Mês: Fevereiro 2009
excerto do “Livro Branco – Juntos para a Saúde”
610 * Pensamento do dia

Não poríamos a mão no fogo pelas nossas opiniões: não temos assim tanta certeza delas.
Mas talvez nos deixemos queimar para podermos ter e mudar as nossas opiniões.
F. W. Nietzsche
Redondezas… a sul
(foto: AF, cripta arqueológica Alcácer do Sal)
Vinte e seis séculos de história cruzam-se na Cripta Arqueológica do Castelo de Alcácer do Sal.
O subterrâneo escavado no solo e no antigo Convento de Aracaeli oferece uma verdadeira viagem no tempo, numa atmosfera única, onde vestígios da Idade do Ferro convivem no mesmo espaço com estruturas romanas, islâmicas e medievais com intervalos intemporais entre si de mais de 2500 anos.
pinturas e metáforas

“Era uma vez um pintor que tinha um aquário com um peixe vermelho. Vivia o peixe tranquiliamente acompanhado pela sua cor vermelha até que principiou a tornar-se negro a partir de dentro, um nó preto atrás da cor encarnada. O nó desenvolvia-se alastrando e tomando conta de todo o peixe. Por fora do aquário o pintor assistia surpreendido ao aparecimento do novo peixe.
O problema do artista era que, obrigado a interromper o quadro onde estava a chegar o vermelho do peixe, não sabia que fazer da cor preta que ele agora lhe ensinava. Os elementos do problema contituíam-se na observação dos factos e punham-se por esta ordem: peixe, vermelho pintor – sendo o vermelho nexo entre o peixe e o quadro através do pintor. O preto formava a insídia do real e abria um abismo na primitiva fidelidade do pintor.
Ao meditar sobre as razões da mudança exactamente quando assentava na sua fidelidade, o pintor supôs que o peixe, efectuando um número de mágica, mostrava que existia apenas uma lei abrangendo tanto o mundo das coisas como o da imaginação. Era a lei da metamorfose.
Compreendida esta espécie de fidelidade, o artista pintou um peixe amarelo.”
Herberto Helder – Os passos em volta. Assirio & Alvim
efeméride do dia: Baden-Powell

A 22 de Fevereiro, em Londres, nasceu Robert Stephenson Smyth Baden-Powell, mais conhecido por Baden-Powell, fundador do escutismo.
A flor-de-lis é o símbolo do escutismo mundial, utilizada nas cartas náuticas, representando o norte com a ponta, assim como uma rosa dos ventos.
A saudação escutista é feita com a mão esquerda, pois um chefe de uma tribo indígena estendeu a mão esquerda a Baden-Powell, com o argumento de que para tal ele tem de largar o escudo, depositando confiança no outro, mesmo que este seja seu adversário.
Há muitos sites com a sua biografia. Destaco o famoso uso do chapéu que começou a usar na guerra dos Matabeles, povo indigena que o inititulou «Impisa», “o lobo que não dorme”.
Poesia, sempre…. “Um rio de luzes”

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Um rio de escondidas luzes
atravessa a invenção da voz:
avança lentamente
mas de repente
irrompe fulminante
saindo-nos da boca
No espantoso momento
do agora da fala
é uma torrente enorme
um mar que se abre
na nossa garganta
Nesse rio
as palavras sobrevoam
as abruptas margens do sentido
Ana Hatherly
