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Literate Octopus, Franco Matticchio
O ano de 2009 fará, dentro de uma mão-cheia de horas, parte do passado de cada um 🙂
Entrar em 2010 é, de alguma forma, oportunidade de recomeços, de reinicios, de projectos.
O significado de Ano Novo a isso impele, nem que mais não seja cronológica e simbolicamente.
O findar de um ano é um tempo de fim e de recomeço.
Momento de “morte” e “nascimento”, dizem.
2009 foi um ano denso, trabalhoso… Caminhei por vales e planícies e lá fui experimentando escaladas de montanha. Houve momentos fáceis e difíceis, mas, no global, fiz-me à Vida que ela não se deixa em mãos alheias. Foi ano de ver crescer os meus filhos, de rir junto e me alegrar com coisas simples, de magia e aventura na vida. E de continuar, sempre, a procurar a metamorfose do dissabor em ganho, da frustração em aprendizagem, das perdas em ganhos. Naturalmente, descobri pérolas e caí nuns quantos buracos. Como de costume, não posso queixar-me de não ganhar a lotaria, pois não joguei – a Sorte, Fado ou Moira vêm com cada dia. Ganhei gente, perdi gente – e com as pessoas que perdi, os mortos que representam o caminho que a todos espera, posso não ter ficado mais sábia mas fiquei claramente mais consciente da finitude.
Passou 2009. O extraordinário é mesmo tê-lo vivido. E com o muito que se aprendeu, restarem infinitos por explorar. Vai chegar um Novo Ano Novo. E nada de cair na tentação de tomar decisões no início do ano – se eram importantes, já deviam ter sido tomadas; se não são, esperam além destes dias de travessia. Que 2010 seja um Bom Ano, pródigo em paz e em alegria, saudável e fértil.
— Jon Krakauer, Into the Wild
Contradições, crises e conflitos angustiam, retalham, mas trazem fecundidade também.
(janela aqui)
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Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue
Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos
Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes
que me detive
junto das pontes enovoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu que reunias pedaços
do meu poema reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente
Qualquer coisa
pergunta-me
qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer
Mia Couto
(Escultura «Labareda», Bruno Giorgi)