enlutados

A Enfermagem Portuguesa perdeu, esta madrugada, um dos seus ícones, uma das maiores figuras de referência.

Não é a notícia da sua morte que faz reconhecer o seu contributo. Mas é o que nos confronta com a perda real, com a certeza de não podermos voltar a falar com ela e faz emergir o desejo de honrar a sua memória.

Emília Maria da Costa de Macedo.

Não fui sua aluna na escola, mas podia bem ter sido. Sou sua aluna no ser enfermeira e pensar a profissão.

Conheci-a nos meados de 80, era eu uma gaiata na profissão.
Senhora de gentil modo de estar, que como me disse, deve lutar-se «muito mas com punhos de renda».
Sempre preocupada com os outros, com os estudantes, com as condições da escola e das enfermaria-escola.
Precursora na formação de muitos temas inovadores em Portugal, e dos contactos para virem enfermeiras de outros países, para se abrirem os horizontes ao mundo.
Para quem a conheceu, eram evidentes a sua afabilidade, a simplicidade, o empenhamento, a gentileza, a inteligência lúcida, o bom senso… a paciência.
E uma visão extraordinária da dignidade da Enfermagem, do estatuto científico, da formação ética e elevado nível cultural que importava proteger.
Durante muitos anos, décadas, Costa de Macedo foi professora e directora da então Escola de Enfermagem de Artur Ravara, presidiu à Associação Católica de Enfermeiros e Profissionais de Saúde, dirigiu a Revista Servir.

Qualquer nota biográfica dirá do seu percurso profissional.
O que a História marcará é o seu contributo para a emancipação profissional, para o desenvolvimento científico, para a elevação cultural e social, da profissão que amou e escolheu bem servir.
O que só as pessoas podem dizer é da influência positiva que ela teve em muitas vidas – eu sou uma delas.

(foto do Infirmus, obrigada MV)

3 thoughts on “enlutados

  1. Faz-nos falta, faz falta à enfermagem, a senhora enfermeira Costa Macedo. Ficamos com ela, por via do seu legado e ficamos com a responsabilidade de manter vivo o seu trabalho pela enfermagem.
    Em tempo de perda, devemos pensar o que com ela ganhamos, enqanto ela descansa em paz.

    SD

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  2. Emoção foi o sentimento que emergiu ao ser confrontado com a notícia da morte da “minha” professora.
    Já há alguns anos tinha percebido a felicidade que tive, enquanto enfermeiro, de ter sido seu aluno.
    E a admiração acentuava-se porque ao fim destes 25 anos ela continuava a lembrar-se do meu nome.
    Para além da obra que fica, compete-nos também a nós, enfermeiros, perpetuar o seu Nome.
    RG

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