Nascido do dia: Viktor Frankl

Viktor Emil Frankl nasceu a 26 de março de 1905, em Viena, numa família austríaca judia, tendo duas irmãs mais velhas. Cedo (aos 15 anos) começou a corresponder-se  com Sigmund Freud mais ao menos ao tempo em que se tornou membro ativo de organizações de trabalhadores socialistas. Aos dezasseis anos fez a sua primeira palestra, Sobre o Sentido da Vida, para o partido socialista.

Em 1925, estudante de Medicina, encontrou-se pessoalmente com Freud e aproximou-se do círculo liderado por Alfred Adler, um dos primeiros grandes dissidentes de Freud, chegando a publicar, nesse intervalo, dois trabalhos no Internationale Zeitschrift für Individual psychologie. O nome “logoterapia” foi utilizado por Frankl, pela primeira vez, numa conferência realizada em 1926. Não concordando com o que entendia pelo “psicologismo” da proposta de Adler, em 1927 foi expulso da Associação.

Frankl passou a organizar os chamados postos de aconselhamento para a juventude, a fim de oferecer uma alternativa de enfrentamento ao considerável número de suicídios entre os jovens estudantes da época. A experiência de Viena teve muito sucesso e espalhou-se por várias cidades, como Zurique, Berlim, Frankfurt e Budapeste, chamando a atenção de alguns nomes importantes da época, como o de Wilhelm Reich, que convidou Frankl a conversar sobre o tema em Berlim.

Paralelamente aos estudos em medicina, Frankl foi um leitor voraz de obras filosóficas – na sua biografia intelectual, citou, entre outros, Kant, Heidegger, Fechner, Kierkegaard, Nietzsche, Schopenhauer, Gabriel Marcel e Buber. Contudo, foi a leitura da obra de Max Scheler que, definitivamente, influenciou os contornos que a logoterapia viria a ter – Frankl chegou a afirmar que foi Scheler quem “o despertou do sono psicologista”.

Fez o estágio em psiquiatria e neurologia,sob a direção de Otto Pötzl, tendo a liberdade para pesquisar experimentalmente novas formas de abordagem de psicoterapia na Clínica Universitária de Viena.

Já formado, em 1933, ingressou no Hospital Steinhof, onde dirigiu o pavilhão 3, conhecido como o corredor das suicidas, lá desenvolvendo uma ampla visão diagnóstica sobre o tema.

Em 1937, iniciou atividade em clínica particular, mas não pode exercê-la por muito tempo, pelo que aceitou, em 1940, o cargo de diretor do setor neurológico do Hospital Rotschild, posição que o protegeu, por algum tempo, da deportação aos campos. Com Pötzl, organizou várias manobras para sabotar a eutanásia de doentes mentais ordenada pelas autoridades nacional-socialistas. Mesmo tendo visto para viver nos Estados Unidos, Frankl decidiu ficar no país, não abandonando os seus pais.

Em 1942, foi deportado para o gueto de Theresienstadt juntamente com a família. Esse local era considerado a porta de entrada para os campos de extermínio e permaneceu lá durante vinte e cinco meses até ser transferido, em outubro de 1944, para Auschwitz-Birkenau (prisioneiro nº 119.104).

No final da guerra, tinha perdido a mulher, os pais e o irmão nos campos. A outra irmã sobreviveu em Itália e depois imigrou para a Australia. Viktor passou três anos sob condições terríveis e trabalho forçado, tendo sido transferido para 4 campos, incluindo Auschwitz (onde o irmão e a mãe foram mortos) e dependências de Dachau (Kaufering e Turkhein) onde permaneceu até 27 de abril de 1945, quando foi libertado.

Conseguiu roubar alguns papéis e escrever as ideias principais da sua obra-prima, escrita depois em nove dias e lançada em 1946 – Em Busca de Sentido.

Nos anos seguintes, Frankl casou-se, teve uma filha, conseguiu o título de doutor em filosofia (em 1948, com a tese  “O Deus inconsciente”), tornou-se professor de neurologia da Universidade de Viena (em 1955), fundador e presidente da Sociedade Austríaca de Medicina Psicoterapêutica. A logoterapia tornou-se um método de tratamento estudado e respeitado pela comunidade científica e académica e, sendo considerada a terceira escola da terapia vienense, sucedendo-se a Sigmund Freud e Alfred Adler.

