FWN

Se tivesse liberdade de escolher

Escolhia um bom cantinho

Mesmo no meio do Paraíso:

Melhor ainda, cá fora, em frente à Porta!

Nietzsche

O desafiador por excelência. Friedrich Wilhelm Nietzsche, de nome inteiro e ar formal. Senhor dos aforismos e de breviários de citações.

Com uma visão crua da educação e dos educadores – “A educação procede geralmente dessa forma: procura determinar no indivíduo, com uma série de estímulos e de vantagens, uma maneira de pensar e de agir que, tornada por fim hábito, instinto e paixão, dominará nele e sobre ele, contra seus interesses superiores, mas ‘em benefício de todos’”

D-escritor de uma das mais controversas definições de verdade: “O que é a verdade, portanto? Um batalhão móvel de metáforas, metonímias, antropomorfismos, enfim, uma soma de relações humanas, que de forma enfatizadas poética e retoricamente, transpostas, enfeitadas, e que, após longo uso, parecem a um povo sólidas, canônicas e obrigatórias: as verdades são ilusões, das quais se esqueceu que o são, metáforas que se tornaram gastas e sem força sensível, moedas que perderam sua efígie e agora só entram em consideração como metal, não mais como moedas.”

A fazer a apologia do esquecimento – “Não poderia haver felicidade, jovialidade, esperança, orgulho, presente, sem o esquecimento”.

Colocando o cepticismo e a determinação, juntos – “Eu jamais iria para a fogueira por uma opinião minha, afinal, não tenho certeza alguma. Porém, eu iria pelo direito de ter e mudar de opinião, quantas vezes eu quisesse.”

E a provocação, de sarcasmo e jocoso, de insulto – “Em algum remoto rincão do universo cintilante que se derrama em um sem-número de sistemas solares, havia uma vez um astro, onde animais inteligentes inventaram o conhecimento. Foi o minuto mais soberbo e mais mentiroso da ‘história universal’: mas também foi somente um minuto. Passados poucos fôlegos da natureza congelou-se o astro, e os animais inteligentes tiveram de morrer. – Assim poderia alguém inventar uma fábula e nem por isso teria ilustrado suficientemente quão lamentável, quão fantasmagórico e fugaz, quão sem finalidade e gratuito fica o intelecto humano dentro da natureza.”

E, finalmente por hoje, desafios do abismo – “A alma, em sua essência diz a si mesma: ninguém poderá construir a ponte que você em particular terá de atravessar sobre o rio da vida – ninguém além de você mesmo. Evidentemente existem inúmeros caminhos e pontes e semideuses prontos para o transportar através do rio, mas somente ao preço do seu próprio ser. Em todo o mundo, existe um único caminho que ninguém além de você poderá tomar. Para onde leva? Não pergunte, apenas siga-o. Quanto antes alguém diz: Eu quero permanecer eu mesmo, mais cedo descobre que a decisão é atemorizante. Agora ele terá de descer às profundezas da sua existência”.

E a beleza das metáforas – “É necessário ter o caos cá dentro para gerar uma estrela…”

livros e leituras

“Chamo ética à convicção revolucionária e, ao mesmo tempo, tradicionalmente humana de que nem tudo vale por igual, de que há razões para preferirmos um tipo de acção a outros, de que essas razões surgem precisamente de um núcleo não transcendente, mas imanente ao homem, e situado para além do âmbito coberto pela pura razão; chamo bem ao que o homem realmente quer, e não ao que simplesmente deve ou pode fazer, e penso que ele o quer por ser o caminho da maior força e do triunfo da liberdade. Não quereria que, deste livro, o leitor tirasse quatro ou cinco dogmas, nem tão-pouco um código, mas um autêntico alento: porque a ética ocupa-se do que alenta o homem e no homem.” (p. 14)

“A pergunta radical em torna da qual gira a ética não é: “Que devo fazer?”, pois, para além dela, poderá sempre perguntar-se, como fazia Wittgenstein: “E que acontecerá se não fizer o que devo?” ou talvez: “Porque devo eu fazer o que devo?”. O dever não é a última palavra ética, uma vez que também ele terá de ser, por seu turno, fundado (…) há uma pergunta para além da qual deixa de ser possível seja como for continuar e na qual a ética assenta com toda a sua firme fragilidade: Que quero fazer? É do meu querer essencial, não de um querer parcial ou coisificado, mas do querer que radicalmente me constitui, que têm de brotar as minhas normas e os meus valores. O meu querer é o meu dever e a minha possibilidade: o dever é o que o querer funda; a possibilidade, o que o querer descobre.” (p. 30-31)

E assim, com um texto aparentemente simples, Savater põe Kant em causa… vale a pena ler…

recursos

Um recurso muitissimo interessante, que chegou ao meu conhecimento:

Jornalismo 2.0 Como sobreviver e prosperar. Um guia de cultura digital na era da informação.

Feito para jornalistas, tem muita informação a começar do básico, de ferramentas, de audio e podcasting, de reportagens e vídeos, numa utilização ampliada do computador.

Mas não nos deixemos iludir pelo título. Basicamente, o texto (em português também) é um Guia para a Literacia digital…

p. 10 – Um mar tranquilo não faz um bom marinheiro

Este é um livro sobre pessoas, e não sobre tecnologia. Com certeza, há muita tecnologia nas páginas a seguir, mas na essência o que vamos encontrar aqui são pessoas tentando desenvolver suas habilidades dentro de um cenário novo e imprevisível. E são elas que importam, não o software mais recente ou o Web site. Se as pessoas conseguirem aprender como fazer a tecnologia trabalhar a seu favor, o resto é apenas detalhe.

Como jornalistas, precisamos mudar nossas práticas para nos adaptarmos, mas não nossos valores. Somos como os marinheiros do provérbio inglês que escolhi para título desta introdução: nem o desejo de retornar a mares tranqüilos pode acalmar a água à nossa volta.
Seguindo ainda a metáfora da navegação: é hora de navegar conforme o vento. É hora de reorientar nosso navio e deixar que o vento que sopra nesse novo mar trabalhe a nosso favor, e não contra nós.
Vamos usar as melhores práticas desenvolvidas por outros jornalistas para sinalizar o caminho. Vamos tomar como ponto de partida o trabalho criativo e inovador desenvolvido pelos jornais, estações de rádio e televisão e web sites dos Estados Unidos. Podemos aprender bastante com todas essas experiências.
Como Benjamim Franklin já dizia, “quando você pára de promover mudanças, você está
acabado”.

(obrigada, CC)

Queima, em mote do dia

Queima das Fitas, no último domingo de Maio – em Setúbal, pois claro. Nem vou contar a história da queima das fitas, já contada e que pode ser lida aqui. As fitas que antes serviam para atar os livros, hoje representam, para os quartanistas fitados, a etapa do finalizar do Curso.

Por mais antiga que seja, e ainda que a situem em meados do século XIX,  na tarde de hoje, para a 3ª Escola a queimar, esta foi a quinta Queima.

Motivo de alegria, de festa, de padrinhos e afilhados.  De pensar nos percursos e nos legados, de passarem palavra aos caloiros e de firmarem tradição e estilo. Pretexto de reencontro para os graduados que regressam, no dia da Queima. Dia de os ver quase a partirem, de chegar perto de um fim que marcará novos  inícios.