«moral da história» ou histórias com sentido – 11: a parábola do velho e das varas

Um velho sábio e prudente,
Vendo-se sozinho à morte,
Chama três filhos que tem
E fala-lhes desta sorte:

– “Eia, vêde, amados filhos,
Si quebrais, por fôrça ou jeito,
Êste emblema”, e tira um mólho
De varas de vime feito.

Ao filho mais velho o dá,
Que se propõe a partí-lo:
Mas, por mais fôrça que emprega,
Nunca pôde partí-lo.

Pega-lhe o filho segundo,
Destro e valente rapaz,
Que partí-lo não consegue,
Por mais esforços que faz.

Entregam-no ao mais pequeno
Que blasona de mui forte:
Torce-o, dobra-o, cora e sua,
E deixa-o da mesma sorte.

– Fracos moços! Diz o pai,
Vossa fraqueza celebro!
Vêde como desta idade
Estas varas todas quebro.

Depois, desatando o mólho,
Pronto as varas dividindo,
Com toda a facilidade
Uma a uma as vai partindo.

E diz: – “Vêde nêste exemplo,
Filhos do meu coração,
Os desastres da discórdia
E as vantagens da união.

Partir não podeis, ó moços,
As varas, estando unidas;
Mas, depois de separadas,
São por fracas mãos partidas.

Se unidos vos conservardes,
Assim, ó filhos, sereis,
E aos baldões ímpios da sorte,
Sem custo, resistireis.

Mas, se algum dia a desgraça
Vos chegar a desunir,
Qualquer de vós aos seus golpes
Não poderá resistir”.

Assim o velho proclama
Essa brilhante doutrina,
E, no fim de pouco tempo,
Sua carreira termina.

Os filhos choram-lhe a morte
Com lamentos deploráveis,
Porém lembram-se mui pouco
Dos seus conselhos saüdáveis.

Porque danoso interêsse
Em partilhas os envolve,
Um credor, outro credor
Os bens paternos dissolve.

Depois vomitando injúrias,
Uns contra os outros litigam,
E os ministros com prisões
E com multas os castigam.

Pobres por fim noite e dia,
Com prantos e queixas amaras,
Recordam, mas sem remédio,
O sábio exemplo das varas.

——————————

10 – O copo e o lago

9 – Da janela

8 – Desejo-te o suficiente

7 – O menino e a borboleta

6 – Chocolate quente

5 – Pedras na praia

4 – A cobra e o pirilampo

3 – O Amor e a Loucura

2 – O monge e o escorpião

1 – A cenoura, o ovo e o café

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4 thoughts on “«moral da história» ou histórias com sentido – 11: a parábola do velho e das varas

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