[Blogoesfera] blogs em modo sonolento

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Alguns blogs vão-nos dizendo «olá! acordei, vou dormir»,  quando os posts medeiam entre meses mas continua a valer a pena segui-los, como a antigos colegas de escola que encontramos de lés a lés, ao dobrar de uma esquina.

São os casos do Diretriz, da meditação na pastelaria, dos ladrões de gado, do Tempo de teia. Ou do Psikiatrices. Sítios onde as leituras são densas, como A natureza do mal. Ou de miscelânea interessante sob A aba de Heisenberg. Sítios de Aprender e Ensinar, de Ardósia Azul. De companhia dos filósofos.  De Biosofia.  De Memórias soltas de Prof. E se hoje há conquilhas, amanhã não sabemos

[Blogoesfera] passeio por sítios “ad finem”

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Há blogues que foram ativos e estão, nas palavras dos bloggers, acabados, suspensos, terminados, concluídos, que chegaram ao fim. “Ad finem”.

De há pouco como a Educação do meu umbigo ou  o Porta-livros ou de há mais tempo. Como “casas desabitadas” guardam os vestígios dos tempos de uso, de Mãos Visíveis, de Detalhes e Pormenores, a entoar o canto social ou a oferecer um chá no deserto. Nos tempos de uma viragem de Klepsydra.

Há os mais específicos de Enfermagem como a Visão ENFernal da coisa , Em casa da Ena Rot, Enfermagem em Grupos de Ajuda Mútua, Espiritualidade e Saúde. Ou Angel of Life. Ou criancices.

Os específicos de educação como a Universidade Alternativa, PoliKê?, o OutrÒÓlhar. Os de cidade, como Avenida Central. Ou os de criatividade, que deixaram de existir mas os autores mudaram-se de sítio – como Monkey works que passou para Dave Trottam.

Sítios onde se volta porque se passeia lá bem, em passos de Retórica ou para um adieu de jansenista. Ou A douta ignorânciaOu de leve Aragem. Ou de Divagações e pensamentos. E d’O cheiro dos livros. Como em Leitura partilhada.

Coloquei-os no blogroll a começarem em zzz….

[Blogoesfera] em passeio de domingo, continuação

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De saltito em saltito, uma segunda ronda no passeio de domingo.

Claro que existem alguns mais duradouros que seguimos, um outbreak em A destreza das dúvidas, interrogativas sobre a natureza das coisas em Rerum Natura e  a Origem das Espécies.

Porque vivemos neste país, espreitamos o Portugal dos pequeninos, Olhar no silêncio , O Insurgente, o Jumento e as Blasfémias.

Pode escrever-se com Bic Laranja ou usar lemas de Causa nossa, do Almanaque Republicano ou dos Avatares de um desejo. De Memória Virtual ao Ministério da Contrapropaganda, em Risco Contínuo.

Fins de tarde no Corta-fitas, um certo Cogitare em Saúde, passagem pelo Fórum de Enfermagem e a  travessia da Aula Magna.

 

 

[Blogoesfera] em passeio de domingo

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De saltito em saltito, um pouco mais longo um passeio de domingo.

Lida a entrevista de Edney Silvestre em Falando de Literatura. De Um blog sobre Kleist, passamos pelo alimentado de terra e ar, Terrear.

Relanceamos o olhar pelo Fotoblogue, esgueiramo-nos entre as brumas da memória, para o Malomil.

Agradecemos a chávena de chuva ao Lobi do chá, entretemo-nos com o house effects no Margens de erro, com o euro a todo o custo No Moleskine. Passar pelas Impressões de um boticário de província 

E se em Franz E. a tua palavra conta, passemos, a fechar, pelo Aliás e por um toque certeiro na Jugular, a propósito da saúde mental.

[Blogoesfera] uma dúzia de passos

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Um passeio blogosférico, do qual deixo anotação – um exemplo de «ementa de procrastinação», com uns salteios de nenúfar em nenúfar, ou de blog-em-blog.

Faz-se um Desvio colossal,  contorna-se a Depressão coletiva, o 365 forte e  alinha-se na Arte da Fuga. Saltita-se pelas Vias de Facto e esboça-se um Delito de opinião.Nada como cruzar com os ladrões de bicicletas, usufruir dos Dias com árvores  e dos Tempos e das Vontades. Lancemos um relancear à Barbearia do senhor Luís, que fez anos esta semana, e uma derrapagem final, do homem que sabia demasiado para aterrar no Cadeirão Voltaire.

Et voilá!  Amanhã (ou noutro dia) há mais….

