
Prefiro ser um homem de paradoxos que um homem de preconceitos
Jean Jacques Rousseau

Prefiro ser um homem de paradoxos que um homem de preconceitos
Jean Jacques Rousseau

“A mais que banal, mas não menos verdadeira, etimologia ensina-nos que o interesse é “inter esse”, estar entre, ou mais profundamente existir entre. O interesse é assim uma integração e uma limitação, uma pertença e um constrangimento. Quando fisicamente um país está entre dois outros, esses outros fazem parte do seu interesse, definem-no. Mas as fontes e as modalidades de interesses podem ter a mais variada origem. Os interesses associam-se a situações de vida, dos quais o espaço físico é apenas uma delas. Algumas vezes diz-se dos místicos, ou de quejandas pessoas, por razões caracteriais ou outras, que são desinteressados. Em boa verdade não é esse o caso. Muitas vezes são bem mais interessados que os outros, estão bem mais integrados e delimitados pelo que lhes interessa que o comum dos mortais. Desinteressado significa apenas o que não está entre as coisas comuns. A ligação entre alguém e um interesse tem sempre elementos de inevitabilidade e de escolha. Portugal não pode decidir ser africano. Mas pode decidir dar mais ou menos ênfase às suas relações africanas.
Trago o texto da vizinhança, e não resisto a evocar Kant 🙂
“A vontade humana pode também tomar interesse por qualquer coisa sem por isso agir por interesse. O primeiro significa o interesse prático na acção, o segundo o interesse patológico no objecto da ação. O primeiro mostra apenas dependência da vontade em face dos princípios da razão em si mesmos, o segundo em face dos princípios da razão em proveito da inclinação, pois aqui a razão dá apenas a regra prática para socorrer a necessidade da inclinação. No primeiro caso interessa-me a acção, no segundo o objecto da acção” (Fundamentação da Metafísica dos Costumes, 49).
Estar interessado e agir por interesse são diversas, diz Kant. Notemos porém, que este interessado pode ser desinteressado, no sentido que vulgarmente lhe atribuímos. O desinteresse da apreciação estética, do belo, é, ao mesmo tempo, interessado… ou fica estranho?!
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Pergunto-te onde se acha a minha vida.
Em que dia fui eu. Que hora existiu formada
de uma verdade minha bem possuída.
Vão-se as minhas perguntas aos depósitos do nada.
E a quem é que pergunto? Em quem penso, iludida
por esperanças hereditárias? E de cada
pergunta minha vai nascendo a sombra imensa
que envolve a posição dos olhos de quem pensa.
Já não sei mais a diferença
de ti, de mim, da coisa perguntada,
do silêncio da coisa irrespondida.
Cecília Meireles, in ‘Poemas (1942-1959)’
O Facebook foi criado por Mark Zuckerberg, acerca de quem alguém afirmou ser “um tipo tão nerd que faz o Bill Gates parecer o Harrison Ford“. Era secundanista em Harvard e decidiu concretizar a ideia de uma rede interna em Harvard, só que, em vez de demorar os anos que se falava que demoraria, criou o Facemask numa semana.
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O resto, é da história recente.
Em Portugal, de acordo com algumas fontes, o Facebook tem centenas de milhares de aderentes, “sendo apenas ultrapassado pela rede social Centro de Emprego e pela rede social Banco Alimentar Contra a Fome”. Peritos dizem que superou o Google, em termos de utilizadores.
Por mim, ouvi falar do Face há três anos, a propósito de uma rede de estudiosos de História. Pois foi assim que começou, como rede de universitários e investigadores. E já nem soube cedo, que o Facebook foi fundado nos inícios de 2004, quando Zuckerberg frequentava a Universidade de Harvard. Naquela época, Zuckerberg juntou-se a Dustin Moskovitz e Chris Hughes para a promoção do sitee o Face expandiu-se às Universidades de Stanford, Columbia e Yale. O site Wirehog, “irmão” do Facebook, e o próprio Face ocuparam a atenção de uma equipa alargada – e antes do final do ano, a base de membros ultrapassou um milhão. Em 2006, foi aberto para registo a todos os públicos. O Mural passou a permitir anexar ficheiros em 2007, o que aumentou a utilidade real. O chat apareceu em 2008, pouco depois dos populares Albuns de Fotos.
O Facebook sobreviveu a vários processos em tribunal e, hoje, registam-se mais de 400 milhões de utilizadores activos, sendo que mais de 50% liga-se diariamente. Já agora, gastamos (todos os que usam) mais de 500 biliões de minutos, por mês, no Facebook.
Fenómeno cultural, dizem alguns, que alterou profundamente o mundo das redes (até há pouco websites minoritários) e colocou a comunicação social, a política, a cultura, a vida social, as redes de trabalho, perante a óbvia questão de se «incluirem» no Facebook. Quase falida em 2008, a empresa do Facebook recuperou com saldo positivo pela primeira vez em fins de 2009… É caso para dizer “e logo se verão as finança no final de 2010”.