
O tempo foge, escapa-se entre os dedos…. E aí está outra «passagem de ano». No último dia de 2010, reconhecendo que cada dia nos constitui, que nós somos também o que vivemos e o que vamos transformando, poderá ser uma boa decisão viajar ligeiro para 2011.
Viajar é deslocar-se, mover-se, seja em trajecto real ou metafórico, no tempo ou nos espaços de vida que habitamos. É também desprender-se da geografia e do instante que passa (e pelos quais se passa). Neste sentido, é estar em movimento, é o próprio movimento. Passa por expor-se ao diferente e ao novo e poder ser transformado pela e na jornada.
Uma das coisas a que se presta (ou deveria prestar) muita atenção é à bagagem que se leva consigo. Nem nenhuma, nem demasiada. Ecoa aqui um senso de equilíbrio, à maneira de Aristóteles. Nenhuma bagagem significaria, no extremo, esquecimento ou ausência de Si. Demasiada, por excessivo carrego, uso como símbolo de transportar consigo as mágoas, os ressentimentos, as inimizades, as zangas — porque a alegria e a felicidade não pesam na bagagem.
Muitas vezes, nem nos apercebemos — mas, às tantas, estamos a andar devagar e a carregar peso do tamanho do mundo. Vale a pena verificar a carga de vez em quando e assegurar-nos que viajamos ligeiros, disponíveis para a flexibilidade dos movimentos e para o que de bom e belo a viagem traz, para as coisas que aligeiram e conferem leveza.
2010 está a chegar ao fim – extraordinário é vivê-lo e estar vivo!!
Por isso, de entre todos os votos de alegria, amor, paz e saúde, coloco hoje um especial tom no desejar Boa Viagem para e em 2011… Até para o Ano!