Procrastinação [de viagens]

Em dias de chuva, blogues de viagens. E de blog em blog, encontram-se verdadeiras pérolas.  É o caso de “A Turista Acidental” a que cheguei por acaso, para me deliciar com o estilo, as descrições e as viagens. A título de exemplos, sobre a Etiópia

Uzbequistão, estrada para o Oriente

Atenas, desde sempre dos meus encantos, Delfos, Vietnam, e muitos outros sítios, com fotos espetaculares.

colecção de histórias [do tipo “sem mais comentários”]

EM JonasnutsDeja vu

French blogger fined over review’s Google search placing   O post parece ter desaparecido (o que é uma pena), mas o Blog onde foi escrito originalmente, pode ser visto aqui. É uma pena que o post tenha desaparecido, porque o efeito Streisand aplicado a este caso, seria um mimo. Mimo que gostaria de endereçar ao senhor dr. juiz e ao restaurante propriamente dito. Mais sobre este tema assim que tenha tempo 🙂

Depois, seguindo as pistas, no aberto até de madrugada

 Blogger francesa multada por crítica negativa a restaurante

Sou completamente a favor que as pessoas tenham que se responsabilizar por aquilo que dizem na internet, mas em França as coisas parecem estar a ficar complicadas para quem ousar relatar publicamente que foi mal servido num restaurante. Uma blogger francesa escreveu no seu blog a péssima experiência que teve no restaurante Il Giardino, e em vez de um pedido de desculpa por parte do dono do restaurante, o que conseguiu foi ser multada em 1500 euros (mais 1000 euros para custos do processo). O dono do restaurante argumentou que o post em questão (que ainda permanece no web archive – em francês) surgia nas pesquisas do Google sobre o seu restaurante, prejudicando-lhe o negócio. Por ridículo que possa parecer, em vez do Juiz o mandar ter juízo e multar o dono do restaurante pelo péssimo serviço prestado, achou que ele tinha razão…
Acho curioso que o argumento do dono do restaurante tenha sido que a crítica negativa tenha sido injusta. Isso parece ter sido algo que nem ele punha em causa – a sua única preocupação era a de que a crítica negativa não aparecesse nas pesquisas do Google.
Escusado será dizer que depois deste incidente, o seu “Il Giardino” ganhou dimensão verdadeiramente internacional… e não me parece que qualquer pessoa que passe por aqueles lados se vá arriscar a jantar num sítio onde, ao ser mal servido, ainda vai ter que pagar 2500 euros por se queixar!
Curiosamente, ainda recentemente assisti a um caso onde um restaurante de qualidade, e com dezenas de reviews positivos, viu surgir uma review de 1 estrela e com comentário completamente absurdo. Não será preciso ser muito inteligente para perceber que se tratará de algum concorrente a querer “estragar” o currículo; e a verdade é que com um pouco de esforço, qualquer pessoa pode criar uma dezena de contas falsas com as quais tentar denegrir um qualquer serviço online (e parece-me ser coisa que se tornará cada vez mais frequente). Portanto… há que ter sempre a devida cautela quanto a coisas que se possam ler na internet; e dar sempre maior valor a uma opinião de alguém conhecido, face à de cem desconhecidos! 🙂
Finalmente, o post original sobre o restaurante

L’endroit à éviter au Cap-Ferret : Il Giardino

7807030956_01b499b5dd_oLe Cap-Ferret est peut-être le Paradis, mais force est de constater qu’il y est un lieu, autrefois charmant, qui n’évoque plus guère ni le jardin d’Eden ni celui d’Épicure : le petit restaurant Il Giardino, spécialisé dans les pizza (mais pas que !) comme son nom italianisant le laisse présumer, et où nous avions l’habitude de nous rendre une ou deux fois par an. Cette année, ne dérogeant pas à cette tradition désormais ancrée dans le déroulement de nos vacances, nous y allâmes dîner.

Comme le titre de cet article le laisse présager, nous fûmes déçus. Pour plus de commodités, je vais laisser là le passé simple pour vous narrer cette aventure qui ne manque pas de piquant, mais qui par contre laisse désirer côté apéro et amabilité.

