Tempus Fugit… e extraordinário é viver!

O tempo foge, escapa-se entre os dedos…. E aí está outra «passagem de ano».  No último dia de 2010, reconhecendo que cada dia nos constitui, que nós somos também o que vivemos e o que vamos transformando, poderá ser uma boa decisão viajar ligeiro para 2011.

Viajar é deslocar-se, mover-se, seja em trajecto real ou metafórico, no tempo ou nos espaços de vida que habitamos. É também desprender-se da geografia e do instante que passa (e pelos quais se passa). Neste sentido, é estar em movimento, é o próprio movimento. Passa por expor-se ao diferente e ao novo e poder ser transformado pela e na jornada.

Uma das coisas a que se presta (ou deveria prestar) muita atenção é à bagagem que se leva consigo. Nem nenhuma, nem demasiada. Ecoa aqui um senso de equilíbrio, à maneira de Aristóteles. Nenhuma bagagem significaria, no extremo, esquecimento ou ausência de Si. Demasiada, por excessivo carrego, uso como símbolo de transportar consigo as mágoas, os ressentimentos, as inimizades, as zangas — porque a alegria e a felicidade não pesam na bagagem.

Muitas vezes, nem nos apercebemos — mas, às tantas, estamos a andar devagar e a carregar peso do tamanho do mundo. Vale a pena verificar a carga de vez em quando e assegurar-nos que viajamos ligeiros, disponíveis para a flexibilidade dos movimentos e para o que de bom e belo a viagem traz, para as coisas que aligeiram e conferem leveza.

2010 está a chegar ao fim – extraordinário é vivê-lo e estar vivo!!

Por isso, de entre todos os votos de alegria, amor, paz e saúde, coloco hoje um especial tom no desejar Boa Viagem para e em 2011… Até para o Ano!

 

Balanço de 2010, visto da perspectiva espacial

 

“Nesta última crónica de 2010 respeitamos uma certa tradição e vamos referir algumas descobertas espaciais que a Humanidade assistiu ao longo deste ano.

Enquanto que na Terra foi inaugurado o primeiro aeroporto espacial e abriram-se as portas dos céus aos privados, em cima de nós a Estação Espacial Internacional completou 10 anos de presença humana permanente.

Apesar das mais de 600 experiências científicas realizadas, o seu propósito ainda é discutido; o seu financiamento futuro uma incógnita.

A Lua foi, de novo, notícia em 2010: parece que tem alguma agitação química e que afinal poderá ter água. A Lua foi também visitada pela Índia com a sua sonda Chandrayaan-1 e a China também por lá navegou com a Chang”e 2.

Pelo reino dos asteróides, a sonda japonesa Hayabusa, que tinha partido do conforto terrestre em 2003 em direcção ao asteróide Itokawa, regressou em Junho com poeiras do mesmo e a Epoxi estudou de perto o cometa Hartley 2.

Mais longe, Titã, uma das luas de Saturno, continua a entusiasmar: cada vez mais se parece com a Terra primitiva e pergunta-se: tem ou poderá ter vida? E Encelado, outra lua de Saturno, mostrou monstruosas erupções de vapor de água e gelo: terá um oceano subterrâneo? E planetas extrasolares? Já são mais de 500!

No cair do pano, tivemos uma nova e polémica forma de vida amiga do arsénico. Tudo isto em 31536000 segundos. Tudo isto em forma de aperitivo para muito mais. Boa nova órbita à volta do Sol!”

Miguel Gonçalves, Coordenador Nacional da The Planetary Society

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Leituras: “Pequeno-almoço com Sócrates”

“Parafraseando Annie Dillard, o modo como passamos os dias é o modo como passamos a vida. Não deveríamos então prestar mais atenção aos actos rotineiros que fazem o nosso quotidiano? (…) Cada gesto nosso, desde um almoço com os pais à leitura de um livro, pode ter múltiplos e fascinantes significados. E o que Robert Rowland Smith faz em Pequeno-Almoço com Sócrates é dar-nos pistas, pensamentos, ideias, que nos ajudam a transformar a rotina num exercício filosófico.” (contra-capa)

Cada capítulo é uma etapa de um dia, feito na companhia de filósofos.

“Acordar com Descartes, ir para o trabalho com Nietzsche, ir ao médico com Susan Sontag, ir às compras com Lacan, marcar férias com Derrida, ler um livro com Platão, organizar uma festa com Maquiavel, ir ao ginásio com Foucault, fazer o jantar com Peter Greenway ou ver televisão com Deleuze são apenas alguns exemplos dos pensamentos e ideias que nos ajudam a transformar a nossa rotina num exercício filosófico.”

Nunca mais uma simples ida para o trabalho será a mesma coisa … 🙂

Muito adequado para uma introdução séria e, ao mesmo temo, divertida ao mundo da Filosofia.