Leituras

“Questão intrigante: o que explicará a extraordinária expansão da magia em todo o mundo e em todas as épocas?

….

Aliás, é o próprio desenvolvimento das tecnologias que acaba por conduzir a questões de ordem mítica que reaparecem hoje com mais força do que a que tinham antes. Compreende-se, por isso, a muito actual observação de Marc Augé: “Definimos, por vezes, a modernidade como a passagem dos mitos de origem aos mitos do futuro, aos mitos escatológicos, a imagens radiosas, ao progresso. Agora, com o desenvolvimento da tecnologia, colocamos questões às quais o pensamento mítico (para não dizer simbólico), aquele que se exprime pelos mitos, de alguma maneira pré-simbólico, dava forma. A versão agradável ou banal desta questão é-nos dada pelos filmes de ficção científica. Muitos só imaginam o futuro tecnológico sob a forma de coisas mais arcaicas

in Américo de Sousa (2004), O homem.com medo de si próprio, Porto: Estratégias Criativas, pp. 19-20

O autor, em Retórica

«isto» dos blogues

20070731-correios

Blogue (do inglês blog) é a abreviatura de web log, que significa “registo feito na rede”. Este termo foi criado por John Barger em 1997. No início, os blogues eram apenas páginas da Internet onde algumas pessoas divulgavam as suas ideias e opiniões.

Hoje, a grande riqueza dos blogues é precisamente serem meios de comunicação que qualquer pessoa pode criar, para emitir as suas opiniões e publicar ideias que podem ser lidas e comentadas por qualquer outra pessoa em qualquer lugar e em tempo real (Anahory, 2006). O recurso aos blogues cresceu rapidamente devido à simultaneidade de duas características: baixo custo e facilidade de manuseamento (Canavilhas, 2006).


A Blogosfera é um fenómeno recente de crescimento estrondoso. Em 1999, havia cerca de 50 blogues a nível mundial. No final do ano 2000, poucos milhares. Em 2003 atinge-se o milhão de blogues. No final de 2004, estima-se que haveria cerca de 5 milhões. Surgem, em 2007, cerca de 120 mil blogues a cada dia (Sifry, 2007).

Os blogues tendem a ser temáticos. Podem exprimir opiniões pessoais acerca de uma coisa em particular ou de tudo em geral (Marques, 2004, p.102). Os autores dos blogues indicam, como razões para criar uma página de opinião, a vontade de informar e ser informado e a necessidade de ter uma intervenção cívica (Canavilhas, 2006).

Um blogue é, no fundo, um depositório de pensamentos e opiniões pessoais e não passa de uma reunião e simplificação de outros conceitos de comunicação que já existiam. É uma amálgama entre website, fórum de discussão e newsgroup, com capacidade de edição e actualização rápida de conteúdos (Marques, 2004).

(SILVA, FERNANDES, REIS, NUNES (2007) – Representação social da enfermagem na blogoesfera portuguesa. Monografia)

A diferença do Quem

Se hoje começasses o blog…

Gente que bloga

O uso potencial dos blogues na educação

recoloco: da perspectiva de… Hannah Arendt!

Arendt – cover

 

Posted by Hello

É sabido que tenho um encantamento por Hannah Arendt.

Usando apenas títulos em português, li primeiro A condição humana, depois Entre o passado e o futuro. Quando cheguei a Sobre a revolução, já estava presa.

Fiquei chocada com Origens do totalitarismo e

Eichmann em Jerusalem. Ensaio sobre a banalidade do mal deixou-me a pensar muito tempo….

No global, a obra de Arendt é uma aprendizagem do juízo, ou seja, do discernimento entre o bem e o mal, sobre as escolhas que fazemos no mundo (que nos é) comum.

Para ela, a política é o espaço onde se institui e se revela a comunidade do mundo – existe quando partilhamos o mundo com outros diferentes de nós, debatemos e agimos e interagimos com eles.

“São os homens, e não o homem, que vivem na terra e habitam o mundo”.

Duas das actividades que se desenvolvem na sociedades humanas são essencialmente políticas: a acção e a palavra, que supõem directamente a relação entre os homens.

Falar é agir quando se encontram as palavras necessárias no momento certo.

Todavia, existe um limite ao que chamamos liberdade de opinião (e, portanto, ao debate político) – esse limite é o reconhecimento dos factos.

Uma afirmação que negue os factos porque os factos se opõem a interesses não é uma opinião, é uma mentira; trocou o mundo político pelo mundo da violência, o seu oposto.

O objectivo não é chegar a uma verdade universal; mas levar cada um a descobrir a verdade inerente à sua opinião. Arendt sublinha, e esta será uma das suas especificidades, a ideia de que não se pode, em política, reduzir a multiplicidade de pontos de vista a uma verdade única, definitiva, válida para todos.

Só as verdades demonstráveis, como as matemáticas, têm de ser vistas da mesma forma.

A própria unanimidade não é uma garantia de sucesso político – pode ser o sinal de que já não se interroga o mundo comum.

Pelo diálogo, ou seja, na travessia pelas palavras, se realiza a igualdade fundamental das pessoas. O debate permite a cada um revelar aos outros quem é e procurar a alegria (o júbilo) de aparecer aos outros, no domínio público.

O fim da política é esta alegria de não estar só, de se revelar a outros, de fortalecer a comunidade do mundo.