Titular da Universidade de Viena (onde encerrou atividade docente em 1996), foi professor visitante de diversas universidades americanas, entre as quais Harvard, San Diego e Pittsburgh. Em 1979, foi indicado para o Prémio Nobel da Paz, o qual, na ocasião, foi atribuído a Madre Teresa de Calcutá (que escreveu ao comité sueco renegando o prémio em favor de Frankl, pedido que, obviamente, não foi acolhido).

Morreu em Viena, a 2 de setembro de 1997.  Obituary

Biography of Viktor Frankl, the Father of Logotherapy

Biography

Viktor Frankl and the Reasons to Choose Life

What Viktor Frankl’s logotherapy can offer in the Anthropocene

A vontade de sentido na obra de Viktor Frankl

 

Nascido do dia: Maurice Merleau-Ponty

Maurice Merleau-Ponty nasceu a 14 de março, em Rochefort-sur-Mer e morreu a 3 de maio de 1961, em Paris. Formou-se em filosofia em 1930, tendo sido  colaborador da Revista Espirit. Foi mobilizado para a 2ª Guerra Mundial entre 1939 e 1940. Depois, ensinou quatro anos no Liceu Carnot e participou da resistência contra a ocupação nazi. Lecionou no Liceu de Beauvais de 1931 a 1933, no Liceu de Chartres de 1934 a 1935 e na Escola Normal Superior de 1935 a 1939. Em 1945, quando se doutorou, foi nomeado diretor de cursos e conferências da Universidade de Lyon (da qual se tornou professor titular em 1948). Nessa época, fundou, com Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, a revista Les Temps Modernes, da qual foi assíduo colaborador. A partir de 1949 ingressou na Universidade de Paris. Depois na Sorbonne, de 1949 a 1952, e em 1952 ficou com a cadeira de filosofia no Collège de France. Morreu com 53 anos, vítima de embolia.

A principal obra de Merleau-Ponty, La phénoménologie de la perception, tese de doutoramento publicada em 1945, no mesmo ano em que, a 13 de Março, proferiu a conferência “Le cinéma et la nouvelle psychologie” (posteriormente publicada em Sens et Non-Sens, 1966).

o cinema está particularmente apto a manifestar a união do espírito e do corpo, do espírito e do mundo e a expressão de um no outro. Eis porque não é surpreendente que a crítica possa evocar a filosofia a propósito de um filme”(1966: 105). No entanto, a reflexão sobre as artes em Merleau-Ponty está imediatamente associada à pintura, principalmente a Le doute de Cézanne e a L’œil et l’esprit, textos dedicados exclusivamente à pintura.  (fonte aqui)

“A mais importante aquisição da Fenomenologia é, sem dúvida, a de ter juntado o extremo subjectivismo e o extremo objectivismo na sua noção do mundo ou da racionalidade.”(Merleau-Ponty, 1945: XV) O retorno às coisas abandonadas pela modernidade filosófica supõe uma consciência capaz de ir ao fundo de si mesma, reconhecendo-se,em primeiro lugar,como uma entidade viva, como um eu posso antes de ser um eu penso.

Merleau-Ponty (1908-2008)

Efeméride do dia – Alexander Graham Bell

A 3 de março de 1847, nasceu Alexander Graham Bell, em Edimburgo.

Em 1870 mudou-se, com a família, para o Canadá e uns anos mais tarde para os Estados Unidos, continuando, em Boston, as pesquisas no campo das comunicações.  As suas experiências culminaram na invenção do «photophone», transmissão do som num feixe de luz – um precursor dos sistemas de fibra óptica actuais.

Bell teve 18 patentes em seu nome e 12 com colaboradores – incluem-se 14 para o telefone e o telégrafo, quatro para o photophone, uma para o fonógrafo, cinco para veículos aéreos, quatro para hidroaviões, e duas para uma pilha de selénio.

