# 39 – em jeito de glossário (I): categorização e taxonomia

Pode ajudar a estabelecer diferenças. Por exemplo, entre classificações, taxonomias e ontologias.

Categorização – processo pelo qual as ideias e objectos são reconhecidos, diferenciados e classificados. Em linhas gerais, consiste em organizar os objectos de um dado universo, em grupos ou categorias com um propósito específico. Há inúmeras teorias e técnicas de categorização que, numa perspectiva histórica mais ampla, se podem sintetizar em três abordagens: clássica, por conceitos e de protótipos.

Categorização clássica, agrupa objectos baseados na semelhança de suas propriedades (Platão, Aristóteles). Pressupõe que as categorias são entidades discretas, caracterizadas por um conjunto de propriedades compartilhadas por seus membros. Adicionalmente, as categorias devem ser claramente definidas, mutuamente exclusivas e colectivamente exaustivas. Desta forma, qualquer objecto do universo de classificação deve pertencer inequivocamente a uma, e somente uma, das categorias propostas.

Agrupamento por conceitos, ligada à representação do conhecimento – classes, clusters ou entidades são geradas pela formulação das suas descrições conceituais, seguida da classificação das entidades à luz destas descrições; intimamente relacionado à teoria de conjuntos difusos ou “fuzzy sets”, na qual onde os objectos podem pertencer a um ou mais grupos, em graus diferenciados de pertinência.

Teoria dos protótipos – o processo de agrupamento baseia-se em protótipos (membros mais típicos de uma categoria), uma vez que critérios necessários e suficientes para a definição precisa de categorias são raramente encontráveis no mundo real. Esta visão sustenta que sistemas conceptuais de categorias não existem objectivamente no mundo real, mas estão enraizados nas experiências pessoais e colectivas. Desta forma, as categorias conceituais diferem de cultura para cultura e mesmo entre indivíduos de mesma cultura.

Taxonomia – ciência de identificar e classificar. Inicialmente associada a organismos vivos e depois alargada a classificação de coisas ou aos próprios princípios subjacentes da classificação. Quase tudo – objectos animados, inanimados, lugares e eventos – pode ser classificado de acordo com algum esquema taxonómico. A taxonomia dos objetivos educacionais de Bloom é uma estrutura de organização hierárquica de objectivos educacionais. Cada um dos três domínios tem diversos níveis de profundidade – por isso a classificação de Bloom é denominada taxonomia: cada nível é mais complexo e mais específico que o anterior.

Taxonomies: a controlled vocabulary organized into a hierarchical structure. There might be more then one parent-child relationship in a taxonomy (es. whole-part, broader-narrower, genus-species, type-instance). In some cases, a term can have multiple parents so the term can occur in different places of the taxonomy (however, it must have the same children everywhere)

Na Filosofia, alguns afirmam que a mente humana organiza naturalmente seu conhecimento do mundo em tais sistemas. Esta visão é baseada frequentemente na epistemologia de Kant.

Na Biologia, aparece ligada à sistemática (estudo da diversidade das características dos organismos vivos). Os grupos taxonómicos mais importantes, e de mais corrente uso, são: Família, Género e Espécie, sendo de salientar que podem ainda existir subdivisões em todos estes grupos. Trata-se da taxonomia científica mais famosa e utilizada.

Na Antropologia defende-se que as taxonomias são inerentes à cultura local e aos sistemas sociais, servindo a várias funções sociais. Um dos estudos mais conhecido e mais influente de taxonomias populares considera-se ser o The Elementary Forms of Religious Life de Emile Durkheim. Mas também não estaremos errados se considerarmos Totemism e The Savage Mind de Levi-Strauss. Distinguem-se as taxonomias populares das taxonomias científicas, que sustentam a dissociação das relações sociais e assim chegar ao objectivo e ao universal.

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