Modelos, Políticas e Custos de Acesso Aberto [fev 2018]

Screenshot(76)Foi publicado um estudo sobre Modelos, Políticas e Custos de Acesso Aberto, no âmbito da implementação da Política Nacional de Ciência Aberta. Este trabalho inclui uma caracterização da evolução da comunicação académica e dos atuais modelos de publicação, uma análise e comparação de políticas de acesso aberto e uma previsão de custo potencial a nível nacional para aceder aos artigos de revistas científicas. Conclui com um conjunto de recomendações, para as diferentes instituições do sistema, cujo cumprimento poderá contribuir para diminuir custos e melhorar as condições de acesso à informação científica. Este documento desenvolvido pela FCT integra a estratégia Nacional para a Ciência Aberta, promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, pretende ser um contributo para a discussão alargada sobre as diferentes alternativas de Acesso Aberto às publicações científicas. Está disponível nas páginas de Acesso Aberto da FCT e na página da Ciência Aberta.

Do estudo Modelos, Políticas e Custos de Acesso Aberto, transcrevo:

“Ware e Mabe (2015) reportam a existência de 5 a 10 mil editoras a nível global, das quais cerca de 5 mil estão indexadas na Scopus. As principais editoras de língua inglesa são perto de 650, que publicam cerca de 11550 revistas, representando 50% da quota de mercado das revistas. Destas, cerca de 480 (73%) editoras que publicam 2300 revistas não são editoras comerciais, i.e. são organizações sem fins lucrativos. No seu conjunto, o mercado editorial é bastante assimétrico, concentrando em apenas 100 editoras a publicação de 67% das revistas (Ware e Mabe, 2015), sendo que 4 delas publicam mais de 2000 revistas cada (Springer, Elsevier, Wiley-Blackwell e Taylor & Francis). (p.29)
Assim, das 22460 revistas ativas indexadas na Scopus no final de 2015, apenas 16,5% (3715) são de Acesso Aberto, enquanto aquela percentagem é inferior na Web of Science (7% relativas a 972 revistas, reportadas em 2014). (p. 36)
A aplicação de taxas de publicação, também designadas por APCs, diferencia modelos de publicação em Acesso Aberto. A via de Acesso Aberto Dourado é frequentemente tomado como sinónimo de um modelo de negócio que inclui o pagamento de uma taxa de
publicação. No entanto, deveria servir apenas para indicar que as revistas que adotam esta via permitem o Acesso Aberto no ato da publicação (Fuchs e Sandoval, 2013). Isto levou à diferenciação entre revistas de Acesso Aberto com APCs e as que não cobram APCs, designadas por revistas de Acesso Aberto Diamante” (p. 47)
“Ao Acesso Aberto Verde estão geralmente associadas uma de 3 opções de mandatos (Suber, 2012a), embora possam surgir variantes:
1) Mandatos de Lacuna– requerem Acesso Aberto Verde, exceto quando a editora não o permite; são mandatos que exploram o vazio legal, i.e. a não regulamentação de auto-arquivo por parte de algumas editoras;
2) Mandatos de Depósito– requerem o depósito em Acesso Aberto assim que o artigo é  aceite para publicação, mas separam o prazo do depósito do prazo de abertura do texto integral, sendo este último realizado se e quando a editora permitir, de acordo com os períodos de embargo impostos;
 3) Mandatos de Retenção de Direitos – requerem o depósito do artigo em Repositório assim que este seja aceite para publicação e asseguram a permissão para Acesso Aberto imediato do texto integral: a) obrigando o autor a reter o direito de autorizar o Acesso Aberto em Repositório (e.g. Wellcome Trust e NIH) ou b) requerendo que os investigadores deleguem a priori esse direito à instituição de acolhimento (e.g. Harvard e MIT). Assim, enquanto nos dois primeiros tipos de mandatos o Acesso Aberto é contingente à política seguida pela editora, no terceiro tipo, o Acesso Aberto é assegurado por defeito, podendo eventualmente o investigador pedir uma exceção.” (p. 89-90)