Patenteou o telefone nos Estados Unidos no início de 1876, e por estranha coincidência, Elisha Gray submeteu no mesmo dia uma outra patente do mesmo género. A patente de Bell foi contestada repetidamente – o caso mais importante foi o de Antonio Meucci, emigrante italiano, que demonstrou com forte evidência que em 1849, em Havana tinha experimentado a transmissão de voz pela corrente elétrica.  O reconhecimento oficial de Antonio Meucci como inventor do telefone só foi declarado em 2002, com a resolução n°. 269 do Congresso dos Estados Unidos.

Em 1888, Bell foi um dos membros fundadores da National Geographic Society (e segundo presidente).

Nascido do dia: Arthur Schopenhauer

Arthur Schopenhauer nasceu a 22 de fevereiro de 1788 em Gdansk e morreu a 21 de setembro de 1860, em Frankfurt.

Filósofo alemão do século XIX, conhecido pela obra principal “O mundo como vontade e representação” (1818), em que caracteriza o mundo fenoménico como produto de uma vontade metafísica, cega, insaciável e maligna. A partir do idealismo transcendental de Imannuel Kant, Schopenhauer desenvolveu um sistema metafísico ateu e ético, descrito como pessimismo filosófico. Introduziu conceitos budistas na metafísica alemã, tendo sido fortemente influenciado pela leitura das Upanishads. Acreditava no amor como meta na vida, mas não acreditava que tivesse algo a ver com a felicidade.

Apesar de ser mais conhecido, atualmente, pela obra O Mundo como Vontade e Representação, foi com a publicação de Parerga e Paralipomena, no final de 1851, que ficou amplamente conhecido e famoso ainda em vida. Nesta obra discorreu sobre uma multitude de assuntos, desde temas relacionados com o ensino universitário, a escrita, a sociedade em que vive, reviu conceitos que outrora defendera e providenciou conselhos aos leitores sobre como levar uma vida o mais isenta de sofrimento possível.

Schopenhauer’s influence on later nineteenth-century and early twentieth-century artists has been greater than that of any other philosopher: Tolstoy, Turgenev, Zola, Maupassant, Proust, Hardy, Conrad, Mann, Joyce and Beckett all admired and were influenced by his work. Subservient to the Christian doctrine of a wholly powerful, benevolent world-creator, the Western philosophical tradition has been compelled to conclude that we live in the best of all possible worlds. In Schopenhauer, the artists found a philosopher who, for the first time, revealed how far this was from the truth. The artist who engaged most deeply with Schopenhauer was Richard Wagner (himself a philosopher of genuine ability). Originally a socialist-anarchist who narrowly escaped execution for his role in the 1848 Revolution, Wagner discovered Schopenhauer in the middle of writing the Ring cycle. The result was a work that begins as an argument in favour of utopian anarchism, and ends by advocating, as Wagner wrote to a friend, “the final negation of the desire for life”. This, he wrote, is “the only salvation possible . . . freedom from all dreams is the only final salvation”. Wagner’s ardent disciple, the youthful Friedrich Nietzsche, dedicated his first book, The Birth of Tragedy, to Wagner and wrote it “in Schopenhauer’s spirit and to his honour”. The mature Nietzsche’s turn against Schopenhauer and towards “life-affirmation” terminated his friendship with Wagner.

Schopenhauer was, I believe, the first European Buddhist (the first translations of the Hindu and Buddhist texts began to appear as he was writing the main work). To live, he tells us, is to will, and to will is to participate in the anxious, exhausting and endless Darwinian struggle that only the fittest survive. The pleasures of achieving a goal are either fleeting or non-existent. And once achieved, we must rush on to the next goal in order to escape the ever-present threat of boredom. Life is a treadmill; the “wheel of Ixion” never stands still. But this, Schopenhauer tells us, is a game we do not have to play. We can withdraw from the life of willing into a life of contemplation – “mindfulness”, in current jargon – a withdrawal which, for the enlightened, will complete itself in easeful death. At its deepest level, says Schopenhauer, his philosophy, like Socrates’, is a “preparation for death”.

