# 33 – citações, máximas e aforismos












Citar é referir (ao caso, transcrever) um excerto, em apoio ao que se quer dizer ou ao que se afirma. Citação é um texto citado, seja qual for a natureza do extracto. Usá-la é ir buscar a outros, recorrer a quem antes pensou e escreveu.

Máxima tem o traço de sentença moral breve. Usa-se também como sinónimo de princípio básico, de aforismo, de pensamento, de apotegma. E tem a característica de obedecer à gramática (não transgride o modelo gramatical, não permite a omissão).

Aforismo é uma sentença lacónica, de expressão curta, com máximo apuramento, que encerra em poucas palavras um princípio moral, e faz a ligação ou o contacto entre o filosófico e o literário. Pode aparecer como afirmação política, moral, filosófica, literária – apresentando um ideal de sabedoria. Em poucas palavras “explica e compreende a essência das coisas”

Apotegma (esta é uma palavra nova para mim…) Frase breve de carácter aforístico, geralmente de alcance universal. O apotegma aparece quase sempre com linguagem figurativa e na forma de uma máxima ou
sentença. Distingue-se do aforismo e do provérbio por ser mais prático e focalizado; a autoria do apotegma é também, regra geral, reservada a figuras notáveis da cultura, ao passo que o aforismo e o provérbio podem ter origem popular.

Lema é uma proposição que serve de emblema, de divisa.
Adágio, provérbio, ditado e refrão… têm origem popular (vox populi).
Há um fundo didático-filosófico-moralizante que serve de fio condutor. Em síntese, no global, uso pensamento, que agrega as diferentes expressões na intenção que as une.

André Gide afirmava que “todas as coisas já estão ditas, mas como ninguém escuta, é preciso recomeçar sempre“. Cito-o, para me recordar – e a citação é uma lembrança também.
Schlegel considerava que “um fragmento tem de ser como uma pequena obra de arte, totalmente separado do mundo e perfeito e acabado em si mesmo como um porco-espinho“. Porque há algo em algumas citações que incomoda, que espicaça.

Vejo o pensamento-citação como uma espécie de reconhecimento e de agradecimento, assim como uma peça de um mosaico que pode inspirar. Lucrécio afirmava que “nada pode ser criado a partir do nada“. Por isso, trata-se de ir buscar coisas, para construir com elas. A citação (seja máxima, aforismo, lema…) leva-nos a um livro, a um lugar, a uma vivência, a um tempo. Desafia-nos, ensina-nos, possibilita.

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