época de festa…

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Natal é, tradicionalmente, uma época de festa – respeitante a nascimento. Genericamente, o dia em que nascemos é o nosso natal; a terra onde nascemos é a «terra natal». endo uma festa religiosa para muitos, ligada ao nascimento de Jesus Cristo, a verdade é que parece comemorar-se por laicos, agnósticos e religiosos (com o devido respeito para alguns grupos que não comemoram mesmo o Natal) e há muito mais séculos do que como Natal cristão.

Para os mesopotâmios, o Ano Novo representava uma grande crise, um combate entre Marduk, o principal deus, e os monstros do caos que tinham de ser derrotados para se preservar a continuidade da vida na Terra. O Zagmuk, um festival de Ano Novo durava 12 dias e era realizado para ajudar Marduk na sua batalha («os 12 dias» levam de 25 de Dezembro ao Dia de Reis… curioso!)

A Mesopotâmia inspirou a cultura de outros povos, naturalmente. Como a dos gregos que celebravam por esta mesma altura a luta de Zeus contra o titã Cronos. Ou como os romanos, na base do festival chamado Saturnalia. No dia 23 de Dezembro dava-se o solstício do inverno, a noite mais longa do ano no Hemisfério Norte – e a data era parte de um ciclo de infertilidade que existia desde o outono. Os dias tornavam-se cada vez mais frios e curtos, até o ponto máximo do solstício. A partir dali, o Sol ia voltar a subir, e o calor ressurgia – no dia 25 de Dezembro, quando já era notória a vitória do dia sobre a noite, eram realizadas grandes festas nas ruas em comemoração do regresso do Sol.

Nessas festas, surgiram grande parte das tradições que mantemos até hoje no Natal. Algumas tribos celebravam ao redor de um pinheiro, uma das árvores mais resistentes ao frio, o que tinha dois significados: além da força, por suportar o rigoroso inverno, a sua forma, apontando para o céu, significava a união dos homens com o Sol. Para representar essa fertilidade que se iniciava, os participantes na festa trocavam presentes entre si, e enquanto dançavam e tocavam, comiam bolos e grãos. Árvores verdes eram ornamentadas com ramos de loureiro e iluminadas por muitas velas para espantar os maus espíritos da escuridão.

Foi só em meados do século IV d.C. que se começou a festejar o Natal cristão, como se sabe, pois a data do nascimento de Jesus foi fixada no dia 25 de Dezembro. Contexto histórico àparte, o Natal foi-se mantendo como festa da família, e a própria palavra significa «nascimento». Por isso, renasça a esperança…

Finalizo com a ideia de Hannah Arendt, que combate o conceito de «homem como ser para a morte» com a esperança de um novo começo e com a afirmação de que os homens se definem como seres natais.
Cada pessoa, sendo singular, é um novo começo em virtude do seu nascimento – é “o nascimento de novos seres humanos e o novo começo a acção de que são capazes em virtude de terem nascido”. Sendo com “palavras e actos que nos inserimos no mundo humano”, agir, no sentido mais geral, é iniciar, imprimir movimento a algo.

Em virtude de termos nascido iniciamos, não alguma coisa mas a nós próprios – “homens que por terem recebido o dúplice dom da liberdade e da acção, podem estabelecer uma realidade que lhes pertence de direito”. Assim se radica o poder-de-começar…

A celebração desta quadra, em todas as nações, nos mais variados modos, tem subjacente um sentido de Natal, que transcende as barreiras da linguagem. De festa da esperança de renascimento e de maior confraternização entre nós.

Nesta época, reconcilie(mo)(nos) conosco, tornemos claro aos que amamos que os amamos, perdoemos(nos) o que não correu bem ou o que foi menos bom, e retemperemos a partir de dentro para a etapa seguinte da vida. Boas Festas e Feliz Natal a CADA DIA.


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8 thoughts on “época de festa…

  1. Alegria minha, Réprobo. Que ando para fazer uns desvios de imagens do «Parárase Fácil», perdão, de «As Afinidades Efectivas». E assim, tenho um pretexto mais presente :).
    Feliz Natal.

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  2. Parece um (re)nascer? (risos). Obrigada, e votos de um Feliz Natal. A cada dia, se possível.
    Beijos.

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