Julian Young, Arthur Schopenhauer: The first European Buddhist

Cf. Internet Encyclopedia of Philosophy

   

Nascido do dia: Alfred North Whitehead

Alfred North Whitehead nasceu a 15 de fevereiro de 1861, em Ramsgate, e morreu em Cambridge, a 30 de dezembro de 1947. Filósofo, lógico e matemático britânico, fundador da escola filosófica conhecida como a filosofia do processo, atualmente aplicada em vários campos da ciência, como na ecologia, teologia, pedagogia, física, biologia, economia e psicologia.

No início da carreira dedicou-se à matemática, à lógica e à física. O primeiro grande trabalho foi O Tratado sobre a Álgebra Universal (1898), onde se propôs a unificar a álgebra, ainda que o seu trabalho mais notável sobre o assunto seja o Principia mathematica (1910–1913), escrito com a colaboração do antigo aluno Bertrand Russell.

Entre fins da década de 1910 e o início dos anos 1920, enveredou pela filosofia da ciência, dedicando-se à filosofia da natureza – Os Princípios do Conhecimento Natural (1919) e O Conceito da Natureza (1920). Em Os Princípios da Relatividade (1922) fez uma abordagem crítica à teoria da relatividade de Albert Einstein.

A sua Magnum Opus, Processo e Realidade (1929) é considerada a fundadora da filosofia do processo. Whitehead não procura explicar a teoria do conhecimento mas antes a experiência em si, distinguindo-se da metafísica de Immanuel Kant.

A filosofia do processo de Whitehead pressupõe que “é urgente ver o mundo como uma rede de processos interdependentes da qual fazemos parte, e todas as nossas escolhas e nossas ações têm consequências onde vivemos“. Por essa razão muito influenciou os estudos da ecologia, sobretudo na ética ambiental de John B. Cobb.

Alfred North Whitehead (Stanford Encyclopedia)

Alfred North Whitehead

Thus nature is a structure of evolving processes. The reality is the process. It is nonsense to ask if the colour red is real. The colour red is ingredient in the process of realisation. The realities of nature are the prehensions in nature, that is to say, the events in nature…

An event has contemporaries. This means that an event mirrors within itself the modes of its contemporaries as a display of immediate achievement. An event has a past. This means that an event mirrors within itself the modes of its predecessors, as memories which are fused into its own content. An event has a future. This means that an event mirrors within itself such aspects as the future throws back onto the present, or, in other words, as the present has determined concerning the future. Thus an event has anticipation…

These conclusions are essential for any form of realism. For there is in the world for our cognizance, memory of the past, immediacy of realisation, and indication of things to come.

I propose in the first place to consider how the concrete educated thought of men has viewed this opposition of mechanism and organism. It is in literature that the concrete outlook of humanity receives its expression. Accordingly it is to literature that we must look, particularly in its more concrete forms, namely in poetry and in drama, if we hope to discover the inward thoughts of a generation…A scientific realism, based on mechanism, is conjoined with an unwavering belief in the world of men and of the higher animals as being composed of self-determining organisms. This radical inconsistency at the basis of modern thought accounts for much that is half-hearted and wavering in our civilisation…

Of course, we find in the eighteenth century Paley’s famous argument, that mechanism presupposes a God who is the author of nature. But even before Paley put the argument into its final form, Hume had written the retort, that the God whom you will find will be the sort of God who makes that mechanism. In other words, that mechanism can, at most, presuppose a mechanic, and not merely a mechanic but its mechanic. The only way of mitigating mechanism is by the discovery that it is not mechanism.

When we leave apologetic theology, and come to ordinary literature, we find, as we might expect, that the scientific outlook is in general simply ignored.

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Nascido do dia: Hans-Georg Gadamer

 

Hans-Georg Gadamer nasceu a 11 de fevereiro de 1900, em Marburgo e morreu em Heidelberg, a 13 de março de 2002. Não tenho ideia se se lembram dos obituários, como do The Guardian, do Telegraph ou Independent.

