Pensamento do dia

Prefiro ser um homem de paradoxos que um homem de preconceitos

Jean Jacques Rousseau

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# 47 – Das palavras: ter interesse e agir por interesse

“A mais que banal, mas não menos verdadeira, etimologia ensina-nos que o interesse é “inter esse”, estar entre, ou mais profundamente existir entre. O interesse é assim uma integração e uma limitação, uma pertença e um constrangimento. Quando fisicamente um país está entre dois outros, esses outros fazem parte do seu interesse, definem-no. Mas as fontes e as modalidades de interesses podem ter a mais variada origem. Os interesses associam-se a situações de vida, dos quais o espaço físico é apenas uma delas. Algumas vezes diz-se dos místicos, ou de quejandas pessoas, por razões caracteriais ou outras, que são desinteressados. Em boa verdade não é esse o caso. Muitas vezes são bem mais interessados que os outros, estão bem mais integrados e delimitados pelo que lhes interessa que o comum dos mortais. Desinteressado significa apenas o que não está entre as coisas comuns. A ligação entre alguém e um interesse tem sempre elementos de inevitabilidade e de escolha. Portugal não pode decidir ser africano. Mas pode decidir dar mais ou menos ênfase às suas relações africanas.

Questão diversa é a da percepção dos interesses. A História tem demonstrado que sendo os interesses muito diversos, consoante as pessoas e o longo ou curto prazo, também as percepções dos interesses podem estar profundamente erradas. Mas, definidos os interesses, é perfeitamente legítimo defendê-los.”

Trago o texto da vizinhança, e não resisto a evocar Kant 🙂

“A vontade humana pode também tomar interesse por qualquer coisa sem por isso agir por interesse. O primeiro significa o interesse prático na acção, o segundo o interesse patológico no objecto da ação. O primeiro mostra apenas dependência da vontade em face dos princípios da razão em si mesmos, o segundo em face dos princípios da razão em proveito da inclinação, pois aqui a razão dá apenas a regra prática para socorrer a necessidade da inclinação. No primeiro caso interessa-me a acção, no segundo o objecto da acção” (Fundamentação da Metafísica dos Costumes, 49).

Estar interessado e agir por interesse são diversas, diz Kant.  Notemos porém, que este interessado pode ser desinteressado, no sentido que vulgarmente lhe atribuímos. O desinteresse da apreciação estética, do belo, é, ao mesmo tempo, interessado… ou fica estranho?!

Poesia sempre: Cecília Meireles

Pergunto-te onde se acha a minha vida.
Em que dia fui eu. Que hora existiu formada
de uma verdade minha bem possuída.

Vão-se as minhas perguntas aos depósitos do nada.

E a quem é que pergunto? Em quem penso, iludida
por esperanças hereditárias? E de cada
pergunta minha vai nascendo a sombra imensa
que envolve a posição dos olhos de quem pensa.

Já não sei mais a diferença
de ti, de mim, da coisa perguntada,
do silêncio da coisa irrespondida.

Cecília Meireles, in ‘Poemas (1942-1959)’

Pensamento do dia






“O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se, (…)

Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o património de todos,

e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto da sua fria e desolada torre”.

Vinícius de Moraes

A criação de Mark Zuckerberg: o fenómeno “Facebook”

O Facebook foi criado por Mark Zuckerberg, acerca de quem alguém afirmou ser “um tipo tão nerd que faz o Bill Gates parecer o Harrison Ford“. Era secundanista em Harvard e decidiu concretizar a ideia de uma rede interna em Harvard, só que, em vez de demorar os anos que se falava que demoraria, criou o Facemask numa semana.

O resto, é da história recente.

Em Portugal, de acordo com algumas fontes, o Facebook tem centenas de milhares de aderentes, “sendo apenas ultrapassado pela rede social Centro de Emprego e pela rede social Banco Alimentar Contra a Fome”. Peritos dizem que superou o Google, em termos de utilizadores.

Por mim, ouvi falar do Face há três anos, a propósito de uma rede de estudiosos de História. Pois foi assim que começou, como rede de universitários e investigadores. E já nem soube cedo, que o Facebook foi fundado nos inícios de 2004, quando Zuckerberg frequentava a Universidade de Harvard. Naquela época, Zuckerberg juntou-se a Dustin Moskovitz e Chris Hughes para a promoção do sitee o Face expandiu-se às Universidades de Stanford, Columbia e Yale. O site Wirehog, “irmão” do Facebook, e o próprio Face ocuparam a atenção de uma equipa alargada – e antes do final do ano, a base de membros ultrapassou um milhão. Em 2006, foi aberto para registo a todos os públicos. O Mural passou a permitir anexar ficheiros em 2007, o que aumentou a utilidade real. O chat apareceu em 2008, pouco depois dos populares Albuns de Fotos.

O Facebook sobreviveu a vários processos em tribunal e, hoje, registam-se mais de 400 milhões de utilizadores activos, sendo que mais de 50% liga-se diariamente.  Já agora, gastamos (todos os que usam) mais de 500 biliões de minutos, por mês, no Facebook.

Fenómeno cultural, dizem alguns, que alterou profundamente o mundo das redes (até há pouco websites minoritários) e colocou a comunicação social, a política, a cultura, a vida social, as redes de trabalho, perante a óbvia questão de se «incluirem» no Facebook.  Quase falida em 2008, a empresa do Facebook recuperou com saldo positivo pela primeira vez em fins de 2009… É caso para dizer “e logo se verão as finança no final de 2010”.