“Crónica de tempos que correm: do «testamento vital»”

 

 

 

 

 

 

Crónica de tempos que correm: do «testamento vital»

Lucília Nunes

Usa-se a expressão testamento vital porque se popularizou – do que o assunto trata, efectivamente, é da «declaração antecipada da vontade», habitualmente constante num documento que alguém produz e assina, quando se encontra lúcido e capaz de decidir sobre si, para o futuro, para ser levada em conta quando já não lhe seja possível expressar livre e conscientemente, a sua vontade.

Uma pessoa capaz e competente para decidir sobre si declara o que consente ou dissente quando alguma intervenção de saúde lhe é proposta, uma vez na posse da informação para decidir. Até aqui, é um processo de escolha, prévio, para quando se tornar incapaz de exprimir a sua vontade ou de tomar decisões por e para si própria.

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3 thoughts on ““Crónica de tempos que correm: do «testamento vital»”

  1. Boa noite!

    Após ter lido a sua publicação sobre o Testamento vital, retrocedi alguns meses atrás.
    Senti-me tentada a partilhar uma situação que vivênciei na altura.Passando a expor essa experiência,a qual nunca me passaria pela cabeça que alguma vez estaria perante ela algum dia.
    Foi a DNR ( ordem de não reanimação). Nessa altura foi uma sensação que ainda hoje não consigo especificamente definir (foi um misto de revolta, de impotência, de fragilidade, entre outros.). Pois estava perante um ser que estava agónico, em fase terminal e que tinha direito a um fim de vida digno, disto eu tinha a certeza e de muitas outras coisas enquanto estudante. Mas depois de parei-me com a minha outra parte. A minha faceta humana, a minha formação pessoal, social e que me fui ensinada e incutida pelos meus pais.
    Numa primeira fase senti-me revoltada, quem se julgava essa pessoa que tinha prescrito uma DNR. Só Deus pode dar ou tirar uma vida (segundo as minhas crenças).
    Numa segunda fase fiquei fragilizada e deprimida, pois não conseguia digerir o facto de se aquele ser tivesse uma paragem cardio-respiratória não seria reanimado ( mas sabia que era a actuação mais correcta perante o seu estado).
    Numa última fase acabei por aceitar o facto de ter sido prescrita a DNR, pesando os prós e os contras. Fiz o que me competia do melhor modo que sabia e podia, fi-lo com consciência e de forma Hólistica.
    Todos nós inevitávelmente algum dia chegaremos ao fim da nossa vida, á Morte.
    Por isso cada vez mais faz sentido falarmos, discutirmos e decidirmos de como queremos tratar e ser tratados quando esse dia chegar ou quando para ele caminharmos.
    Daí para mim ser de extrema importância dar legitimidade á pessoa. Tendo o direito e o dever de escolher como o quer fazer, com quem o quer fazer, por quem quer ser acompanhado durante esse percurso.
    E de serem elaborados por parte das pessoas com responsabilidade sobre estas matérias, recursos e meios para estas pessoas sejam aconselhadas, acompanhadas e que tenham recurso a unidades de cuidados paliativos( entre outras)para dignificar o seu caminho até ao fim da linha.
    Respeitando sempre e acima de tudo a vontade da pessoa que percorre esse caminho.

    Cordialmente,
    Julieta Máximo

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  2. Se formos a ver bem a morte é um grande nada, afinal para os vivos não nada é, para os mortos não existe e mesmo assim é considerada como a maior violação do direito à vida (tem a sua lógica).

    Convenhamos que, a morte começa quando não temos em conta que ela existe (Ipso Facto!) e esse testamento vital (“crónica de uma morte anunciada”?), não é nada mais do que “uma forma de dar voz à identidade que se vai silenciando com a doença”, é o ter a certeza de que, por exemplo, os cuidados paliativos são isso mesmo “paliativos”…

    Agora, como é que eu respeito o direito à vida e como é que eu preservo a vida, quando alguém me diz que o seu desejo é morrer? se o cuidar é um acto de vida…
    Que valores mais altos do que a vida é que eu posso respeitar, para aceitar isso?

    Na minha ignorância, aceito aquilo que condena o homem a ser livre, a capacidade de escolher…embora a única razão aqui – “a minha vontade” me pareça plausível, caminhamos assim para o tempo em que viver é, de facto, a coisa mais rara do mundo.

    Ontem diziam-me que “cuidados paliativos é fazer festinhas”…eu continuo a achar, independentemente de opiniões alheias, que cuidados paliativos são mais do que isso (e nem sequer são isso!), são a existência do testamento vital….

    embora me arrepie o pensamento de que o mundo fique mais pequeno no momento em que alguém assina um papel…

    CS,
    Cumprimentos.

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  3. Inteiramente de acordo com as ideias gerais do artigo.
    Podemos considerar o caso de Ariel Sharon como sendo um caso de Distanásia?
    Prescrição de DNR?!
    Unidades de Cuidados Paliativos: faz sentido criar estas unidades? Ou seria mais prudente que cada serviço se dotasse de meios (humanos e físicos) para dar uma resposta cabal nesta matéria?
    A própria identificação dessas unidades (tabuletas onde se lê “Cuidados Paliativos”) suscita-me algumas reservas. O mesmo se passa com “Consultas de Oncologia” e afins. Não estará em causa o sigilo profissional?
    Nem sempre o desejo da pessoa é morrer, e muito menos, cuidados paliativos são “fazer festinhas”.

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