Pensamento do dia

Todas as misérias verdadeiras são interiores e causadas por nós mesmos. Erradamente, julgamos que elas vêm de fora, mas nós é que as formamos dentro de nós, com a nossa própria substância.

Anatole France

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Ensino de Enfermagem

O sistema de ensino superior em Portugal é um sistema binário, composto pelo subsistema universitário e pelo subsistema politécnico (assim o define, entre outras, a Lei de Bases do Sistema Educativo).

Sabe-se que este sistema binário admite a figura de incluir escolas do politécnico no subsistema universitário, que não passam a ser universitárias por isso.

É o caso das escolas do subsistema politécnico “integradas” nas Universidades de Aveiro, do Minho, de Évora, do Algarve, da Madeira e dos Açores), podendo chegar-se ao facto de uma Universidade ter mais estudantes do subsistema politécnico do que do universitário.

Há uns anos, chamou-se a atenção para o «professional drift» das universidades – e a «deriva profissional» tinha uma correspondente «deriva académica» nos politécnicos.

Não é que não compreenda a diferente natureza da formação – isso, em meu entender, não tinha de a colocar em separado, dentro do ensino superior.

E repense, quem usa, o argumento de que o ensino é de natureza mais conceptual nas universidades e mais teórico-prática ou profissinal nos politécnicos – que aí, levando o argumento ao limite, desafiar-se-iam as profissões do universitário a mudar para o politécnico (pois, Medicina, Direito, Arquitectura, Engenharia, Ciências Farmacêuticas, etc…)

Pelo argumento das naturezas diferentes das formações que justifica o binário, poder-se-ia querer antes um sistema quaternário – que as Artes, Teatro e Cinema não são realmente da mesma natureza, nem o Desporto.

Ainda que aceitando (que remédio!) o sistema instalado dos dois subsistemas, interrogo a seguir onde está a minha área.

No que respeita à Enfermagem, está inserida no politécnico desde 1988, altura em que integrou o sistema de ensino nacional. Existem 42 cursos de oferta formativa de nível pré-graduado (1º ciclo) no país inteiro, dois 2º ciclos adequados a Bolonha (UCP e ICBAS) e 3 doutoramentos (UCP-ICS, UL e UP-ICBAS).

Perfilho a convicção de que deveria ter sido adequado ao 2º ciclo, na formação inicial.
E até que às Escolas Superiores de Saúde/ de Enfermagem – leia-se do subsistema politénico – seja autorizado realizar autonomamente (sem ser em protocolo, consórcio ou convénio com universidade) o 2º ciclo, a capacidade da adequação a Bolonha para potenciar desenvolvimento continua muito por provar.
Para onde vamos?
Para onde queremos ir?
(magem aqui)

(re)Leituras

“O estudante, habituando-se, durante cinco anos, a decorar todas as noites, palavra por palavra, parágrafos que há quarenta anos permanecem imutáveis, sem os criticar, sem os comentar, ganha o hábito salutar de aceitar sem discussão e com obediência as ideias preconcebidas, os princípios adoptados, os dogmas provados, as instituições reconhecidas. Perde a funesta tendência – que tanto mal produz – de querer indagar a razão das coisas, examinar a verdade dos factos; perde, enfim, o hábito deplorável de exercer o livre exame, que não serve senão para ir fazer um processo científico a venerandas instituições, que são a base da sociedade. O livre exame é o princípio da revolução. A ordem o que é? A aceitação das ideias adoptadas. Se se acostuma a mocidade a não receber nenhuma ideia dos seus mestres sem verificar se é exacta, corre-se o perigo de a ver, mais tarde, não aceitar nenhuma instituição do seu país sem se certificar se é justa. Teríamos então o espírito da revolução, que termina pelas catástrofes sociais!”

O Conde de Abranhos, Eça de Queiroz, (1879).

Poesia, sempre…

Through many countries and over many seas
I have come, Brother, to these melancholy rites,
to show this final honour to the dead,
and speak (to what purpose?) to your silent ashes,
since now fate takes you, even you, from me.
Oh, Brother, ripped away from me so cruelly,
now at least take these last offerings, blessed
by the tradition of our parents, gifts to the dead.
Accept, by custom, what a brother’s tears drown,
and, for eternity, Brother, ‘Hail and Farewell’.

Catullus

Depois de transpor muitos povos e muitos mares,
eu chego, irmão, a estas tristes exéquias
para trazer-te a derradeira oferenda fúnebre
e falar, mas em vão, à tua cinza muda,
já que a Fortuna, ai!, me separou de ti mesmo
e indignamente te arrebatou de mim.
Agora, porém, conforme à velha tradição
dos antepassados, aceita a magoada
oferenda fúnebre regada de fraterno
pranto, e para sempre, irmão, 'adeus e salve'.

Caio Valério Catulo
textos e a tradução do poema já traduzido

uma década, renovável…

Tive de ler duas vezes, que à primeira não me pareceu ter percebido. “A cedência da Casa dos Bicos para a instalação da Fundação José Saramago”. E o Expresso refere mais dados. “Acordo entre a fundação e a Câmara de Lisboa para a cedência da Casa dos Bicos foi assinado ontem (17 de Julho) em Lisboa, no dia a seguir a ter sido aprovado em reunião do executivo municipal.”

Que rápidos! E com tantos problemas por resolver, este nem esperou dois dias…

Saramago comprometeu-se a “honrar a Casa dos Bicos com trabalho, com espírito de iniciativa, com vistas largas” e afirmou que um dos objectivos centrais da fundação com o seu nome é a promoção dos Direitos Humanos.

