Arendt – cover
Posted by Hello
É sabido que tenho um encantamento por Hannah Arendt.
Usando apenas títulos em português, li primeiro A condição humana, depois Entre o passado e o futuro. Quando cheguei a Sobre a revolução, já estava presa.
Fiquei chocada com Origens do totalitarismo e
Eichmann em Jerusalem. Ensaio sobre a banalidade do mal deixou-me a pensar muito tempo….
No global, a obra de Arendt é uma aprendizagem do juízo, ou seja, do discernimento entre o bem e o mal, sobre as escolhas que fazemos no mundo (que nos é) comum.
Para ela, a política é o espaço onde se institui e se revela a comunidade do mundo – existe quando partilhamos o mundo com outros diferentes de nós, debatemos e agimos e interagimos com eles.
“São os homens, e não o homem, que vivem na terra e habitam o mundo”.
Duas das actividades que se desenvolvem na sociedades humanas são essencialmente políticas: a acção e a palavra, que supõem directamente a relação entre os homens.
Falar é agir quando se encontram as palavras necessárias no momento certo.
Todavia, existe um limite ao que chamamos liberdade de opinião (e, portanto, ao debate político) – esse limite é o reconhecimento dos factos.
Uma afirmação que negue os factos porque os factos se opõem a interesses não é uma opinião, é uma mentira; trocou o mundo político pelo mundo da violência, o seu oposto.
O objectivo não é chegar a uma verdade universal; mas levar cada um a descobrir a verdade inerente à sua opinião. Arendt sublinha, e esta será uma das suas especificidades, a ideia de que não se pode, em política, reduzir a multiplicidade de pontos de vista a uma verdade única, definitiva, válida para todos.
Só as verdades demonstráveis, como as matemáticas, têm de ser vistas da mesma forma.
A própria unanimidade não é uma garantia de sucesso político – pode ser o sinal de que já não se interroga o mundo comum.
Pelo diálogo, ou seja, na travessia pelas palavras, se realiza a igualdade fundamental das pessoas. O debate permite a cada um revelar aos outros quem é e procurar a alegria (o júbilo) de aparecer aos outros, no domínio público.
O fim da política é esta alegria de não estar só, de se revelar a outros, de fortalecer a comunidade do mundo.
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