“Embora tradicionalmente denominada via Dourada por oposição à via Verde, de facto a publicação em Acesso Aberto inclui desde revistas com modelos de negócio que cobram APCs, ao Freemium e Diamante. Nestes dois últimos modelos tanto a publicação como o acesso são gratuitos para os autores e leitores, respetivamente. A análise do volume de artigos publicados em Acesso Aberto geralmente não diferencia qual o modelo de negócio utilizado, a não ser que o estudo incida sob a evolução da adoção dos vários
modelos de negócio. O volume de publicações com Acesso Aberto tem vindo a aumentar mas o seu ritmo de crescimento abrandou recentemente (AWTI, 2016). No entanto, a sua taxa de adoção indica que o modelo de negócio de revistas com Acesso Aberto representa o setor de mercado da publicação científica com crescimento mais dinâmico, representando cerca de 13% das publicações, excluindo os artigos em revistas Híbridas (Schimmer et al., 2015). As mega-revistas, como a PLoS, a BioMed Central e os Scientific Reports, contribuíram para cessar a ideia de “gratuito” equivaler a “falta de qualidade”, aliando uma rigorosa revisão por pares a uma disseminação rápida dos artigos (Chavez, 2010; Archambault et al., 2014a). Os mandatos que obrigam à publicação em revistas em Acesso Aberto fomentam a publicação em revistas exclusivamente de Acesso Aberto e contribuem para aumentar a sua credibilidade (Caruso et al., 2014).” (p. 94)
O sistema de publicação científica atual é um sistema com uma enorme falta de transparência financeira, o que constitui um obstáculo à avaliação dos custos associados a diferentes modelos de negócios e dificulta a adoção de políticas com base em provas
factuais (Lämmerhirtet al., 2016, Lawson et al., 2016). Por um lado, a subscrição de pacotes (“Big Deals”) não permite aferir o custo individual das revistas que formam o conjunto principal de revistas subscritas e os contratos por vezes contêm cláusulas de
confidencialidade. Por outro lado, a falta de prática de gestão e monitorização do pagamento das taxas de publicação de cada artigo e a existência de modelos de descontos nas taxas de publicação dificultam o cálculo integrado de despesas com
subscrições e publicações.” (p. 104)
Conclusões & Recomendações
1 O tradicional modelo de transmissão de direitos de autor não tem tido a capacidade de alcançar um equilíbrio entre os incentivos do mercado de ciência e o estatuto de bem
público do conhecimento científico. Além disso, a transmissão de direitos de autor, que oferece exclusividade no direito de publicação dos artigos e possibilita o negócio das
editoras comerciais, não está associada a determinados níveis de permissões retidas pelos autores nem à qualidade de serviços eletrónicos, antes ou pós-publicação.
De facto, os investigadores selecionam a Editora/Revista para a qual transferem os direitos de autor de acordo com níveis de prestígio das revistas, que é transferido para os autores por meio de um indicador desadequado do ponto de vista estatístico e independentemente da qualidade individual dos seus artigos (secção 1.2 e 2.1.3).
2 Além de vários aspetos negativos relativos à redução simplista e errónea na avaliação de autores e instituições com base no Fator de Impacto (problema já reconhecido por um grande número de investigadores, instituições e agências de financiamento, e refletido no universo de assinantes da Declaração de Avaliação da Investigação de São Francisco), a insistência na utilização daquele indicador reforça o poder (quota de mercado e capacidade de manipulação de preços) e a reputação das revistas sem Acesso Aberto (i.e.
das revistas Fechadas e Híbridas) (secção 1.1 e 2.2.1).
3 Embora o aparecimento de revistas de Acesso Aberto tenha contribuído para a discussão do modelo de aferição da qualidade académica assente largamente no Fator de
Impacto das revistas e o mercado editorial de Acesso Aberto seja mais competitivo e menos disfuncional, a amplitude de preços das taxas de publicação (APCs) é indicativa que o preço não está relacionado com o custo de produção, mas com o preço que as editoras acreditam que o mercado é capaz de suportar (secção 1.4.2).
15 Por oposição, os Repositórios são de baixo custo (secção 4.3.2), mas de qualidade, quantidade e consistência de metadados ainda muito variável. No entanto, é possível que