Pode ser que sim, nem vou duvidar. Direitos Humanos, Ambiente, Literatura. Claro que ao ler que Saramago disse: “É uma fundação ‘sui generis’ que não vai fazer o que em princípio seria a sua vocação: pegar no seu patrono, colocá-lo em ombros e passeá-lo pelo mundo”, me permito sorrir.

À maneira medieval, a cair para o escárnio. Ou a ponderar as ironias: cede-se um monumento nacional a uma fundação privada e a um defensor da federação ibérica. Está certo….

Afirma-se que os comerciantes da zona ficaram satisfeitos. E também que a Casa dos Bicos é um “espaço à altura do Nobel”.

Permito-me discordar, mas é uma opinião pessoal. A Casa dos Bicos tem quase 500 anos, sobreviveu parcialmente ao terramoto de Lisboa, veio pelos anos 70 como armazém e sede de comércio de bacalhau. Nos anos 80, foi reconstruída e tornou-se local de exposições. Desde ontem, cedida à Fundação José Saramago – e a servir, no futuro, para a biblioteca do próprio – por dez anos, renovável…

(imagem aqui)

à procura de eBooks para as férias?

Dei de caras com a lista – e colocar alguns, com o devido agradecimento, há-de fazer aqui voltar algumas vezes…

A Brasileira de Prazins -Camilo Castelo Branco
A Carta de Pero Vaz de Caminha -Pero Vaz de Caminha
A Causa Secreta -Machado de Assis
A chave -Machado de Assis
A Chinela Turca -Machado de Assis
A Cidade e as Serras -José Maria Eça de Queirós
A Comédia dos Erros -William Shakespeare
A Confissão de Lúcio -Mário de Sá-Carneiro
A Dama das Camélias -Alexandre Dumas Filho
A Dança dos Ossos -Bernardo Guimarães
A Desejada das Gentes -Machado de Assis
A Desobediência Civil -Henry David Thoreau
A Divina Comédia -Dante Alighieri
A Esfinge sem Segredo -Oscar Wilde
A Herança -Machado de Assis
A Ilustre Casa de Ramires -José Maria Eça de Queirós
A Mão e a Luva -Machado de Assis
A Mensageira das Violetas -Florbela Espanca
A Metamorfose -Franz Kafka
A Princesa de Babilônia -Voltaire
A Relíquia -José Maria Eça de Queirós
A Sereníssima República -Machado de Assis
A Tempestade -William Shakespeare
A Tragédia de Hamlet, Príncipe da Dinamarca -William Shakespeare
A Volta ao Mundo em 80 Dias -Júlio Verne
Alma Inquieta -Olavo Bilac
Amor de Perdição -Camilo Castelo Branco
Antigona -Sofócles
Antologia -Antero de Quental
Antônio e Cleópatra -William Shakespeare
Ao Entardecer (contos vários) -Visconde de Taunay
Aos Vinte Anos -Aluísio de Azevedo
Arte Poética -Aristóteles
As Viagens -Olavo Bilac
Auto da Alma -Gil Vicente
Auto da Barca do Inferno -Gil Vicente
Béatrix -Honoré de Balzac
Cancioneiro -Fernando Pessoa
Canções e Elegias -Luís Vaz de Camões
Cândido -Voltaire
Charneca Em Flor -Florbela Espanca
Cícero -Plutarco
Conto de Inverno -William Shakespeare
Contos -José Maria Eça de Queirós
Coração, Cabeça e Estômago -Camilo Castelo Branco
Crime do Padre Amaro -José Maria Eça de Queirós
Do Livro do Desassossego -Fernando Pessoa
Don Quixote. Vol. 1 -Miguel de Cervantes Saavedra
Don Quixote. Vol. 2 -Miguel de Cervantes Saavedra
Édipo-Rei -Sófocles
El Arte de la Guerra -Sun Tzu
Elixir da Longa Vida -Honoré de Balzac
Fausto -Johann Wolfgang von Goethe
Hamlet -William Shakespeare
Iliada -Homero
Iluminuras -Arthur Rimbaud
Júlio César -William Shakespeare
Livro de Mágoas -Florbela Espanca
Livro De Sóror Saudade -Florbela Espanca
Livro D’ele -Florbela Espanca
Livro do Desassossego -Fernando Pessoa
Macbeth -William Shakespeare
Mensagem -Fernando Pessoa
O Crime do Padre Amaro -José Maria Eça de Queirós
O Guardador de Rebanhos -Fernando Pessoa
O Mercador de Veneza -William Shakespeare
O Primo Basílio -José Maria Eça de Queirós
Odisséia -Homero
Os Dois Cavalheiros de Verona -William Shakespeare
Os Lusíadas -Luís Vaz de Camões
Os Maias -José Maria Eça de Queirós
Poemas de Álvaro de Campos -Fernando Pessoa
Poemas de Fernando Pessoa -Fernando Pessoa
Poemas de Ricardo Reis -Fernando Pessoa
Poemas em Inglês -Fernando Pessoa
Poemas Inconjuntos -Fernando Pessoa
Poemas Selecionados -Florbela Espanca
Poesias Inéditas -Fernando Pessoa
Poética -Aristóteles
Rei Lear -William Shakespeare
Reliquiae -Florbela Espanca
Ricardo III -William Shakespeare
Romeu e Julieta -William Shakespeare
Schopenhauer -Thomas Mann
Sermão da Sexagésima -Pe. Antônio Vieira
Sonetos e Outros Poemas -Manuel Maria de Barbosa du Bocage
Sonetos -Luís Vaz de Camões
Sonho de Uma Noite de Verão -William Shakespeare
Ulysses -James Joyce
Uma Estação no Inferno -Arthur Rimbaud
Utopia -Thomas Morus
Viagens de Gulliver -Jonathan Swift