The life of Hans-Georg Gadamer is synonymous with a century of German philosophy, from Neo- Kantian origins to his apprenticeship with his brilliant but flawed mentor Martin Heidegger and to the formulation of an influential new approach to a philosophy of understanding (hermeneutics), from moderate German nationalism to socialism and a critical stance towards globalisation.

His life is also distinguished not only by his own magnum opus, Wahrheit und Methode (Truth and Method, 1960), but also by his facility in practising the personal and philosophical dialogue he had preached in his relations with his many pupils, many of whom, Jürgen Habermas among them, came to great prominence themselves.(aqui)

Gadamer é considerado um dos maiores expoentes da hermenêutica e a sua obra de maior impacto parece ser Verdade e Método (Wahrheit und Methode), de 1960, onde elabora uma filosofia propriamente hermenêutica, que trata da natureza do fenómeno da compreensão.

Not until the age of 60 did his magnum opus appear: Truth and Method, a vindication of hermeneutics, or the study of interpretation, a classic of 20th-century philosophy. Gadamer traced his intellectual lineage back to Plato and Aristotle, but even as a centenarian he was alive to the challenges of modernity.

At the heart of Truth and Method lies Gadamer’s defence of the concept of prejudice. Only the Enlightenment, he argues, with its “prejudice against prejudice” gave the concept its present negative connotation. Romanticism, especially in Germany, reversed the Anglo-French Enlightenment’s priority of reason over myth, but perpetuated the same dualism.

For Gadamer, by contrast, “the prejudices of the individual, far more than his judgments, constitute the historical reality of his being”. It is impossible to understand the world we live in, let alone our place in it, without authority and tradition. “History,” he declared, “does not belong to us; we belong to it.”

Gadamer’s philosophy passes seamlessly into classical philology and the history of ideas. “Our historical consciousness is always filled with a variety of voices in which the echo of the past is heard,” he wrote. “Only in the multifariousness of such voices does it exist.” (aqui)

Um dos mais importantes pensadores do século XX, teria sido sempre reticente a falar de si próprio. Gadamer cresceu em Breslávia, onde o pai foi professor de farmácia na Universidade, assumindo posteriormente a cadeira de Química Farmacêutica. A mãe morreu de diabetes quando ele tinha quatro anos e não teve irmãos ou irmãs sobreviventes. Começou os estudos universitários em Breslau em 1918 (com Richard Hoenigswald), mudando-se para Marburgo com o pai em 1919. Completou estudos de doutoramento em Marburgo em 1922, com uma dissertação sobre Platão. Nesse mesmo ano, contraiu poliomielite, da qual recuperou lentamente, sendo os efeitos posteriores da doença permanentes para o resto da vida.

Os primeiros professores de Gadamer em Marburgo foram Paul Natorp e Nicolai Hartmann. No entanto, foi Martin Heidegger (em Marburgo de 1923-1928) que exerceu o efeito mais importante e duradouro no desenvolvimento filosófico de Gadamer. Foi assistente não remunerado de Heidegger em 1925 mas Heidegger teria sido muito crítico quanto às capacidades e contribuições filosóficas de Gadamer. Assim, decidiu abandonar a filosofia e mudar-se para a filologia clássica. Apresentou-se ao Exame de Estado nesta área, em 1928,  com  ‘Ética Dialética de Platão’.

Gadamer ocupou um cargo de professor temporário em Kiel, entre 1934 e 1939, tornando-se Diretor do Instituto Filosófico da Universidade de Leipzig, Decano da Faculdade em 1945, e Reitor em 1946, antes de se dedicar ao ensino e pesquisa em Frankfurt  em 1947. Em 1949, sucedeu Karl Jaspers em Heidelberg, tornando-se Professor Emérito em 1968.

Over the next half century Gadamer became as much of an institution in Heidelberg as Kant had once been in Konigsberg: a familiar figure on the cobbled streets, walking and talking, always in his corduroy jacket, always convivial, fixing his interlocutor with a penetrating gaze. Having survived the Nazis and the Communists, Gadamer found no difficulty surviving the 1960s, during which he engaged the thinkers of the Frankfurt school, especially Jurgen Habermas.

