azul(v)ejo

(Foto Shark)

Azulejo…. uma arte pela qual passamos todos os dias…cruzamos episódios históricos, cenas mitológicas, iconografia religiosa, elementos decorativos de flores e navios, aplicados a paredes, pavimentos e tectos, em palácios, jardins, igrejas, conventos, hospitais…

Esquivo-me a um artigo explicativo ou descritivo sobre o assunto: para isso, remeto para aqui, um post completo, com muitas fontes e roteiro de azulejaria.

“Pequena pedra polida”, mosaico bizantino que se desenvolve em Portugal, de origem islâmica e que atravessou o nosso tempo e história, do século XIV até hoje. Azulejo, que não apenas mas também do azul.E que vale a visita ao Museu Nacional do Azulejo.

Mas igualmente abrir os olhos no dia a dia, “dar por eles” em nosso redor. Azulejos de arte em pedra polida, como os do local onde trabalhei mais de uma década.

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filosofia de ensino

Developing a Teacher Portfolio

What is a philosophy of teaching statement?

A philosophy of teaching statement is a narrative that includes

  • your conception of teaching and learning
  • a description of how you teach
  • justification for why you teach that way

The statement can

  • demonstrate that you have been reflective and purposeful about your teaching
  • communicate your goals as an instructor and your corresponding actions in the classroom
  • provide an opportunity to point to and tie together the other sections of your portfolio

Estão linkadas várias declarações, como esta, de Ciências da Educação.

Lee Haugen sugere que se responda a 4 perguntas:

  • Para quê? Quais são os meus objectivos como professor?
  • Por que meios? Que métodos vou usar para atingir estes objectivos?
  • Até onde? Como avalio o grau de persecução dos meus objectivos?
  • Porquê? Porque estou nesta profissão?

Sugestão oferecida em Aprender e Ensinar.

Agora, que se aproxima a passos largos um novo ano lectivo, é uma boa altura de fazer ou reformular a sua própria filosofia de ser professor e os compromissos associados.

(imagem aqui)

Leituras de(stas) férias

José Barata-Moura, Da Mentira: Um Ensaio – Transbordante de Errores. Editorial Caminho, 2007.

Um estudo sobre a mentira, que percorre, sem dispiciendos e com muitos aportes laterais, textos dos mais intransigentes defensores da verdade, passando pelos que admitem algum grau de mentira necessária ou perdoável, aos que entendem a mentira como categoria estética benéfica e aos que contestam pura e simplesmente a noção de verdade e mentira.

O texto tem umas passagens densas, mas é bem humorado, coloquial, de ir conversando sobre a mentira, no contexto da verdade, e distinguindo de veracidade.Estava à espera de encontrar Hannah Arendt, e a mentira dos «fabricantes de imagens». Mas não a encontrei….

Compreender a mentira não lhe transmuta as misérias e não lhe branqueia a imagem. Obriga, sim, a um melhor temperar dos instrumentos de que dispomos, a que se afinem os dispositivos de um pensar crítico, que não abdica de procurar discernimento e orientação nos diferentes planos e nos meandros da realidade.

Convoca também — porque toda esta questão da mentira nos interpela a todos de um modo descaradamente directo — uma firme mobilização exigente e um vinculado empenhamento,  ético e ontológico, na qualidade que vamos inscrevendo, com pensamentos e acções, no devir histórico da nossa realidade.
Uma leitura interessante, numa altura propícia.

Citando:

“Para Kant, a mentira – para além de desrespeitar a pessoa do outro (a quem se dirige, ou contra o qual é dirigida) na sua humanidade racional, e de, eventualmente lhe acarretar dano ou prejuízo (uma circunstância que decerto importará ponderar, como vimos, no âmbito do Direito, mas que não é genuinamente invocável desde, e para, o campo estrito da ética) – constitui-se, fundamentalmente, como «a maior infracção da obrigação do ser humano para consigo próprio». A mentira representa, assim, pura e simplesmente, um inaceitável tripúdio, um «deitar fora», um «aniquilamento» da dignidade humana, cuja sacra custódia e promoção aos próprios humanos acima de tudo incumbe – designadamente, através e nos institutos do Direito, da Moral e da Política” (p. 123)

“A natureza instrumental da mentira justifica-se no imediato, não através de uma sua iconoclástica apologia exibicionista (indiscrimnada e por atacado), mas pela necessidade de tomar em mão, e de orientar em proveito próprio, os «ventos da fortuna», o intrincado das situações, as contraditórias paixões e móbeis dos humanos” (p. 162).

Leituras de férias

” – Não sei nada sobre Matemática.

– Não sei nada sobre caminhos-de-ferro – replicou SInger.

– Julga que o infinito me interessa?

– Julga que os caminhos-de-ferro me interessam? Se tivermos tempo, é o que teremos de fazer crescer juntos: o meu interesse pelos caminhos-de-ferro e o seu pelo infinito.” (p. 54)

Uma Janela para o Infinito (Villa des Hommes).  Editora Bizâncio, 2008.

Hans Singer, eminente matemático alemão (inspirado em Georg Cantor, que desenvolveu a Teoria dos Conjuntos e trabalho sobre o Infinito) é internado no hospital psiquiátrico após um colapso mental. No mesmo quarto («Villa des Hommes», vivenda 14) é colocado Matthias Dutour, soldado francês, vindo da frente de combate, antigo maquinista de caminhos-de-ferro, de anteriores convicções libertárias.

Em conversas e narrativas de dias, constrói-se a amizade e a relação de mestre e discípulo.

Ficamos a saber que Matthias salvara um soldado alemão que, afinal, o tinha salvo. Que a paixão dos caminhos-de-ferro tinha nascido graças à oferta de “A Besta Humana” de Zola por parte da mãe adoptiva. Percebemos que Singer insiste e investe em trazer Mathias do seu mundo indiferente e de silêncio. Que a aceitação da sua teoria do Infinito e o descrédito, ascensão e queda, a sua imersão nas matemáticas o levou a ter de escolher entre a matemática e os matemáticos.

É ténue o espaço desenhado entre a lucidez e a doença mental, espantosa a proximidade que os diálogos de Guedj conseguem estabelecer. Queira-se ou nem por isso, este livro pode bem ser uma Janela (como o título português considerou) para as infinitas probabilidades da vida…

“Numa estrutura narrativa muito original e habilmente tecida, Denis Guedj aborda, de forma singular e comovente, a temática da loucura e transmite-nos a mensagem de que a Matemática, como a Política, devem estar ao serviço do homem.” (contracapa)