Publicado em Foto by LN, Livros e leituras, Psicologia

“O Sentido da vida: Contexto ideológico e abordagem empírica”

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“Território da Filosofia e da Literatura, o sentido da vida começou a ser abordado, mais recentemente, pela Psicologia. Fromm (1978) é um bom exemplo. Contra a tradição psicanalítica ortodoxa, representada por Freud, que considera as pulsões sexuais como o dinamismo mais fundamental da psique, o autor de Man for himself pensa ser a necessidade de se orientar na vida a fonte mais poderosa de energia para os humanos. “Todos os homens são ‘idealistas’ – escreve (p. 49) – e esforçam-se por conseguir algo para lá da satisfação física”. Em aberta oposição à perspectiva freudiana, está também Viktor Frankl, o autor da chamada logoterapia – um tipo de psicoterapia baseada na ideia de que encontrar um sentido para a vida é uma necessidade fundamental do ser humano (Frankl, 1969, 2004).  Contribuições como estas prepararam o caminho para a psicologia positiva, que coloca o acento “nas experiências positivas e nos traços individuais positivos, bem como nas instituições que facilitam o seu desenvolvimento” (Duckworth et al., 2005, p. 630). Assim sendo, problemáticas, como as do bem-estar subjectivo, comprometimento com a vida (engaged life) e de vida com sentido, são recorrentes, nesta tendência da psicologia actual.

Após estes respigos sobre a importância do sentido da vida, é necessário aclarar o significado da expressão. Começando pelo termo vida, esta é entendida como um todo e restringida à existência humana: o que se pergunta é qual é o sentido do conjunto das acções de uma pessoa, desde o nascimento, até à morte. Reconhece-se que uma acção particular possa ter, como é, geralmente, o caso, um objectivo particular e imediato. Mas não é disso que se trata. A questão é a de saber qual a finalidade última das acções humanas.
Sem finalidade não há sentido, mas a existência de finalidade não basta para haver sentido: condição necessária, a finalidade não é condição suficiente do sentido. O mito de Sísifo ilustra o que acaba de afirmar-se. Condenado a arrastar o pedregulho, até ao cimo da montanha, a sua vida tinha uma finalidade. Mas nem por isso deixava de ser absurda, na medida em que tal finalidade era inatingível, isto é, na medida em que Sísifo tinha de repetir, indefinidamente, uma tarefa que, uma vez terminada, tinha de ser recomeçada (ao chegar ao cimo do monte, a pedra escapava-se, inutilizando todos os esforços despendidos). Mas, mesmo admitindo que Sísifo podia atingir a finalidade proposta, teria sentido a sua vida? Não, porque essa finalidade era destituída de valor – o valor é uma condição necessária (mas não suficiente) para o sentido. Portanto, a existência de finalidade e de valor não bastam para dar sentido à vida. Para além destes, é ainda necessário o desempenho activo de uma tarefa: se esta é executada, mecanicamente, sem entrega, da parte do agente, ela pode ter finalidade e valor, mas não dá sentido à vida. Há, então, sentido, quando existe finalidade exequível e com valor e entrega activa a uma tarefa (Murcho, 2006).”  (o negrito é nosso)

O Sentido da vida: Contexto ideológico e abordagem empírica
António Simões, Margarida Pedroso Lima, Cristina Maria Coimbra Vieira, Albertina
Lima Oliveira, Joaquim Luís Alcoforado & Sónia Mairos Nogueira

Artigo aqui

 

Autor:

LN é sigla de Lucília Nunes. Este blog nasceu no Sapo em 2001. Esteve no Blogspot desde 01.01.2005. Importado para Wordpress a 21.10.2007. Ligado ao FaceBook desde 13.12.2010.

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