4 preceitos de René Descartes

(…)” E, como a multidão das leis fornecem muitas vezes desculpas aos vícios, de sorte que um Estado é muito melhor governado quando, possuindo muito poucas, elas são rigorosamente observadas, assim, em vez do grande número de preceitos que compõem a lógica, cuidei bastarem-me os quatro seguintes, desde que eu tomasse a firme e constante resolução de nem uma só vez deixar de os observar.

O primeiro era o de jamais receber por verdadeira coisa alguma que eu não conhecesse evidentemente como tal: isto é, o de evitar cuidadosamente a precipitação e a prevenção; de não compreender nada mais nos meus juízos senão o que se apresentasse tão claramente e tão distintamente ao meu espírito que não teria qualquer ocasião de o pôr em dúvida.

O segundo, o de dividir cada uma das dificuldades que eu examinasse em tantas parcelas quanto fosse possível e requerido para melhor as resolver.

O terceiro, o de conduzir por ordem os meus pensamentos, começando pelos objectos mais simples e mais fáceis de conhecer, para subir pouco a pouco, como que por degraus, até ao conhecimento dos mais complexos, e supondo a existência de ordem entre aqueles que não se sucedem naturalmente uns aos outros.

E o último, o de fazer sempre enumerações tão completas e revisões tão gerais que fique seguro de nada omitir.”

(René Descartes)

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Leituras

 

 

 

 

 

 

 

 

À maneira de um percurso, apresentam-se os princípios e valores que fudam uma teoria ética de enfermagem, ética própria do agir do enfermeiro; de onde se configura uma tríade fundamental: a pessoa destinatária dos cuidados, o enfermeiro e a natureza do elo que a liga, naquela situação ou circunstância, numa ocasião de cuidado, ao longo da vida. Passa-se por uma sistemática da acção, afloram-se alguns territórios próximos – a deontologia, outras éticas regionais, a política e o direito – e concluímos com problemas éticos, com relevo para a veracidade , a informação e as prismáticas da confiança. Fundamentos e horizontes – pois que as partes do livro procuram uma imbricação estrutural, envolvendo a prática do cuidado ao serviço do estabelecimento de uma praxis, um profissional agir em beneficio do Outro. A mutualidadede uma presença, activa e cuidativa por parte do enfermeiro, ocorre numa relação transaciomal e de interacção com o Outro – por isso mesmo, uma identidade profissional desenhada nos contornos da própria existência. Setembro 2011

conversas & debates: Chomsky e Foucault

que modelo para o funcionamento da sociedade científica e tecnológica? que (duas) tarefas políticas relevantes para hoje?

os contributos do debate de Noam Chomsky e Michel Foucault – para além das presenças, em treze minutos, os modos de olhar a sociedade, a justiça e o poder.

Pensamento do dia

No luxury and no comfort, no delight and no pleasure, no new liberty and no new discovery, no praise and no flattery, which we may enjoy on our journey, will mean anything to us if we have forgotten the purpose of our travels, and the end of our labours.

Isaiah Berlin

Nenhum luxo e nenhum conforto, nenhum regozijo e nenhum prazer, nenhuma nova liberdade e nenhuma nova descoberta, nenhum elogio e nenhuma lisonja, que possamos desfrutar na nossa jornada, significará alguma coisa para nós se tivermos esquecido o propósito das nossas viagens e o fim dos nossos trabalhos.

[Antero, re-re-re-ler]

Causas da decadência dos povos peninsulares nos últimos três séculos.

Antero de Quental, discurso proferido no dia 27 de Maio de 1871, na1.ª sessão das Conferências Democráticas

“A história dos últimos três séculos perpetua-se ainda hoje entre nós em opiniões, em crenças, em interesses, em tradições, que a representam na nossa sociedade, e a tornam de algum modo actual. Há em nós todos uma voz íntima que protesta em favor do passado, quando alguém o ataca: a razão pode condená-lo: o coração tenta ainda absolvê-lo. É que nada há no homem mais delicado, mais melindroso, do que as ilusões: e são as nossas ilusões o que a razão critica, discutindo o passado, ofende sobretudo em nós.

Não posso pois apelar para a fraternidade das ideias: conheço que as minhas palavras não devem ser bem aceites por todos. As ideias, porém, não são felizmente o único laço com que se ligam entre si os espíritos dos homens. Independente delas, se não acima delas, existe para todas as consciências rectas, sinceras, leais, no meio da maior divergência de opiniões, uma fraternidade moral, fundada na mútua tolerância e no mútuo respeito, que une todos os espíritos numa mesma comunhão – o amor e a procura desinteressada da verdade. Que seria dos homens se, acima dos ímpetos da paixão e dos desvarios da inteligência, não existisse essa região serena da concórdia na boa-fé e na tolerância recíproca! Uma região onde os pensamentos mais hostis se podem encontrar, estendendo-se lealmente a mão, e dizendo uns para os outros com um sentimento humano e pacífico: és uma consciência convicta! É para essa comunhão moral que eu apelo. E apelo para ela confiadamente, porque, sentindo-me dominado por esse sentimento de respeito e caridade universal, não posso crer que haja aqui alguém que duvide da minha boa-fé, e. se recuse a acompanhar-me neste caminho de lealdade e tolerância.

Já o disse há dias, inaugurando e explicando o pensamento destas Conferências:  não pretendemos impor as nossas opiniões, mas simplesmente expô-las: não pedimos a adesão das pessoas que nos escutam; pedimos só a discussão: essa discussão, longe de nos assustar, é o que mais desejamos, porque; ainda que dela resultasse a condenação das nossas ideias, contanto que essa condenação fosse justa e inteligente, ficaríamos contentes, tendo contribuído, posto que indirectamente, para a publicarão de algumas verdades.”