Lorsque nous sommes arrivés, un premier serveur nous a demandé, logiquement, si nous désirions manger en terrasse ou à l’extérieur, et comme il y avait pas mal de vent, nous avons opté pour l’intérieur, et sommes donc allés nous installer à une table. Immédiatement, une harpie en gilet fluo nous saute sur le paletot pour nous houspiller de nous installer sans autorisation (alors que, et d’une, nous en avions une, d’autorisation, et de deux… j’aime pas trop me faire engueuler par les serveurs, en général — par personne, du reste, mais encore moins lorsque je suis le client). Bref, ça ne commence pas très bien, mais le malentendu levé, elle nous file les menus. Et la, première erreur fatale dont découlera tout le reste : elle ne nous demande pas, comme c’est la coutume, si nous désirons un apéritif. Or, un apéritif, nous en désirions un (comme très peu de clients manifestement, mais enfin, c’est bien notre droit tout de même). Arrive une deuxième serveuse, qui prend notre commande, mais ne nous demande toujours pas si nous désirions l’apéritif (logique : sa collègue était supposée l’avoir fait), que nous sommes donc obligés de réclamer (nous y tenions).

Dix minutes passent, et toujours pas l’ombre ni de notre apéritif, ni de notre bouteille de vin d’ailleurs. Alors qu’immédiatement après avoir pris notre commande, la deuxième serveuse aurait dû nous le préparer et nous le servir : le principe de l’apéritif, c’est de permettre d’attendre sagement son plat. Enfin, il me semble. Donc je hèle un troisième serveur (nous reviendrons plus bas à cette question épineuse de l’enchaînement des serveurs) et lui dis (aimablement !) que ça serait bien de nous servir l’apéro, parce que sinon, nos plats vont arriver avant lui. Et bingo, alors que serveur n°3 nous apporte (enfin ! Nous commencions à nous dessécher) nos tant désirés apéritifs (sans cacahuètes. Fut une époque lointaine, dans ce restaurant, on nous donnait des cacahuètes avec l’apéritif. Ailleurs, on nous donne même des vraies tapas pour pas plus cher. Ta Panta Rei), nos plats arrivent avec serveuse n°1. Plats que nous renvoyons parce que zut, du coup nous n’en sommes qu’à l’apéro (par leur faute) et que le pastis accompagne mal l’entrecôte-frites. La serveuse bougonne.

Et ça continue. Alors que nous buvions, arrive la patronne, peu aimable malgré ce qu’elle voudra bien affirmer (à côté, les serveurs du café Marly méritent la palme d’or de la courtoisie), vient nous dire de nous signaler quand nous voudrons nos plats, parce qu’ils viennent déjà de jeter une entrecôte et que si ça doit durer 1/2 heure notre histoire, ça serait bien de le dire. Nous essayons donc de lui expliquer notre souci, et de lui faire remarquer ce qui, pour nous et depuis de nombreuses années, est la source du problème dans nombre de restaurants : que les serveurs n’ont plus de tables attitrées et qu’ils vadrouillent au gré du vent, ce qui fait qu’il n’y a plus aucun ordre et que règne la désorganisation la plus totale. Mais là, elle a une excuse (et là, je vous jure que je n’invente rien) : elle ne peut pas faire bosser ses serveurs plus de 44h et il faut qu’elle leur donne des jours de repos, alors comprenez mes braves gens, ça lui ferait trop de personnel à payer.

Stop ! Quoi ? Elle n’a pas le droit de faire bosser ses employés 24/24 7/7 ? Mais franchement, où va le monde !

Bref. On nous apporte notre vin (froid !) et nos plats, réclamés deux fois. L’entrecôte était nouvelle, ok, ce qui n’était pas le cas des pizza, sèche sur les bords. Bon. Nous prenons, quand même, un dessert (ce que n’ont pas fait les gens de la table d’à côté, partis en jurant qu’ils ne reviendraient pas). Bon, ok, les boules de glace étaient grosses. Mais bon.

Ma maman va payer, et essaie de revenir sur l’incident, et se fait envoyer paître par une patronne toujours aussi mal embouchée et dédaigneuse. Et elle a payé les apéros, source du conflit, alors qu’il est d’usage, dans la restauration, de les offrir aux clients lorsqu’il y a un souci (vu la marge qu’il se font dessus, ils peuvent se le permettre).

Conclusion ? Un restaurant où nous n’irons plus parce que la patronne se prend pour une diva (alors que, sérieusement, elle n’est pas la propriétaire de Chez Hortense, non plus), l’une des serveuses serait bien inspirée de ne jamais bosser à Londres parce qu’elle ne risque pas de pouvoir vivre de ses pourboires, et on se fout du client et le sens du commerce est plus qu’approximatif. Je vous engage à le noter dans votre liste noire si vous passez dans le coin !

