«Pão-por-Deus», da nossa memória coletiva

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Lembro-me bem do «pão-por-Deus», peditório do dia 1 de novembro, Dia de Todos os Santos ou de Finados. De levantar cedo, porque era de manhã que se saía a pedir pão-por-Deus.

E havia quem soubesse recitar versos e quadras, a troco das quais se recebia pão, broas, bolos, nozes, amêndoas ou castanhas,  que se punham em sacos de pano, e passava-se à porta do lado…

Por isso, havia quem chamasse «Dia dos Bolinhos» – e os bolinhos eram confecionados especialmente para o dia, com farinha e erva doce com mel ou, como há quem conte, com batata doce, abóbora e frutos secos.

Consta que a tradição começou em Lisboa em 1756 – 1 ano depois do terramoto que ocorreu a 1 de novembro de 1755, cuja data coincidiu com o Dia de Todos os Santos – quando a população aproveitou a solenidade do dia para desencadear, por toda a cidade, um peditório, com a intenção de minorar a situação de fome e pobreza.  E as pessoas pediam: “Pão por Deus”. (fonte aqui)

Esta tradição propagou-se a todo o país e prolongou-se nos séculos.

Do que sei,  na década de 60 (do século XX) só as crianças até aos 10 anos  podiam pedir o “Pão-por-Deus” e durante a manhã.

A partir dos anos 80, a tradição foi desaparecendo e há uns 20 anos começou-se a assistir à comemoração do Halloween.

Uma certa forma de “estrangeirismo” que ganhou à memória coletiva….

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Pão por Deus,

Fiel de Deus,

Bolinho no saco,

Andai com Deus.

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Lá vai o meu coração
Sozinho sem mais ninguém
Vai pedir o Pão-por-Deus
A quem quero tanto bem

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Pão por Deus
Que Deus me deu
Uma esmolinha
Por alma dos seus

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«Bolinhos e bolinhós

Para mim e para vós.

Para dar aos finados

Qu’estão mortos, enterrados.

À porta da bela cruz

Truz! Truz! Truz!

A senhora que está lá dentro

Assentada num banquinho.

Faz favor de s’alevantar

P’ra vir dar um tostãozinho.”

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Para lá das pinhas…

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Duas pinhas, que estavam debaixo da mesma árvore, a escassos palmos uma da outra.

E ao ver ambas, hoje à tarde, com tanto e tão pouco em comum,  ocorreu-me a frequência com que acontece experienciarmos grandes diferenças em ambientes semelhantes.

Para lá das pinhas, a metáfora das posturas face à vida, aos outros, ao sol…

Toponímia[s]

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Ia falhando este letreiro… Tão distraída estava com o nome de “Rua da Estrada” (Vila Velha de Ródão), nome que a EM 18 toma entre a saída da ponte e a saída da vila…

O nome pareceu-me curioso: Senhora da Alagada…

Diz a lenda, que a Senhora da Alagada terá sido lançada ao Tejo em Espanha, dentro de uma caixa, para escapar à invasão muçulmana, aparecendo ali, em Vila Velha de Ródão, junto de uma oliveira. A imagem foi levada para a Igreja Matriz da Vila, mas voltou ao mesmo local, tendo-se repetido este facto por duas vezes. Por isso, foi então erigida aqui uma capela, no local onde a imagem apareceu. A Virgem da Alagada passou a ser a padroeira da vila, sendo representada com o sol e uma âncora na mão.

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