Publicado em Ensino superior, Integridade académica, Investigação

integridade académica

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Este artigo (Ética e integridade na pesquisa: o plágio nas publicações científicas, Revista da AMRIGS, Porto Alegre, 57 (3): 240-245, jul.-set. 2013) é de âmbito geral, diria – pode ser que seja útil, pese embora se refira a entidades e ao percurso da preocupação da integridade académica no Brasil.  “Os Research Councils UK (20) definem plágio como “apropriação indevida ou uso das ideias, propriedade intelectual ou trabalho (escrito ou de outra forma expresso) de outrem, sem o seu conhecimento ou permissão”. Aqui, nesta definição, é curioso perceber que há referência tanto às ideias quanto à propriedade intelectual, de forma separada, como objeto passível de violação através do plágio. De todos os conceitos internacionais apresentados, verifica-se que a violação de ideias configura plágio.

Gosto partircularmente da explicitação de plágio no documento “Declaração de Princípios sobre Integridade Académica da Universidade do Porto“:

“Consideram-se incluídas no conceito de fraude académica e conduta académica imprópria as seguintes situações: (…)
2. Recorrer ao plágio, isto é, apropriar-se indevidamente da obra intelectual de outra pessoa, assumindo a autoria da mesma sem colocar os créditos para o autor original, incluindo:
• Copiar o trabalho de outrem, de qualquer natureza (texto, música, obra pictórica, fotografia, obra audiovisual, programa de computador, derivações matemáticas, etc.,) ainda que parcialmente, publicado ou não, incluindo apontamentos das aulas ou de outros trabalhos dos estudantes, sem referenciar o autor original;
• Transcrever literalmente o trabalho de outrem sem referenciar devidamente a fonte;
• Parafrasear o trabalho de outra pessoa, com pequenas mudanças de palavras ou frases, ou mudança da ordem do texto original, sem referenciar devidamente a fonte;
• Traduzir ou parafrasear textos de outra língua para a própria sem identificar com rigor esse facto;
• Utilizar ideias de outra pessoa sem referir a fonte;
• Copiar diretamente da lnternet, compondo um pasticho de fontes online, sem referenciar devidamente as fontes;
• Utilizar o trabalho produzido por outra pessoa como parte, parcial ou total, de trabalho por si submetido, sem identificar claramente o autor daquele trabalho (aqui inclui-se, por exemplo, a utilização de trabalhos encomendados a agências profissionais ou a não atribuição da autoria a outros que também contribuíram no âmbito de um projeto conjunto);” (p.1-2)

Por mais que um orientador reveja e corrija, é possível, ainda assim, que haja texto-de-copy-paste-sem-aspas, que lhe escape. O que tanto significa que há estudantes (de qualquer ciclo, seja 1º, 2º ou 3º) que persistem em fazer-se de pouca confiança como obriga a aumentar o leque dos meios de controle (e estou a pensar em software específico)  – se bem que pôr a confiança em causa talvez seja o maior dos danos.

Face ao princípio de integridade académica, importa distinguir: o papel do autor, a tarefa do professor e a aferição das consequências. O autor é de importância central e tudo depende do modo como age, como materializa o rigor, a fidelidade, a integridade. A tarefa do professor é reprovar o trabalho ou o exame, assim seja identificado plágio (aqui, coloca-se a interogação candente a todos os professores e orientadores de trabalhos: será que identificámos?) Finalmente, a questão das consequências, ou seja, das sanções associadas à violação dos princípios da integridade académica e científica. Eventualmente, serve de pouco definir uma regra se o seu incumprimento não tem consequências (deveria ser sancionado e não apenas sancionável). Ainda que seja imprescindível uma pedagogia precoce, pois será mais difícil apropriar-se do sentido de integridade académica quando o conceito não se desenvolveu desde o ensino básico e secundário, nem se requereram fontes e identificação de citações desde o início da escolaridade.

Autor:

LN é sigla de Lucília Nunes. Este blog nasceu no Sapo em 2001. Esteve no Blogspot desde 01.01.2005. Importado para Wordpress a 21.10.2007. Ligado ao FaceBook desde 13.12.2010.

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