The revival of Heidegger’s popularity in the 1950s owed much to Gadamer; it inevitably led to the rediscovery of his Nazi past in the late 1980s. Heidegger’s death in 1976 left Gadamer pre-eminent. (aqui)

Já aposentado, viajou extensivamente, foi visitante em várias instituições e desenvolveu uma associação especialmente próxima com o Boston College em Massachusetts. Permanecendo intelectualmente ativo até ao final de sua vida (ocupava o horário regular de trabalho aos noventa anos), Gadamer morreu aos 102 anos de idade, um dos pensadores mais longevos da historia da filosofia ocidental.

Gadamer books

Gadamer’s Century: Essays in Honor of Hans-Georg Gadamer

Hans-Georg Gadamer

Hans-Georg Gadamer’s philosophical hermeneutics: Concepts of reading, understanding and interpretation, Paul Regan

Nascida do dia: Ayn Rand

Ayn Rand, nascida Alisa Zinov’yevna Rozenbaum, em São Petersburgo, a 2 de fevereiro de 1905, morreu em Nova Iorque, a 6 de março de 1982. Foi escritora, dramaturga e filósofa norte-americana de origem judaico-russa, mais conhecida por desenvolver um sistema filosófico chamado Objetivismo e pelos seus romances –  The Fountainhead (1943) e Atlas Shrugged (1957).

“My philosophy, in essence, is the concept of man as a heroic being, with his own happiness as the moral purpose of his life, with productive achievement as his noblest activity, and reason as his only absolute.” — Ayn Rand

Defendeu a razão como o único meio de adquirir conhecimento e rejeitou a fé e a religião. Apoiou o egoísmo racional e ético e, na política, condenou a iniciação da força como imoral, opondo-se ao coletivismo e ao anarquismo.

I am often asked whether I am primarily a novelist or a philosopher. The answer is: both. In a certain sense, every novelist is a philosopher, because one cannot present a picture of human existence without a philosophical framework. . . . In order to define, explain and present my concept of man, I had to become a philosopher in the specific meaning of the term. — Ayn Rand, “Preface,” For the New Intellectual

O objetivismo argumenta que:

  1. A realidade existe independentemente da mente do observador;
  2. Os indivíduos estão em contacto com essa realidade através da percepção dos sentidos que permitem a formação de conceitos seguindo um processo lógico indutivo e dedutivo;
  3. A intenção moral da existência é a busca da felicidade ou “egoísmo racional”;
  4. O único sistema social compatível com esse objectivo moral é o laissez-faire capitalista;
  5. O papel da arte na vida humana é transformar uma ideia metafísica em uma reprodução selectiva da realidade, em uma forma física que pode ser entendida e gerar uma resposta emocional.

A revolta de Atlas passa-se numa realidade alternativa que, embora esteja num estágio de desenvolvimento tecnológico similar ao da época em que foi escrito – década de 1950 – nos mostra um mundo em declínio: fábricas devoradas pela ferrugem, estradas rachadas e invadidas pela vegetação, lojas fechadas (mesmo nas ruas mais buliçosas de Nova Iorque), regressão dos padrões civilizacionais, com as pessoas fora das grandes cidades a viver em moldes medievais, contentando-se em praticar agricultura de subsistência e vivendo alheadas do que se passa fora do seu exíguo mundo de hortas miseráveis e casas decrépitas, mobiladas com bugigangas pilhadas aos edifícios abandonados da cidade-fantasma mais próxima. O que terá empurrado a civilização para este definhar inquietante? Não foi uma guerra mundial, nem a queda de um meteorito ou uma pandemia devastadora, dir-se-ia que a civilização está a sucumbir simplesmente à abulia, à extinção da vontade de progresso, ao desleixo, ao “deixa andar” – e sempre que alguém questiona porque está o mundo como está e porque se arrastam as pessoas neste torpor, alguém retorque “Quem é John Galt?”. Ninguém sabe quem é John Galt e a frase não é sequer uma pergunta, é simplesmente uma expressão sarcástica de indiferença, passividade e aceitação de que há questões para as quais não há resposta e problemas para os quais não há solução. (continuar a ler)

Ayn Rand interviewed by Louis Rukeyser (1981)