(tout ça pour deux apéritifs… à quoi tiennent les guerres)

Il Giardino
71 Bd de la plage

Cap-Ferret

Novo blog jurídico

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DIREITOS E DEVERES DOS CIDADÃOS

“Novo site reúne mil perguntas e respostas sobre dúvidas jurídicas. Portal vai acompanhar todas as alterações na lei

Sabia que uma mãe cujo filho esteja a viver no estrangeiro pode acumular férias de dois anos para o ir visitar? E que um trabalhador reformado por invalidez relativa pode exercer outra profissão? Ou que a lei em Portugal não permite que uma mulher seja “barriga de aluguer”? Parece um jogo de curiosidades, mas o assunto é sério. Estão em causa os direitos e os deveres dos cidadãos. O tema dá azo a inúmeras dúvidas que podem ser agora tiradas no novo portal lançado ontem pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. O site, que ontem ainda estava em fase de afinação, reúne quase mil perguntas, às quais é sempre dada resposta. Da política à Constituição, da vida pessoal à vida laboral, são mais de 100 os temas tratados no portal “Direitos e deveres do cidadão”.

“Os temas foram divididos pelos troncos das disciplinas jurídicas e cada um deles foi desenvolvido por especialistas de diferentes áreas”, explicou Nuno Coelho, juiz desembargador do Tribunal da Relação de Lisboa e coordenador do projecto. Cada equipa de especialistas é identificada nas questões pela abreviatura da respectiva área – constitucional, trabalho, civil e penal.

Apesar de se apresentar como uma ajuda às primeiras dúvidas que surgem sobre um assunto, Nuno Coelho alerta para o facto de o site não substituir uma ida ao advogado. “A visita ao portal não dispensa a leitura das leis e das decisões dos tribunais ou a consulta de advogados e outros especialistas”, esclarece, acrescentando que o site “vai potenciar uma ida mais informada a um profissional jurídico”. Para o responsável, o projecto vem colmatar o “défice de conhecimento da população sobre os seus direitos e deveres”, através de “uma plataforma original, por ser a primeira a reunir informação vasta e trabalhada por profissionais que anteriormente estava dispersa”.

O portal está organizado por nove grandes temas, pelos quais pode começar a pesquisa. Outra forma de procurar um tema específico é através dos cem assuntos que vão tornando a pesquisa mais direccionada. Além disso, existe um campo para pesquisar por palavra ou expressão, assegurando que através de uma ou duas palavras chave se acede ao conteúdo pretendido. O site estará disponível para consulta a partir de qualquer dispositivo móvel, smartphones ou tablets. Os responsáveis pelo projecto garantem que o portal contará com uma actualização regular que vai acompanhando as revisões da lei em vigor.

Para o administrador da Fundação Francisco Manuel dos Santos, Nuno Garoupa, o portal “vai ajudar a criar um cidadão mais informado, o que dará origem a um cidadão mais exigente e participativo”. Por isso, explica, as perguntas e respostas relacionam-se com problemas do dia–a-dia e são feitas numa linguagem que pode ser entendida por qualquer pessoa. “Mas desenganem-se se consideram o portal um guia de procedimentos jurídicos ou um compêndio de soluções pessoais e profissionais”, acrescentou, alertando também para a necessidade de consultar um advogado para uma análise mais profunda de cada caso.

A partir das perguntas e respostas do site, foi ainda criada uma série de 65 programas de televisão de um minuto que vão passar diariamente na SIC Notícias e semanalmente na SIC. Na mesma linha de trabalho, a Fundação Francisco Manuel dos Santos lançou recentemente o portal “Conhecer a Crise”, com os principais indicadores relativos à evolução da actividade empresarial em Portugal desde 2007, e o POP – Portal de Opinião Pública, com ensaios e projectos em várias áreas.

Consulte o site www.direitosedeveres.pt

[Blogoesfera] “Humans of New York”

Um destes dias vi um rapaz negro muito alto, com um corte de cabelo tipo moicano e uma bébé com poucas semanas, vestida de cor-de-rosa, encostada ao peito. Ocorreu-me que seria um magnífico registo fotográfico do tipo “Humans of New York”.

REBLOG:

“I’m glad I had a daughter. Ever since my grandmother died, I’ve needed the female energy in my life. It’s good energy. I mean, when things go wrong, another man can tell you that everything is going to be OK. But not like a woman can.”

e somam nove…

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Da intenção de mudar de formato, paulatinamente, chega-se a mais um primeiro de janeiro, desta feita em 2014.

