dar conta de…

Women’s Worlds 2008 is open to proposals in ALL fields and themes related to women, gender and sexuality in contemporary societies, as well as historically.
However, we have established some thematic guidelines to facilitate classification of proposals for the congress final program. We are placing a special emphasis on two central themes: violence and migrations, but these themes are by no means the only ones to be addressed at the conference.
MMWW08 organizers will like to receive a wide variety of proposals in ALL fields of knowledge and working areas.

New Frontiers: Dares and Advancements
The experience of dislocation whether physical, conceptual or symbolic, affects women in specific ways. We have chosen three concepts to encompass the general theme of the congress: frontiers, dares and advancements, in order to address a wide range of themes, issues and disciplines that ought to be taken into account for a better understanding of the present world. On the one hand, the congress theme refers to physical dislocations as having to do with migration, illegal trafficking of women for sexual exploitation and slavery, cheap labour, racism, xenophobia and all forms of physical violence against women and those who are “in transit”. On the other hand, it refers to imaginary and conceptual forms of dislocations and frontiers as having to do with survival mechanisms that women in extreme situations develop, many forms of conceptual dislocation and imaginary borders, “other worlds”, the Internet and scientific revolutions that we are experiencing in the 21st century, new venues and ties among people who are fighting for gender equality and social justice around the World, new time/space frames, new feminist theoretical proposals, etc.
MMWW08 will be the ground for a deep and constructive analysis and an optimistic outlook at all the issues that affect women and have to do with feminist enterprises today.

aqui


The Organizing Committee of MMWW08 invites participants willing to attend the congress to submit a proposal in order to present it during the conference, at the University Complutense of Madrid (July 3-9, 2008).

aqui

da(s) vizinhança(s)

O blog, – a retórica -, fez 4 anos?! No dia de S. João… E realmente,

A importância das coisas é sempre anterior à sua avaliação. Importante é tudo aquilo que aprendi com esta nova classe de amigos: os que não me conhecem, os que não sabem que são meus amigos, os que não fazem a menor ideia do que me têm ensinado. Abençoada blogosfera.” (Americo Sousa)

Poder-se-iam oferecer flores virtuais, mas prefiro um poema. De impulso, seja:

OUVINDO O QUARTETO OP. 131, DE BEETHOVEN

A música é, diz-se, o indizível
por ser de inexprimível sentimento
da consciência, ou um estado de alma,
ou uma amargura tão extrema e lúcida
que passa das palavras para ser
apenas o ritmo e os sons e os timbres
só pelos músicos cientes de harmonia
e de composição imaginados. Mas,
se assim fosse, eles só dos homens
saberiam mover-se nos espaços
que a humanidade abandonada encontra
nos desertos de si. Começariam
onde a expressão verbal não se articula
por impossível. Viveriam sempre
na fímbria estreita à beira da maldade
e do absurdo, como que suspensos
na solidão da morte sem palavras.
Não é, portanto, a música o limite
ilimitado dos limites da linguagem,
para dizer-se o que não é dizível.

Mas, se não é, que dizem lancinates,
neste discreto passeio pelo tempo,
os quatro instrumentos semelhantes
no seu modo de criarem som?
Tão terrível. Sufocante. Doce
ou agridoce desconcerto harmónico.
Que diz? Que diz? Neste contínuo
de temas e andamentos, de tonalidades,
o que se justifica? Que discutem eles?
A sua mesma natureza de instrumentos
e as combinações até ao infinito
de um mecanismo abstracto do imaginar?
Como pode uma coisa que sentimos tão medonha,
tão visionariamente séria e pensativa,
ser irresponsável?

Será que nos diz do aquém, do abaixo,
do infra, do primário, do barbárico,
do animal sem alma e sem razão?
Será que todo este rigor tão belo
é como que a estrutura prévia
de que existimos ao pensar as coisas?
E não a quintessência depurada
de uma estrutura que se consentiu
todo o significar a que as palavras vieram
da analogia nominal e mágica
até à consciência dos universais?
Não há tristeza alguma nesta
vida transformada em puro som,
em homogénea outra realidade?
Não é de angústia este rasgar melódico
da consciência antes de criar-se humana?

De que, portanto, vem este triunfo
que se precipita, contraditório, nas arcadas
dos instrumentos conversando essências?
É simples convenção? É artifício?
Silêncio irresponsável?

Se há mistério na grandeza ignota,
e se há grandeza em se criar mistério,
esta música existe para perguntá-lo.
E porque se interroga e não a nós,
ela se justifica e justifica
o próprio interrogar com que se afirma
não quintessência ela, mas raiz profunda
daquilo que será provável ou possível
como consciência, quando houver palavras
ou quando puramente inúteis forem.

(Jorge Sena)

… com atraso, Parabéns!

Livros e leituras


O título fez-me sorrir.

Sendo certo que as mulheres leêm mais do que os homens – pelos dados do Consumidor da Marktest, do mês passado, em 2006, as mulheres apresentam uma taxa de leitura de 40.7% e os homens de 33.1% – o título fez-me pensar se são perigosas por lerem ou se leêm por serem perigosas. Afinal, a afirmação não tem causa-efeito, apenas diz: «mulheres que leêm livros são perigosas»…

«Ler é um acto de isolamento amigável. Quando estamos a ler, procuramos tornar-nos inantigiveis. Talvez fosse isso que interessou os pintores durante muito tempo no retrato dos leitores: mostrar pessoas num estado da mais profunda intimidade não destinada a outros».

Vale a pena fazer o percurso por pinturas, fotografias e desenhos que, do século XIII ao XXI, reflectem a relação das mulheres com os livros, através dos quais elas se apropriaram de “conhecimentos e experiências que não lhes eram destinados“, como se lê por lá.

A obra divide-se em seis capítulos – por ordem, as “leitoras abençoadas”, as “leitoras fascinadas”, as “autoconfiantes”, as “sentimentais”, as “apaixonadas” e as “solitárias”.
Reúne imagens de mulheres que lêem… seria a afirmação simples.
E ler conjuga-se como existir, penso.Por isso, o livro que refoca leituras, na inseparabilidade da vida e da arte, é representativo do poder e do triunfo do livro, da arte e da vida.

Há, no entender este livro à luz da breve história da leitura, um olhar sobre a história da cultura. E é fácil verificar o silêncio sobre a mulher foi votada ao longo dos tempos, o que permite integrar a noção de «leitura perigosa», a partir da evolução histórica, social, cultural.

Bollman explica, por outro lado, que as mulheres que aprendiam a ler (referindo-se aos finais do século XVII) eram, na época, consideradas perigosas:
Uma mulher que lê em silêncio cria um vínculo com o livro e foge ao controlo da sociedade e da comunidade que a rodeia“, pois “começa a criar a sua própria visão do mundo que não corresponde necessariamente à da tradição” o que “abre a porta que conduz à liberdade“.

A Quetzal tem razão quando descreve “Mulheres que lêem são perigosas” como “uma homenagem ao poder libertador da leitura e uma reflexão acerca do papel que esta tem assumido ao longo dos tempos“.

Pretexto para ir buscar a «História da Leitura» em que não pego há uns anos, e reler… e trá-lo-ei aqui, depois.