Último domingo de Maio

Queima das Fitas, no último domingo de Maio – em Setúbal, naturalmente. As fitas que antes serviam para atar os livros, hoje representam, para os quartanistas fitados, a etapa do finalizar do Curso.

Motivo de alegria, de festa, de amigos e família, de padrinhos e afilhados.  De pensar nos percursos e nos legados, de passarem palavra aos caloiros e de firmarem tradição e estilo. Pretexto de reencontro para os graduados que regressam, no dia da Queima. Um quase-fim, a marcar novos inícios.

Hoje, no novo que este grupo instalou, um manto negro no chão, das capas estendidas para sobre elas se saltar! Olé!… Muitas felicidades a todos, identidade reconhecida de Maioriais do Sexto CLE que foram a queimar. E obrigada pelo tanto que aprendi convosco!

Citação do dia

dandelion 10

“There is no abyss between man and animal; the two domains are separated by a tiny rivulet which a baby could step over. We are animals, we live on animals, and animals live on us. We both have and are parasites. We are predatory, and we are the living prey of the predatory. And when we follow the love act, it is truly, in the idiom of theologians, more bestiarum. Love is profoundly animal; therein is its beauty.”

Ezra Pound

The natural philosophy of love, book on line

“Não há nenhum abismo entre homem e animal; os dois domínios são separados por uma ténue linha que um bebé pode ultrapassar. Somos animais, vivemos em animais e animais vivem em nós. Ambos temos e somos parasitas. Somos predatórios, e somos a rapina viva do predatório. E quando seguimos o acto de amor é verdadeiramente, no idioma dos teólogos, mais bestial. O amor é profundamente animal; nisso reside a sua beleza.”

Frases soltas… e blogues recém-nascidos

Vim de Polikê? e de ler «Consequências equestres»….

«Todos nós já, uma vez ou outra, caímos do cavalo com tiradas que nem sempre são felizes – pessoalmente, se estiver para aí virada, até consigo tirar fogo da calçada com o rampão da ferradura – por isso, não liguei nada quando no dia 18 de Maio, de 2009 (e seguintes), corria pela blogosfera, e também noutras publicações, alguma consternação por causa de uma frase “solta” (há várias, e no mesmo contexto), e considerada pouco conseguida — proferida pelo Senhor Ministro Mariano Gago durante a inauguração da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Castelo Branco — sobre qualquer coisa, tal como, os docentes do politécnico não deverem aceitar nunca entrar pela porta do cavalo (Diário Digital/Lusa).

Pois muito bem, contas feitas, a dita frase converteu-se até numa saída muito feliz porque, no dia 20 de Maio, deu origem a um novo blog penso que colectivo e que, nestes primeiros posts, pelo menos, se vem dedicando ao ensino politécnico, com o sugestivo e engraçado nome de: PORTA DO CAVALO

Vale a pena passar por lá…

Já agora, e porque esta onda do impacto da revisão das carreiras docentes, afecta muita gente, nasceu o Professor Auxiliar.

É URGENTE
  • Iniciar a reflexão sobre o que é ser professor auxiliar hoje em Portugal.
  • Começar a reflectir sobre as mudanças prometidas pela nova lei (ECDU) em discussão.
  • Que apareçam vontades de afirmação de reflexão e de trabalho em conjunto por parte dos directamente interessados – os professores auxiliares.

NÃO INICIO ESTE BLOGUE PARA
– dar mostras do meu saber
– ou ocupar o meu tempo.

FAÇO ESTE BLOGUE PORQUE CONSIDERO QUE
– muitos têm mais força do que um só
– e porque acredito que é possível haver consensos.

Carta Aberta – IPP

Carta Aberta ao Senhor Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior sobre o processo de revisão do Estatuto de Carreira do Pessoal Docente do Ensino Superior Politécnico

A revisão da proposta do Estatuto de Carreira do Pessoal Docente do Ensino Superior Politécnico (ECPDESP), apresentada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) em 12 de Maio último, continua a ignorar o seu dever de i) representar uma oportunidade estratégica de aperfeiçoamento do desempenho do sistema e ii) não constituir a raiz de uma futura crise estrutural.

Os dados disponíveis mostram que o sucesso do Ensino Superior Politécnico (ESP), oportuna e sabiamente sublinhado pelo Senhor Ministro, é assegurado por um corpo docente competente onde cerca de 80 % dos seus membros desempenham funções em tempo inteiro, exercendo 50 % as funções de professor ou equiparado e 30 % as de assistente ou equiparado.