Umas vezes mais assíduo, outras mais lacónico, o blog foi ficando como uma espécie de poiso de conversa, de anotações, de colectâneas … Quando o abri, vinha de uma página pessoal, no Sapo. Passou a blogspot no dia de Novo Ano de 2005. E mudou-se para o wordpress em Outubro de 2007, de malas e bagagens.

Nove anos depois, continuamos pela blogosfera. O Conversamos tem as marcas do tempo e das ideias expostas, até porque, como disse um dia um dilecto vizinho da blogoesfera, o próprio blog ajuda o autor a perceber o que foi mudando no tempo. Evidencia gostos, temas recorrentes, bibliofilias e fixação em alguns autores, as ditas tendências valorativas. Serve-me de qualquer coisa entre moleskine, notas de rodapé e caixa de arquivo para ter e divulgar. Continuemos a rolar…

9-Ball

trazido da blogoesfera: «a cadeirinha da “prometida”»

Por acaso, passei pelo Sopas de Pedra e fiquei a saber… Partilhando, aqui deixo a imagem e o texto de «A cadeirinha da “prometida”» e notaria, como podem ler no texto, a diferença entre “conversados” e “prometidos” 🙂

SÍMBOLO do contrato pré-matrimonial no Alentejo, na primeira metade do século XX, talhada à navalha, em madeira, numa única peça, a cadeirinha de “prometida” testemunha uma arte, sobretudo, de pastores, ainda viva nos anos 50 em que, embora na cidade, também ao jovens casadoiros da minha geração percorreram todos passos de uma tradição recordada no belo texto de Hernani Matos no seu blogue “Do Tempo da Outra Senhora”. 
Felizmente para os jovens de hoje que os costumes, no que diz respeito a esta fase da vida, mudaram radicalmente. Já lhes basta a infelicidade que lhes está a ser imposta por uma classe política sem preparação nem ética, responsável pelo aniquilamento das suas perspectivas de vida, a começar pelo espectro do desemprego. 
Mas detenhamo-nos sobre o belo texto de Hernani Matos. 
“Campos do Alentejo na primeira metade do século vinte. Um moço que num rasgo de olhar, vislumbra uma moça, na qual existe qualquer coisa que irreversivelmente o atrai e o fulmina. É tiro e queda. Passa a segui-la como um perdigueiro que segue a caça. Pisteiro, procura dirigir-lhe palavra. Mas manda a tradição que a moça, apesar de se sentir atraída por ele, lhe dê um ou mais cabaços (negas). Todavia, “Quem porfia sempre alcança” e um dia, os sentimentos do moço são retribuídos pela moça e o amor irrompe como um vulcão. Ela dá-lhe trela e ele recebe luz branca para lhe fazer a corte. Derretem-se um pelo outro, mas procuram encontrar-se em segredo, longe das bocas do mundo, para que a família dela não saiba antes do tempo próprio. E as coisas assim continuam até que um dia, deixam de ter medo que os outros saibam e passam à condição de “conversados”, encontrando-se às claras, na pausa dos trabalhos do campo, no regresso dele, junto à fonte ou na igreja, nos domingos e dias santos. É a época em que o moço oferece à moça, objectos utilitários de arte pastoril, finamente lavrados: dedeiras para a ceifa, rocas e fusos, ganchos de fazer meia ou caixas de costura, que ele próprio confecciona se da arte pastoril tem o jeito ou que encomenda a alguém, no caso de não o ter. Ela retribui com prendas finamente bordadas, tais como uma bolsa para o relógio, para a tabaqueira ou para as moedas. E na comunhão do amor perene, qualquer deles usa e ostenta com orgulho, as prendas que recebeu do outro e que “selam” a sua condição de “conversados”. 
A instâncias da moça, com o apoio da mãe primeiro e do pai depois, os pais dão autorização para que os “conversados” falem à janela ou à porta de casa, seja ela na vila ou no monte. E as coisas assim vão prosseguindo até que o estado psicológico do par atinja o ponto de rebuçado. Nessa altura, o moço pede aos pais da moça que lha dêem em casamento. Estes, naturalmente, protagonistas activos ainda que ocultos, desta saga amorosa, concedem-lhe a graça solicitada. A moça passa então da condição de “conversada”, à condição de “prometida”. Só então o par recebe autorização para conversar dentro da casa dos pais da moça. E para “selar” o contracto pré-matrimonial, o moço oferece à sua “prometida” uma cadeirinha em madeira que ela passará a usar, presa na fita do chapéu de trabalho, até à altura do matrimónio. Esta a fórmula encontrada pela sábia identidade cultural alentejana, de dar a conhecer à comunidade que a moça já estava “prometida” e que em breve iria casar”.