Mural de rua: “nem mestres, nem patrões”

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A inscrição é simples: “Nem mestres, nem patrões”.  A “assinatura” situa  A, como em Anarcas.

Passar no jardim e ler esta inscrição cedinho pela manhã, faz interrogar  a ligação desta frase a um certo real.

Para os medievais, a frase seria estranha, porque redundante. já que, nos ofícios das corporações, mestres e patrões representava a mesma coisa. E havia  mestres-jurados faziam de guardas da integridade dos que praticavam os ofícios.  Pois que era proibido desviar clientela por fazer propaganda, açambarcar stocks ou baixar os preços – qualidade era apresentar o melhor produto pelo mesmo preço dos outros.  Por isso, algumas vezes, as diferenças eram entre as qualidades pessoais dos artesãos. Exercer uma profissão era regulamentado, principalmente para manter o equilíbrio entre os membros da corporação. “Nem mestres, nem patrões”, faria pouco sentido…

Para quem considera que o ser humano precisa de mestres para aprender, que a relação mestre-discípulo é potenciadora do desenvolvimento, também poderá ser claro que se escolhe um mestre, se desenvolve e se supera o mestre, constituindo-se um percurso de autonomização. Ninguém é discípulo de um mestre a vida toda… Portanto, o sentido da frase não será (ou não interpretaria que fosse)  o prescindir do mestre-pedagogo.

Considere-se ainda que mestres e patrões evocam linguagem maçónica… o que causa alguma estranheza se pensarmos em Anarquismo. E, de entres, um dos livros conhecidos assinale-se “Sem pátria, nem nação” ou que um dos jornais franceses órgão do anarquismo era “Ni Dieu ni Maitre”. Em Portugal, no final do século XIX, um movimento literário, periódicos e , depois, a relação com o sindicalismo e o movimento operário…

Dada uma volta à ideia, posso compreender que a inscrição se coloca num contexto de emancipação do ser humano e que se pugne por nenhum exercício de poder ou autorizade opressiva sobre as pessoas – nem mestres nem patrões, afirma o lema. Preferiria nem cores, nem cartões, nem templos, nem igrejas, nem lojas, nem …

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