A proposta do MCTES, de 12 de Maio último, aponta para o funcionamento de um sistema com 60% dos docentes em tempo integral ou em exclusividade. Isto é, a nova proposta do governo admite dispensar o trabalho a tempo completo a 20 % dos actuais docentes a tempo integral do ESP, o que corresponde a cerca de 1700 docentes.

O MCTES propõe seis anos para que todos os actuais docentes do ESP possam ter o grau de doutor. Neste cenário, os docentes que entretanto conseguirem obter esse grau, muitas vezes à custa do erário público, não têm qualquer garantia de poder vir a leccionar a tempo completo no ESP!

Ao contrário do que aconteceu até agora e se vai manter no Sistema Universitário. Será esta uma situação ética e constitucionalmente aceitável, Senhor Ministro?

A actual proposta continua a esquecer injustamente o empenho dos docentes que ao longo da sua vida se dedicaram, com zelo e rigor, à construção do que é hoje o ESP, sempre em condições de trabalho precário. Continua a desprezar-se, no texto da actual proposta, o que de mais importante uma Instituição pode possuir: os seus recursos humanos.

Nenhuma proposta que denuncie este espírito pode ser aceitável. Por respeito às Instituições, algumas delas seculares, por respeito aos docentes que as ajudaram a crescer, por respeito aos alunos, a quem é devida uma Escola digna.

Não pode ser aceitável qualquer proposta que imponha rácios cegos de docentes a tempo parcial e de docentes a tempo completo, muito menos se surgirem insustentados e com a perspectiva de virem a ser indevidamente aplicados, da mesma forma, a Instituições com perfis e histórias diferentes.

Não é aceitável uma proposta que não garanta a possibilidade real a todos os docentes que integram actualmente o sistema, de provarem que ocupam esse lugar por mérito próprio.

Não é aceitável uma proposta que obrigue esses mesmos docentes, cujo mérito absoluto pode ser inquestionavelmente comprovado, ou por provas ou concursos públicos a que já se submeteram no passado, ou por outras provas públicas que verdadeiramente se adequem a um regime de transição desta natureza, a disputar o seu posto de trabalho com um número indeterminado de potenciais candidatos, estes últimos sem quaisquer provas dadas de poderem vir a oferecer um bom serviço à Escola.

Não é aceitável um regime de transição que, não garantindo necessariamente a melhor qualidade dos docentes a contratar, se traduza numa maratona de concursos públicos que envolva a maioria dos docentes de cada Instituição como avaliadores ou avaliados, impedindo o bom funcionamento das Escolas.

Não pretendemos, Senhor Ministro, entrar pela Porta do Cavalo.

Muitos de nós entraram no ESP por concurso, como assistentes. Muitos de nós já se sujeitaram a concursos públicos para professor adjunto, foram aprovados por mérito absoluto e apenas não integraram a carreira, por falta de vagas.

Alguns de nós já foram aprovados com mérito absoluto em concurso de professor coordenador e apenas não integraram a carreira, por falta de vagas.

Não aceitaremos, Senhor Ministro, que todos esses docentes que já viveram estas injustiças durante anos, à espera de um estatuto que dignificasse a sua carreira, fiquem sujeitos a um regime de transição cego.

Não se aceitará uma proposta que não garanta às Escolas a possibilidade real de assegurarem a qualidade e o crescimento que o Senhor Ministro lhes reconhece.

Acreditamos que o Senhor Ministro terá em conta estes princípios. Acreditamos também que tratará com a dignidade devida o Ensino Superior Politécnico, pela longa história de muitas das suas Escolas e pelo futuro sustentado que lhe queremos oferecer. Acreditamos que o Senhor Ministro procederá a uma revisão profunda da proposta que apresentou.

Receba V. Exa os nossos melhores cumprimentos

Porto, 20 de Maio de 2009
Os docentes subscritores do Instituto Politécnico do Porto

Música de fundo: John Farnham, You’re the Voice

We have
The chance to turn pages over
We can write what we want to write
We gotta make ends meet before we get much older
We’re all someone’s daughter
We’re all someone’s son
How long can we look at each other
Down the barrel of a gun?

You’re the voice try and understand it
Make a noise and make it clear
Whoa oh oh
We’re not gonna live in silence
We’re not gonna live in fear
Whoa oh oh

This time
We know we all can stand together
We have the power to be powerful
Believing we can make it better

We’re all someone’s daughter
We’re all someone’s son
How long can we look at each other
Down the barrel of a gun?

You’re the voice try and understand it
Make a noise and make it clear
Whoa oh oh
We’re not gonna live in silence
We’re not gonna live in fear
Whoa oh oh