[Faróis: alumiar os acessos a Lisboa] S. Julião da Barra

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O Forte de S. Julião da Barra, erigido no local onde existia uma ermida em honra do padroeiro dos barqueiros, S. Gião, foi construído na segunda metade do séc. XVI, na Foz do Tejo, como um reforço da defesa da cidade de Lisboa e do seu porto, tendo sido considerado como o «Escudo do Reino».

A construção de uma fortificação na ponta onde existiria uma ermida sob a invocação de São Gião, na margem direita da barra do rio Tejo, foi recomendada por D. Manuel I (1495-1521) a seu filho e sucessor, D. João III (1521-1557).

Em 1549, D. João III criou o cargo de Mestre das Obras de Fortificação do Reino, lugares d’Além e Índias que confiou ao renomeado arquitecto Miguel de Arruda. Sabe-se que em 1559 foi lançado um tributo especial para uma edificação mais rápida e em 1568 era dada como concluída. Obras complementares prosseguiram em 1573, quando nas masmorras do forte eram detidos aqueles que aguardavam degredo, ocupados em trabalhos forçados nas obras da própria estrutura.

As tropas espanholas sob o comando do Duque de Alba cercaram o Forte pelo lado de terra, tendo se rendido ao fim de seis dias (13 de Agosto de 1580).  O Duque de Alba entregou ao arquitecto Giácomo Palearo o reforço da defesa do forte – foi corrigido o traçado do fosso, erguidas novas baterias, ampliou as defesas do flanco oeste. A partir de 1582 adicionaram-se os baluartes sob a invocação de São Filipe e de São Pedro. A partir de 1597 o engenheiro militar e arquiteto Leonardo Torriani, assumiu a direção das suas obras de ampliação e reforço. No conjunto, essas obras transformaram o Forte de São Julião na maior e mais poderosa fortificação do reino de Portugal, à época. No mesmo período, as instalações da fortificação passaram a ser utilizadas como prisão política do Estado português, função que se manteve nos séculos seguintes até à 1ª República portuguesa.

Na altura da Restauração da Independência, o Forte sofreu segundo cerco por terra, pelas tropas leais ao Duque de Bragança (Dezembro de 1640). E teve mais obras, a seguir.

O terramoto de 1755 causou graves danos, incluindo a queda do farol e da respectiva torre que se elevava no centro da praça. As obras de recuperação do farol implicaram na elevação da sua torre em trinta palmos de altura (cerca de seis metros), tendo voltado a funcionar em 1761.

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Quando do início da Guerra Peninsular, as tropas francesas de Napoleão Bonaparte, sob o comando do general Jean-Andoche Junot, alcançaram os limites de Lisboa a 30 de Novembro de 1807, tendo a vila de Oeiras e o Forte de São Julião sido transformados em Quartel-General das tropas de ocupação francesas sob o comando do general Jean-Pierre Travot, enquanto a barra do rio Tejo era bloqueada pela marinha inglesa. O forte só passou para as mãos britânicas após a Convenção de Sintra, em 2 de Setembro de 1808.

A partir de 1809, o Forte de São Julião, o mais importante da linha de Oeiras (que constituía a terceira das quatro linhas defensivas de Lisboa, as famosas Linhas de Torres), voltou a ter um Governador militar português.

Desde os meados do séc. XVIII funcionou essencialmente como aquartelamento e prisão de Estado. Um dos detidos mais famosos foi o general Gomes Freire de Andrade, acusado de suposto envolvimento numa conspiração contra a presença inglesa. Executado, o seu corpo foi queimado e as suas cinzas deitadas ao rio Tejo em 18 de Outubro de 1817.

Mais recentemente, residência oficial do Ministro da Defesa Nacional.

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Fotos agosto 2015

Cf.
De sinalizador a atractivo cultural: faróis portugueses numa perspectiva turística

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