a fechar 2012

2012 caminha para as últimas horas, um «requiem» que permite renascimento. Com tudo o que a Vida aponta e nos cabe escolher, melhor ou pior, conforme queremos, podemos e sabemos, até porque dos resultados só dizemos sempre depois.

Um Novo Ano surge, à nossa frente.  Pode ser um momento de re-criar expectativas, de desejar desenvolvimento e realização de Si, que só é possível com os Outros;  de orientar-se para uma vida boa, ou seja,  feliz, e consciente da fragilidade dos assuntos humanos. De aspirar a saber gerir os adversos e os nem-tão-bons. Votos de que 2013 seja, nas dimensões do que verdadeiramente importa a cada um.

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«moral da história» ou histórias com sentido – 8: desejo-te o suficiente

7 – O menino e a borboleta

6 – Chocolate quente

5 – Pedras na praia

4 – A cobra e o pirilampo

3 – O Amor e a Loucura

2 – O monge e o escorpião

1 – A cenoura, o ovo e o café

“Há pouco tempo,  no aeroporto estava uma mãe e filha despedindo-se. Anunciaram a partida, elas abraçaram-se e disse a mãe: Eu amo-te filha. Desejo-te o suficiente.

A filha respondeu: Mãe, nossa vida juntas tem sido mais do que suficiente. O seu amor é tudo o que sempre precisei. Eu também lhe desejo o suficiente.

Elas beijaram-se e a filha partiu. A mãe passou por mim e encostou-se na parede. Pude ver que ela queria, e precisava, chorar.

Tentei não me intrometer nesse momento, mas ela dirigiu-se a mim, e perguntou: Você já se despediu de alguém sabendo que seria para sempre?

Já, respondi. Minha senhora, desculpe-me pela pergunta, mas por que é que foi um adeus para sempre?

Estou velha e ela vive tão longe daqui. Tenho desafios à minha frente e a verdade é que a próxima viagem dela para cá será para o meu funeral.

Quando se estavam a despedir, ouvi-a dizer “Desejo-te o suficiente”. Posso saber o que é que isso significa?

Ela começou a sorrir. É um desejo que tem sido passado de geração em geração na minha família. Meus pais costumavam dizer isso para toda a gente.

Ela parou por um instante e olhou para o alto como se estivesse a tentar lembrar-se dos detalhes e sorriu mais ainda.

Quando dizemos “Desejo-te o suficiente”, estámos a desejar uma vida cheia de coisas boas o suficiente para que a pessoa se ampare nelas. Então, virando-se para mim, disse, como se estivesse recitando:

Desejo-lhe sol o suficiente para que continue a ter essa atitude radiante.

Desejo-lhe chuva o suficiente para que possa apreciar mais o sol.

Desejo-lhe felicidade o suficiente para que mantenha o seu espírito alegre.

Desejo-lhe dor o suficiente para que as menores alegrias na vida pareçam muito maiores.

Desejo-lhe que ganhe o suficiente para satisfazer os seus desejos materiais.

Desejo-lhe perdas o suficiente para apreciar tudo que possui.

Desejo-lhe “olás” em número suficiente para que chegue ao adeus final.

Ela começou então a soluçar e afastou-se.
Dizem que leva um minuto para encontrar uma pessoa especial, uma hora para apreciá-la, um dia para amá-la, mas uma vida inteira para esquecê-la.”

 

Os números de 2012

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2012 deste blog.

Aqui está um excerto:

19,000 people fit into the new Barclays Center to see Jay-Z perform. This blog was viewed about 100.000 times in 2012. If it were a concert at the Barclays Center, it would take about 5 sold-out performances for that many people to see it.

Clique aqui para ver o relatório completo

Justiça para ouriços. Ronald Dowkin

Justica para ouricos
Finalmente, tenho-o na mão. A sopesar o peso, a capa dura e a antecipação de uma leitura desafiadora.
O propósito de Dworkin em Justice for Hedgehogs é, pelas palavras do próprio, defender “uma grande e antiga tese filosófica: a unidade do valor» (p. 13).
O título do livro tem na sua base um fragmento do poeta grego Arquíloco, retomado por Isaiah Berlin, segundo o qual «a raposa sabe muitas coisas, mas o ouriço sabe uma coisa muito importante».
“A verdade sobre viver bem e ser bom e acerca daquilo que é excelente é não só coerente como também assume um carácter de apoio mútuo: aquilo que pensamos acerca de cada uma destas coisas deve, subsequentemente, ser confrontado com qualquer argumento que consideremos convincente sobr eo resto”. (p.13).

A verdade é que, o que a vida significa, o que a moral requer e o que a justiça exige são aspetos diferentes da mesma grande questão. Ou melhor, “esta ideia – de que os valores morais e éticos são interdependentes – é um credo: propõe um modo de vida. ”

O próprio Dworkin reconhece que a tese é impopular – a raposa tem dominado na filosofia académica e literária, os ouriços parecem ingénuos e talvez até perigosos.

Darei conta de excertos, conforme for lendo….