Publicado em Avaliação da qualidade, Blogoesfera

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aqui perto,
Avaliação da Qualidade no Ensino Superior: Avaliar para quê? (1 de 4)
“Ao longo destas quatro entradas, serão brevemente discutidos mecanismos e objectivos da avaliação da qualidade no Ensino Superior, confrontando-se estes com a utilização de informação recolhida neste tipo de processos e, por conseguinte, com as eventuais consequências. “
Obrigada, LMoutinho, mesmo a calhar…

Publicado em Avaliação da qualidade, Educação, Gestão

TQM – Total Quality Management – e Educação

TQM parece-me uma proposta de virar o olhar e dar amplitude ao pensar para uma perspectiva de Qualidade Total.
Um processo de melhoria contínua da qualidade (raciocínio de onde vínhamos, com o benchmarking) tem de ser global e baseado numa avaliação sistemática, igualmente global, que supõe uma “cultura de qualidade”, a nível institucional.

Por isso, a TQM colide com a visão tradicional de «linha» e de controle de qualidade com “inspecções” – considera-se que a melhor estratégia é focar os processos (auditorias) em vez de ficar totalmente focado no «produto» ou nos resultados (muito embora, o “árbitro do sucesso” venha a ser a excelência do produto final).

Mas se a qualidade fôr redefinida em termos de sistemas e processos auditáveis, mais do que estritamente nos resultados…
… será que o efeito pode ser desenvolver iniciativas (e melhores práticas) que promovam os resultados mais do que definir os resultados standard das práticas?
E isto seria relevante para o ensino.
Até porque parece impossível encontrar pontos de consenso sobre o que é realmente a qualidade (isto é, a excelência) do ensinar e do «como é que se mede».

Poderíamos pensar em sair dos terrenos dos resultados quantitativos para um sistema de práticas – um sistema cujos principais elementos possam ser planeados, documentados, monitorados e auditorados. Aliás, a aplicar a Quality Assurance, trata-se de ver o ensino conceptualizado a partir das actividades e sistemas que podem ser “transparentes” para auditoria (cumprindo critérios de compreensão e documentação).

Também depende do que se vê como (da visão sobre) «qualidade» – há quem a coloque ao nível da aula, da experiência do professor – atrever-me-ia a dizer que ao nível operacional micro.
Ora, o que acontece se se deslocar para o projecto pedagógico da organização? para o projecto científico global?

Sendo resultado de vários processos, a TQM é fruto das relações aos diversos níveis entre as pessoas envolvidas – professores, funcionários, estudantes, extensão em projectos à comunidade. Toda a gente conta, ou melhor, todos os processos e intervenientes contam…

Riscos? Bom, oiço falar na «empresarialização» e fico a pensar na analogia da escola com uma empresa. E é analogizável?! Ou não?! (matéria de desvio, ainda que interessante…)

Os processos de certificação dos hospitais, por exemplo, pelo King’s Fund ou pela Joint Comission, obrigaram a rever e a documentar processos. E o processo é global…
Pode ser separada a ferramenta da lógica empresarial?
Julgo que sim… visto de onde me é dado ver.
Quem é auditorado? a organização no todo.

O que daí resulta? propostas de melhoria e prazos para corrigir, por exemplo.
Metas? avaliar, chegar à certificação, desenvolver…

Lockwood (1992) definiu 14 pontos de efectiva aplicação do TQM nas escolas, por analogia ao enquadramento da gestão. Tomo a liberdade de não os traduzir…

1 Aim at creating the best quality students who will take up meaningful positions in society.
2. Have managers who become leaders for change.
3. Abolish grading and the harmful effects of rating students.
4. Provide learning experiences to create quality performance
5. Minimize the total cost of education by working to improve the relationship with student sources and the quality of students coming into your system.
6. Consistent]y strive to improve the service provided to students.
7. Institute on the job training for all: teachers, administrators and students.
8. Institute leadership rather than “boss management.”
9. Create an environment that is free from coercion and fear.
10. Encourage team-teaching and, by so doing, eliminate the barriers between teachers or departments.
11. Eliminate competitive slogans, exhortations and pull-out programs since these breed adversarial relationships.
12. Eliminate work standards (quotas) as well as adherence to the “normal curve” model.
13. Change the focus in education from quantity to quality and by so doing remove barriers that deprive students, teachers and school administrators of their pride in workmanship.
14. Involve everyone in transforming the school into a quality environment.

E de os comentar, no global…

Diria que a missão primeira é de um olhar para diante, de pensar que os estudantes terão lugares significativos na sociedade, que quem gere assume liderança, que se procuram experiências qualificantes de aprendizagem e desenvolver metodologias activas para professores e estudantes (como o on-job-training)…
Ah, e como gosto de um ambiente livre e aberto, do brio em trabalhar-naquele-sítio e do trabalho em equipa (team-teaching) que possa (também) tornar conhecidos e familiares os vizinhos (e as metodologias) do departamento do lado.
Provocativos: a abolição de rankings e de slogans de competição.
O desafio é transformar a escola num ambiente de qualidade – do ponto de vista científico e pedagógico, acrescentaria.

Continuo a pensar que TQM, QA e Benchmarking são conectáveis.
TQM é uma concepção macro, que utiliza certas ferramentas…

Para uma olhadela mais atenta

Code of practice for the assurance of academic quality and standards in higher education
http://qaa.ac.uk/academicinfrastructure/codeOfPractice/default.asp

Total Quality Management and Invitational Theory: Common Ground
http://www.invitationaleducation.net/publications/journal/v21p29.htm

Applying Total Quality Management In Academics
http://www.isixsigma.com/library/content/c020626a.asp

Ronald Pollock’s Online Resources about Quality Managemente & Performance Excellence
http://www.gslis.utexas.edu/~rpollock/tqm.html

Institutional audit: England and Northern Ireland