmbito da formação.
É diversa a acção quando se está perante um jovem recém-chegado ao ensino superior, que anda entre os 17 e os 19 anos, ou do adulto que chega à mesma etapa de realizar um curso superior.
Ou quando se está frente ao profissional em formação pós-graduada, que exerce e traz consigo os desafios dos quotidianos. E, como se não bastasse, diferente ainda é o caso-de-cada-caso, quando quem se propõe estudar, se impele a pensar sobre si e a questionar-se, ou se tem o desafio de inquietar quem não pretendia inquietar-se na tarefa.

Ensinar, que é esta tarefa de quem professa ser professor, exige respeito aos saberes que cada um dos estudantes traz, até porque as suas experiências e convicções podem suportar a discussão a que se associa a disciplina.
Mais: supõe e exige risco, tanto pela aceitação do novo e do diferente; como pela negação do velho ditado — “faz o que eu digo mas não faças o que eu faço” —, pois aquilo que ensina e diz tem de ser o primeiro a dar o exemplo.

E da lista extensa que poderia escrever em torno da ideia de «ser professor exige», hoje fico-me pelo comprometimento – sobretudo numa prática (docente) que é profundamente formadora e, por isso, ética.

Outro dia embaracei-me profundamente por um exemplo dado por professores. E o embaraço não foi pelo conteúdo da discórdia mas pelo modo – pois que julgo que o processo de expressar desacordo e dissenso, quando se trata de um professor, tem de ser patenteado com o estilo de quem pensa e a seriedade de quem enobrece o que faz.

Por isso, penso em comprometimento no sentido de reconhecer que é impossível a neutralidade e a impassibilidade – e que o desafio é maior do que ensinar o que os programas dizem, mas ir ao que é preciso discutir e problematizar, como pessoa e cidadão.
A tarefa – desafiadora e auto-criticante – é ajudar a formar gente pensante, capaz de perceber e combater injustiças, que não aceite passivamente os ditos de uma “elite”, seja ela social, política ou intelectual, antes argumente criticamente e não se resigne facilmente.
Ora juntar isto – que expressa convicção – à maleabilidade aos traços singulares de cada estudante, pode ser complicado…

colectânea de conversas
















Conversámos aqui sobre as virtudes capitais dos professores
1 – respeito singular
2 –
entusiasmo
3 –
curiosidade e inquietude
4 –
acreditar nas capacidades dos estudantes
5 –
humildade
6 –
gerir a relação e os afectos
7 – procurar ser justo nos processos
bem assim como os pecados mortais
1- da arrogância titulada
2 – da acédia ou a inacção profissional
3 – da discriminação ou a des-igualdade
4 – da ignorância-quando-era-suposto-saber
5 – da pequenez de visão e de espírito
6 – do embotamento emocional
7 – da pressa
e dos des-cuidar
E igualmente, virtudes capitais dos estudantes
1 – a humildade
2 – a irreverência
3 – a generosidade
4 – a ousadia
5 – a resiliência
6 – a solidariedade

7 – o empenhamento
e pecados mortais
1 – a preguiça intelectual
2 – a inveja
3 – a indiferença
4- A desonestidade
5 – A calúnia
6 – A inoperância
7 – a procrastinação

ainda que vistos da perspectiva do professor.

Caminho(s) de tese era para ter sido o início de uma «rubrica». Referente, de novo (e sempre) à tarefa e ao papel do professor, numa peculiar dimensão.
Aprendentes Adultos, seguia essa ideia, de ajustamento e de adequação, requerida ao professor.

Faz tempo que vou escrevendo «escrita de estudantes» e agora, está no tempo de entrar a escrita de professora… já a seguir…

preparados para a diversidade?!…


… mesmo quando torres e símbolos são assumidamente réplicas, (ao caso, da Torre Eiffel) qualquer semelhança com contextos é pura coincidência.

Particularmente numa metrópole onde a tradição secular, o formal respeitoso e a contemporaniedade tecnológica se encontram lado a lado.
Com cerca de 27 milhões de habitantes (o país terá 127), em Tokyo dá-se de caras com um verdadeiro “melting pot” de culturas, hábitos e estilos de vida.

Santuarios xintoístas, templos budistas, lojas e galerias, os arranha-céus de Shinjuku, o «electric» district de Akihabara, o que se vê e o muito que não se apercebe… a vénia de saudação e o antigo modo conjugam-se com o efémero das cerejeiras em flor…