“A utilidade dos ataques suicidas : Condições e limites” [tese PhD]

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Introdução

“Uma discoteca em Bali explode no auge da noite. Dois imensos arranha-céus desaparecem do horizonte de Nova Iorque. Em Londres e Madrid, bombas impedem transportes públicos de cumprir os percursos programados. Nenhuma protecção diplomática impede a detonação de embaixadas em Nairobi, Beirute ou Dar es Salaam. Em Bagdade e Cabul ou em Telavive e Sana, o quotidiano de pessoas vulgares, frequentemente, termina perante inesperadas detonações. Do quotidiano de todos, em todas as cidades do mundo, faz parte o convívio mediático com este fenómeno em expansão nas últimas décadas: os ataques suicidas. Indiscriminada destruição tem-se propagado a todas as latitudes, provocando irreparáveis danos, desregulação de rotinas e incontáveis prejuízos financeiros, em nome de uma ideologia ou de uma fé, chaves de sociedades mais perfeitas. Mas, pergunta-se, quais os resultados obtidos por toda esta devastação? Torres desaparecidas, comboios descarrilados, embaixadas aniquiladas e vidas desperdiçadas serviram exactamente para quê? O que conseguiram, afinal, os grupos terroristas perpetradores de tantos atentados? O califado, por tantos, desejado? Ou, talvez, a destruição do estado de Israel, ambicionada por outros? Apenas a ampliação de uma mensagem? Nada? Este é o tema desta investigação. Apurar o que os grupos terroristas, no fim de contas feitas, conseguiram, de facto, obter através de ataques suicidas. Aferir da utilidade de um método cada vez mais popular, encontrar as condições que lhe oferecem o êxito, se o houver, averiguar as condições que o conduzem ao fracasso que seguramente existe. Tentar encontrar regularidades, causalidades e limites que permitam compreender o mecanismo subjacente na relação entre ataques suicidas e resultados políticos alcançados. Os temas do terrorismo e do terrorismo suicida têm, nas últimas décadas, merecido da academia múltiplas e aprofundadas investigações. Multiplicam-se estudos etiológicos e análises teleológicas; examinam-se as tácticas empregues e segurança a adoptar. Sem erro, pode-se afirmar que, enquanto objecto de estudo, o fenómeno do terrorismo suicida tem sido decomposto em infinitas partes e minuciosamente interpretado à luz de distintas lentes e ângulos, configurando um verdadeiro esforço de confluência multidisciplinar. Ainda sem erro se pode afirmar que todo o esforço de investigação realizado, elevou, significativamente, o conhecimento deste fenómeno
complexo, de contornos multiformes e tantas vezes difuso, para mais altos níveis de compreensão.
Não obstante o número e a amplitude de tantas investigações, o estudo sobre a temática dos resultados do terrorismo e do terrorismo suicida tem estado notavelmente ausente das preocupações da academia, ou, ao menos, do olhar sistemático e rigoroso que só uma abordagem científica pode oferecer. De facto e surpreendentemente, só nos últimos anos se começaram a dar os primeiros passos para preencher esta evidente lacuna. Surpresa que resulta das evidentes vantagens que o apuramento da utilidade do terrorismo suicida aportaria a investigadores e académicos, a políticos e polícias. Saber da utilidade do terrorismo suicida, das condições dos seus êxitos e desditas, das virtualidades e limites de que é tecido, representa um imprescindível passo na edificação do conhecimento sobre a temática do terrorismo. Avanço conceptual que permitiria prever, mesmo que de forma algo inexacta ou incipiente, afinal estamos no domínio das ciências sociais, as virtuais consequências de uma nova campanha de ataques suicidas. Avanço conceptual que permitiria, ainda que imprecisamente, prognosticar tendências, construir expectativas e probabilidades sobre eventuais cenários futuros de uma campanha de terrorismo suicida. Este é o sentido orientador desta investigação. Participar, ainda que com um diminuta contribuição, no enorme desafio de descoberta que se coloca à academia.”
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A utilidade dos ataques suicidas : Condições e limites

Esta investigação procura apurar os resultados políticos obtidos por campanhas de ataques suicidas perpetradas por grupos terroristas. Foram escolhidos todos os grupos terroristas que operando no Médio Oriente, realizaram mais de vinte ataques durante a sua existência. Todas as campanhas foram classificadas em função dos objectivos políticos perseguidos, determinados através da análise de fontes primárias. Os resultados obtidos foram confrontados com os objectivos procurados e classificados em três categorias: sucesso, fracasso e neutro. Numa avaliação geral, são propostas condições, regularidades e limites que ajudam a explicar o desfecho das várias campanhas realizadas.

 

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