tempo finito

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Se vivêssemos para sempre

qual seria o interesse ou a necessidade de ter atenção aos modos como organizamos e gastamos o tempo? Procurar o seu lugar na vida é-o face à morte. Não apenas porque a morte é certa mas porque tanto é certa para mim como para o Outro. O tempo finito e de morte determinada levar-nos-iam a Montaigne e a Lévinas. Ou a Simone Weil, que as obrigações são porque nos defrontamos connosco e com o Outro na sua finitude.

A ética

enraíza-se no desejo teleológico de procura de uma vida boa. E entre os primeiros passos para tal está a configuração do que é, para cada um, uma vida boa, bem como a representação dos deveres que temos. De Aristóteles (e do telos, do fim, de uma vida boa) chegamos a Kant sem esforço, na tentativa de encontrar normas ou máximas universalizáveis.

Se sigo Riceur,

no entendimento de que se aponta para uma vida boa, com e para os outros, em instituições justas, tal se entretece com a noção compartilhada de que a vida boa também é a de evitação da violência (e aqui caminho para Hannah Arendt). A de majorar o mundo humano, o das relações entre os seres humanos. Ao tempo em que cada vida dura. Não?!

15 – Escrita de estudantes* – de virtudes

“Quando agradecemos, o nosso coração descansa, a nossa mente aquieta-se, relaxamos, partilhamos sentimentos de pura satisfação, felicidade, amor. Ao despertar para a gratidão começamos a sentir-nos gratos por tudo… pelo ar que respiramos, por andarmos, por vermos, ouvirmos, falarmos, vivemos, por encontrarmos pessoas agradecidas… Até por encontrar pessoas ingratas” MP

* “rubrica” para excertos de trabalhos individuais de estudantes, de diversos níveis de ensino, que considero interessante partilhar, assegurando a reserva das fontes) (imagem daqui)

um vídeo entre milhares, mas…

… que me apraz destacar aqui.

Vale a pena relevar que o rapaz do filme – «um dia numa cadeira de rodas» – o fez para um trabalho e para o filme; atravessa livremente, todos os dias, os corredores e os caminhos.

Para um trabalho de uma disciplina, procedeu de outro modo – sentou-se numa cadeira de rodas: e leva-nos com ele, num passeio que alerta. É representante dos que podem ser «apenas» um grupo de estudantes, de uma escola que ainda não tem edifício seu, num curso que olha globalmente a saúde. Não são estas coordenadas que importam – mais do que isso, dão provas de sensibilidade no tratar do assunto, de cidadania e de responsabilidade social. E desafiam-nos, pois se não gostamos de uma realidade, uma coisa nos fica clara: há que a modificar.

modos de olhar a decisão

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A identidade ética tem representações – nas virtudes, nos valores. E se aparecem em actos, é porque e na medida em que se materializam, pois a sua radicação é na interioridade ética mais profunda. Se os pensadores que advogam esta perspectiva tiverem razão, como julgo, posso afirmar que a ligação entre os pensados e os manifestados passa pela decisão.

Podemos pensar a decisão de um modo epistemológico como dispositivo para actualizar o saber, que é «convocada» sempre que se revela necessário produzir um veredicto de aceitação ou de recusa de integração de um facto novo ou de algo que emerge em contexto.

Podemos pensar a decisão de um modo ético, como etapa final de um processo, em que a deliberação assume maior relevo, ponto de chegada sempre que se atravessaram as perspectivas dos valores e se produz um juízo para agir.

No espaço de tensão gerada entre a teoria e a experiência, ou entre o problema e acção que o pretende resolver, a decisão encontra o seu lugar e a função de ser modo de superação, ao serviço do desenvolvimento do saber ou da melhor práxis da acção.

Ao decidir, o investigador desempenha um papel de árbitro entre factos e métodos, numa procura da solução mais conforme bem como a função de produtor (e inventor) de soluções, guiado, como afirma Perelman, por exigências de simplicidade, economia do pensamento, fecundidade, regularidade e generalidade.

Ao decidir, a pessoa escolheu uma possibilidade entre outras, tomando aquela como mais adequada, relevante. pertinente e profícua. Os actos que realiza decorrem dessa decisão, que foi procurando estruturar-se em torno da melhor resolução possível de um problema e de um julgamento relativo a valores.

Neste processo de pensar, chego à conclusão (provisória, como sempre) que a decisão, tanto em termos éticos como epistemológicos, desempenha papel análogo. Em ambos os domínios, a estrutura das proposições e dos processos é algo em permanente construção, o que convoca necessariamente uma decisão humana casuística e ajustada – e a assunção dos riscos que lhe estão associados, em termos de razoabilidade e eficácia, compreensibilidade e justeza.

Parece consistente?!

Pensamento do dia

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Um amigo é fruto de uma escolha. (…)
É a consciência clara e permanente de algo sublime
que não está na natureza das coisas perecíveis.
É um tesouro sem preço, um gostar sem distância,
de alguém presente em nosso caminho, nas horas de dúvida, de alegria,
valioso demais para ser perdido, importante demais para ser esquecido.
Saint-Exupéry