“Matrizes das crenças em Portugal”

matrizes
“Neste ensaio, toma-se o termo enquanto categoria antropológica que visa identificar uma forma humana de habitar e interpretar o mundo e construir nele relações. O seu poder explicativo depende, no entanto, da consideração de uma tríplice distinção: o «crer» como acto fundante e estruturante do sujeito humano, a «crença» como prática social e institucionalização do crer, e as «crenças» como enunciados produzidos pelos interlocutores sociais na sua condição de «crentes».
Esta formulação do problema implica a consideração do «acto de crer», anterior a qualquer forma de institucionalização contratual, como gesto que se
situa no nível mais elementar da constituição da socialidade humana, acto pelo qual o indivíduo constitui a sua subjectividade em virtude do reconhecimento de uma alteridade. Crer, enquanto prática da diferença, é sempre um relacionar-se com o outro («actor», pessoa em que se confia; «referencial», realidade em que se acredita; um «dizer» ou um «dito», algo em que se faz confiança); é dar e esperar retribuição; nesse intervalo, encontramos o campo da articulação simbólica que permite a institucionalização do crer, ou seja, a crença – é esta a estrutura dos sistemas de crenças.”

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