Pensamento do dia

Lembre-se que a resposta de ontem pode não ter nada a ver com o problema de hoje.

D. Ward

 

Anúncios

hoje e amanhã

Participação e cidadania são atitudes (muito mais do que palavras) importantes.

Hoje e amanhã decorre o Parlamento dos Jovens,com a participação de 120 jovens deputados eleitos em todos os distritos, Regiões Autónomas e círculo Fora da Europa para debater, em quatro Comissões, o tema “União Europeia: participação, desafios e oportunidades”. No dia 29, às 10 horas, os jovens reúnem-se em Sessão Plenária na Sala do Senado onde apresentarão perguntas aos Deputados da AR e aprovarão a sua Recomendação, a nível nacional, sobre o tema.”

“Este programa, organizado pela Comissão Parlamentar de Educação em colaboração com outras entidades, tem como objectivo promover a educação para a cidadania, estimulando nos jovens o interesse pela participação cívica e pelo debate de temas da actualidade.
Os temas escolhidos para as sessões do Parlamento dos Jovens, que decorrerão em 2008, são a “União Europeia: participação, desafios e oportunidades”, para os alunos do ensino secundário, e “Energias alternativas e preservação do ambiente”, para os alunos do ensino básico.” (fonte: ME)
Da mobilização das escolas à eleição dos «deputados» e à sessão no Parlamento, o todo terá, no mímino, o ganho dos mais jovens conhecerem melhor os processos e estimular à participação como cidadãos, preparando os assuntos e formulando opiniões fundamentadas.

Discutir futuro…

… numa fase complexa e crítica, em que as IES (instituições de ensino superior) discutem os Estatutos (que alguns já terminaram), considero muito adequado que se abra à discussão da comunidade académica, o que vão sendo as reflexões da Assembleia Estatutária.

Gosto de pensar que não se trata, simplesmente, de redigir uns estatutos – tal poderia ser encomendado a um jurista, por exemplo. Trata-se de discutir visão estratégica e organizacional, de construir e discutir futuro. Por isso, os processos são tão importantes como o resultado. Ou mais importantes, se permitirem a disseminação da discussão.

Naturalmente, participa quem quer mas «isso» é do costume. E uma das possibilidades é sempre a da avestruz. Todavia, para quem quiser dizer de sua justiça, nesta IES, abre-se à discussão, quer em texto, quer em sessões públicas nas Escolas.

livros e leituras

Da experiência nas aulas, os pecados parecem, habitualmente, interessantes – ou melhor, há sempre interesse em debater os 7 pecados capitais e aqui S. Tomás de Aquino fica muito actual. Citámos um post colocado com um texto sobre a inveja – sempre no horizonte: virtudes e pecados – e em 2005, estava no rol de pecados capitais, num exercício que aqui fizemos.

O que tem a inveja de especial? é algo sombrio, que se procura esconder – a palavra de raíz é “invidia” que significa «olhar enviesado, de soslaio». Basta o sucesso de alguém para a despertar. O invejoso presta muito atenção ao que os outros fazem ou deixam de fazer – para falar mal de tudo e de todos e por todo e qualquer motivo. Naturalmente, encontra sempre uma forma de depreciar, de desvalorizar. E é dramático porque não há forma de agradar a um invejoso – a não ser apagando-se! O impulso e o comportamento de quem inveja, é de querer retirar ou estragar o que é desejável – e, bem vistas as coisas, é do outro.

Costumo contar aos estudantes que, como os outros pecados (capitais, de «kaput», de serem a cabeça e virem adiante) a inveja tem um cortejo que a acompanha, as filhas. Descritas no livro (cuja capa se apresenta) como sendo “bisbilhotice, maledicência, contentamento pela adversidade, aflição pela prosperidade” (p. 50-51). Habitualmente, falo da sussuratio – murmúrio maledicente, que em alguns sítios do país se diz coscuvilhice e, noutros, bilhardice. Temos de prestar atenção e não ceder à tentação de dizer mal – pode bem ser fruto da inveja.

A inveja: um comportamento esquecido nas organizações

Manifestações da inveja nos relacionamentos interpessoais no contexto organizacional

Inveja e competição profissional

Gestão educacional: discutindo inveja nas organizações

Nada melhor para “transcender a inveja” (afirma De Vries) do que a alegria pelo sucesso do Outro, regozijar-se com, ficar contente pelo bem.

O pensar e o agir

O Pensar é faculdade e actividade do espírito – já o Agir, para Arendt, pertence ao espaço da aparência, marcado pela participação dos homens e que supõe convivência, através de uma “teia de relações”.

O pensamento tem um efeito corrosivo sobre os critérios estabelecidos, os valores, os padrões para o bem e para o mal, em suma, sobre os costumes e as regras de conduta com que lidamos. Em sentido inverso, a ausência de pensamento permite a adesão “a tudo o que as regras de conduta possam prescrever numa determinada época para uma determinada sociedade”.

Entre o Pensar e o Agir, interpõe-se o Querer – a vontade, compreendida como o “nosso órgão espiritual para o futuro”. Di-lo ela:

“Toda a volição, ainda que seja uma actividade do espírito, relaciona-se com o mundo das aparências no qual o seu projecto deve realizar-se; em contraste flagrante com o pensamento, nenhum querer jamais se faz por si mesmo ou encontra satisfação na própria actividade. Qualquer volição não somente envolve particulares como também – e isto é de grande importância – anseia pelo seu próprio fim, o momento em que o querer algo se terá transformado em fazê-lo”.

O agir, portanto, comporta imprevisibilidade. Significa que do homem “se pode esperar o inesperado, que ele é capaz de realizar o infinitamente improvável”.

Quanto ao pensar, dir-se-á que é perigoso (os gregos diriam subversivo) pelo desejo de encontrar resultados, porque o que tinha sentido no domínio do pensado se dissolve se queremos aplicar ao quotidiano; porque não origina nenhum credo mas traz a desordem às cidades, diz Arendt, pois “de cada vez que estamos confrontados com alguma dificuldade da vida temos de partir do zero”.

Face aos perigos de não pensar, “a vida privada de pensamento seria sem sentido, ainda que o pensamento nunca torne sábios os homens ou lhes dê as respostas para as perguntas do seu próprio pensamento”.