XIX Governo Constitucional… números de género ou um género de olhar

… fazendo contas, o novo governo tem 47 pessoas – 1 PM, 11 Ministros e 35 secretários de Estado.

Destas 47 pessoas, oito são mulheres – duas ministras (Justiça, Paula Teixeira da Cruz, e da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, Assunção Cristas) e seis secretárias de Estado (Maria Leonor Parreira, Ciência; Isabel Maria Santos Silva, Ensino Básico e Secundário; Maria Luís Albuquerque, Tesouro e Finanças; Vânia Dias da Silva, subsecretária de Estado Adjunta do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros; Teresa Morais, Assuntos Parlamentares e da Igualdade e Cecília Meireles, Turismo, na dependência do ministério da Economia e do Emprego).
Duas em onze, significa 18%; seis em 35, representam 17%. O que é que tem a ver, perguntar-se-á….
Evoco uma afirmação da actual Secretária de Estado da Ciência quando se tornou a primeira mulher a presidir à Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa, a propósito das mulheres em cargos de chefia: “Cada vez mais as mulheres estão representadas em cargos de responsabilidade, mas em cargos de topo são uma minoria. Existem razões históricas e culturais.” Dizia ainda: “É evidente que a prazo, nem que seja por uma questão de números, as mulheres chegarão a cargos de topo.” (In “Publico”, 27 Junho).
Não gosto do argumento da “questão de números”, claro que não.

Concomitante, pela primeira vez, uma mulher foi eleita presidente da Assembleia da República ou do Parlamento, como há quem diga.
“Dedico este meu momento de alegria a todas as mulheres, às mulheres políticas que trazem para o espaço público o valor da entrega e a matriz do amor, mas sobretudo às mulheres anónimas e oprimidas”, afirmou Assunção Esteves.

A preocupação com o equilíbrio entre homens e mulheres na tomada de decisão emergiu há uns anos, na Europa – “Promover a igualdade de participação dos homens e das mulheres nos processos de decisão é uma das prioridades da Comissão Europeia. As mulheres de todos os horizontes continuam a estar sub-representadas a todos os níveis dos processos de decisão na maioria dos Estados-Membros da UE, apesar dos progressos já alcançados. Nos parlamentos nacionais, menos de um em cada quatro deputados é uma mulher. Nas empresas, a situação é ainda pior, com, em média, uma mulher para cada dez homens nos Conselhos de Administração das empresas europeias mais conhecidas. Nos domínios da ciência e da tecnologia, poucas mulheres ocupam cargos de topo. A UE reconheceu há muito tempo a necessidade de promover a igualdade entre homens e mulheres no processo de decisão e incentivou a adopção de medidas nesse sentido. Em 1996, o Conselho de Ministros da UE apresentou uma recomendação formal aos países membros para que introduzissem medidas legislativas, regulamentares e de incentivo com vista a promover uma participação equilibrada de homens e mulheres no processo de decisão. Neste domínio, a Comissão Europeia desenvolve várias acções, nomeadamente, a sensibilização de todas as partes interessadas para esta questão, a análise das tendências na matéria e respectiva divulgação da informação, a promoção da criação de redes, o intercâmbio de boas práticas e a recolha de dados. Para melhorar as estatísticas e avaliar os progressos registados, a Comissão Europeia criou uma base de dados completa sobre os homens e as mulheres no processo de decisão, que abrange os domínios político, jurídico, social e económico em 24 países europeus. Com base nestes dados e outros elementos científicos, a Comissão Europeia publica um relatório anual de análise das tendências elaborado por peritos.” (http://ec.europa.eu)

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Leituras: “O ePortfolio Reflexivo como ferramenta de aprendizagem activa”

Passando pelo Revisitar a Educação, entretive-me a ler alguns artigos da

Revista Educação, Formação & Tecnologias, n.º extra (Abril, 2011)

dos quais destaco este:

O ePortfolio Reflexivo como ferramenta de aprendizagem activa
LEONOR MARIA DA CRUZ MONTEIRO CAMPOS DE MELO

Resumo: A rápida evolução tecnológica e a competição global que nas últimas décadas se instalaram na sociedade contribuem para um mundo cada vez mais exigente de cidadãos mais competentes, criativos e inovadores. Essa mesma tecnologia seduz e fascina os jovens estudantes, mas também os distancia frequentemente da sala de aula, sempre que esta teima em resistir às mudanças do exterior. Importa, cada vez mais, articular as preferências e as aptidões dos jovens estudantes, em relação à tecnologia, através de práticas pedagógicas que tornem o saber a ensinar mais aliciante e que suscitem a curiosidade intelectual e a motivação para aprender.
O estudo1 que esteve na base da presente comunicação centrou-se na exploração do ePorfolio reflexivo e no seu contributo para uma aprendizagem activa e reflexiva. Numa dinâmica de investigação-acção, experimentou-se este tipo de ePortfolio, por ser o que melhor se adequa às necessidades/especificidades de cada aluno, permitindo, através da reflexão, evidenciar crescimento e competências adquiridas num determinado período de tempo. Pretendeu-se, ainda, experimentar uma abordagem das aprendizagens centrada no aluno, seguindo uma metodologia de base construtivista e sócio-construtivista e privilegiando uma pedagogia individualizada, diferenciada e inclusiva.
Palavras-chave: ePortfolio reflexivo, aprendizagem activa, aprendizagem centrada no aluno