“Resgates sociológicos do corpo”

analisesocial.ics.ul.ptf“O corpo, na sua condição expressiva, envolve sempre a co-presença de outros. Apesar de ser o signo de referência e reverência da individualidade, através do qual o self se reconhece enquanto si-próprio, o corpo participa com igual valor simbólico na apresentação de si ao mundo pela visibilidade que o implica em situações de interação social. A apresentação do corpo, ou a sua “fachada”, como lhe chama Goffman (1993 [1959], 1988 [1963]), potencialmente investida de uma variedade de significados, ocupa um lugar privilegiado na troca simbólica intrínseca à vida social. Contextualizado e interpretado num conjunto específico de convenções, representações e valores sociais representativos de uma dada cultura somática, o corpo dá-se a ver, a ser percebido e etiquetado segundo categorias de perceção e sistemas de classificação social, nele também ganhando expressão privilegiada categorias historicamente reificadas como as de género, raça ou idade, por exemplo. O corpo torna-se, assim, num eixo axial de categorização no âmbito das relações sociais quotidianas, nomeadamente das que são vividas face a face, ou melhor, corpo a corpo, no decorrer dos ritos de interação – essa “classe de acontecimentos que têm lugar aquando de uma co-presença e em virtude dessa co-presença” (Goffman, 1974, p. 7).”

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“Este artigo pretende traçar o percurso conceptual que conduziu à desnaturalização do corpo de um ponto de vista sociológico e à sua autonomização enquanto objeto de estudo e área disciplinar específica no âmbito da sociologia. O resgate do corpo enquanto mero organismo biológico, caro às ciências biomédicas, por parte desta ciência social começou pela elaboração do conceito de “corporeidade”, posicionando o corpo enquanto construção sociocultural situada no tempo e no espaço; os conceitos de “incorporação” e de “excorporação” dão conta dos paradigmas que resgataram o corpo enquanto lugar de exercício de poder e que o posicionaram no debate entre estrutura e ação social; o conceito de “encarnação” resgata o corpo à mera condição de “objeto” ou “acessório” inerte a que os paradigmas construtivistas mais radicais o haviam remetido.”

Resgates sociológicos do corpo: Esboço de um percurso conceptual.

 

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