as políticas mandatórias de depósito de publicações com revisão por pares não só melhorem a qualidade dos repositórios, como também, venham comprometer o
modelo de negócio das subscrições (secção 2.2).
20 Assim, mesmo com APCs de valor intermédio, em 2020 já poderia haver um défice orçamental no sistema de comunicação académico português (face à evolução expectável das subscrições) caso se dê uma conversão completa das revistas indexadas na Web of Science do modo de “pagar para ler” para modo de “pagar para publicar”. Aquele défice seria ainda mais agravado se se considerar um crescimento dos artigos que são atualmente publicados em revistas de Acesso Aberto pago que não estão ainda indexadas, e que não foram consideradas no cálculo. Portanto, a via Dourada paga não é, à partida, uma via sustentável no caso português, pois custaria bastante mais do que hoje se paga no sistema de subscrições.
21 Porém, a evolução atual do mercado editorial é no sentido de expansão do modelo de negócio de Acesso Aberto pago com APCs (secção 2.2.1). Neste mercado, o valor das APCs não depende das áreas disciplinares mas das Editoras, de acordo com o maior o menor número de tarefas de publicação digital, custos fixos e lucro esperado. Porém, continuarão a evoluir dois modelos: i) um condicionado pelo aparecimento de novas editoras com uma estrutura de custos mais baixos e que manterão APCs a níveis mais controlados, ii) e outro operacionalizado pelas Editoras já bem estabelecidas no mercado e que cobrarão APCs mais elevados (secção 4.2)
23 Independentemente de uma transição mais ou menos rápida para o Acesso Aberto, só pela via Verde ou com uma combinação de vias Verde e Dourada, onde deixasse de haver despesas substanciais com a subscrição de revistas, não são despicientes 1) os problemas dos custos de manutenção e de acesso aos milhões de artigos que foram, e continuam a ser, publicados no modelo de Acesso Fechado (secção 4.2.2), e 2) da potencial sobrecarga no sistema académico se as receitas das subscrições forem convertidas em taxas de publicação, sabendo-se que atualmente ¼ das receitas das editoras não têm origem académica (secção 2.1.3).
24 Porém, o Acesso Aberto pode potencialmente ter um impacto grande na sociedade e nas empresas, onde o acesso atual é reduzido. Contudo, este impacto só pode ser verdadeiramente conseguido se o Acesso Aberto estiver alicerçado numa estratégia mais ampla de “tradução” dos resultados científicos, acessível ao público em geral e, simultaneamente assegurando que o impacto social é mais valorizado dentro da comunidade académica. Apenas nessa altura o Acesso Aberto contribuirá para uma
melhor utilização do conhecimento científico (AWTI, 2016)
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em prol do acesso aberto

online survey

Online survey on scientific information in the digital age

“The objective of the open consultation was to gather information from as many sources as possible, including governments, research institutes and universities, libraries, scientific publishers, research funding organizations, businesses, individual researchers, and other interested parties on their views on scientific information in the digital age. The consultation will feed into the development of possible policy options to be considered, and will contribute to the ex-ante impact assessment that will be carried out.

The consultation was set-up as follows: The respondent, What role for Europe?, Access to digital scientific information (including open access): scientific publications, Preservation of digital scientific information, Comments” (aqui) datado de 30.01.2012

Uns meses antes, (21.07.2012) a RECOMENDAÇÃO DA COMISSÃO de 17 de julho de 2012 sobre o acesso à informação científica e a sua preservação

 Considerando o seguinte:

(1) A Comunicação da Comissão intitulada «Europa2020» apresenta como prioridade o desenvolvimento de uma economia baseada no conhecimento e na inovação.
(2) Os objetivos estabelecidos pela estratégia Europa 2020 são descritos com mais pormenor, designadamente, nas iniciativas emblemáticas «Uma Agenda Digital para a Europa» e «Uma União da Inovação». Entre as ações a levar a cabo no âmbito da «Agenda Digital», a investigação financiada por fundos públicos deve ser amplamente divulgada através da publicação dos dados e artigos científicos num regime de acesso aberto. A iniciativa «Uma União da Inovação» apela ao estabelecimento de um quadro para o Espaço Europeu da Investigação (EEI) que elimine os obstáculos à mobilidade e à cooperação transnacional. Nela se declara que o acesso aberto às publicações e aos dados da investigação financiada por fundos públicos deve ser promovido e que o acesso às publicações deve vigorar como princípio geral para os projetos financiados pelo programas-quadro de investigação da União Europeia.

(5) As políticas em prol do acesso aberto visam disponibilizar gratuitamente aos leitores as publicações e os dados científicos que tenham sido avaliados pelos pares o mais cedo possível no processo de divulgação e possibilitar a utilização e a reutilização dos resultados da investigação científica. Essas políticas devem ser postas em prática tendo em conta o problema dos direitos de propriedade intelectual.

(6) As políticas em prol do acesso aberto aos resultados da investigação científica devem ser aplicadas a toda a investigação que receba fundos públicos. É objetivo de tais políticas melhorar as condições em que se realiza a investigação, reduzindo a duplicação de esforços e o tempo gasto a procurar e a obter acesso à informação, o que acelerará o progresso científico e facilitará a cooperação entre os Estados-Membros da UE e destes com outros países. Estas políticas respondem igualmente ao desejo da própria comunidade científica de que haja maior acesso à informação científica.
(7)  O facto de se permitir aos atores sociais interagirem no ciclo da investigação permite aumentar a qualidade, a relevância, a aceitabilidade e a sustentabilidade dos resultados da inovação ao integrar as expectativas, as necessidades, os interesses e os valores da sociedade. O acesso aberto é uma característica essencial das políticas dos Estados-Membros em prol de uma investigação e inovação responsáveis, tornando os resultados da investigação disponíveis para todos e facilitando o envolvimento da sociedade.
 (9) A Internet alterou radicalmente o mundo da ciência e da investigação. Por exemplo, os cientistas têm tido a oportunidade de experimentar novos modos de registar, certificar, divulgar e preservar as publicações científicas. As políticas de investigação e de financiamento precisam de adaptar-se a este novo contexto. Deve recomendar-se aos Estados-Membros que adaptem e desenvolvam a suas políticas em prol do acesso aberto às publicações científicas.

(10) O acesso aberto aos dados da investigação científica melhora a qualidade dos dados, reduz a duplicação de atividades de investigação, acelera o progresso científico e ajuda a combater as fraudes no domínio científico. No seu relatório final intitulado «Riding the wave: How Europe can gain from the rising tide of scientific data», de outubro de 2010, o Grupo de Peritos de Alto Nível para os Dados Científicos sublinhou a importância crítica da partilha e da preservação de dados fiáveis produzidos durante o processo científico. São, pois, urgentes e devem ser recomendadas aos Estados-Membros medidas políticas em prol do acesso aos dados.
(11) A preservação dos resultados da investigação científica é do interesse público. Tradicionalmente, tem sido responsabilidade das bibliotecas, especialmente das bibliotecas nacionais encarregadas do depósito legal. O volume de resultados de investigação produzidos está a aumentar consideravelmente. Devem ser criados mecanismos, infraestruturas e soluções de software que permitam preservar a longo prazo, em formato digital, os resultados da investigação. O financiamento sustentável da preservação é fundamental, pois os custos de curadoria dos conteúdos digitalizados são ainda relativamente elevados. Dada a importância da preservação para a futura utilização dos resultados da investigação, o estabelecimento ou reforço das políticas neste domínio devem ser recomendados aos Estados-Membros.
(14) O progresso no sentido do acesso aberto é um desígnio mundial, demonstrado pela Estratégia revista da UNESCO relativa à sua contribuição para a promoção do acesso aberto à informação e à investigação científica («Revised strategy on UNESCO’s contribution to the promotion of open access to scientific information and research») e pela Declaração da OCDE sobre o acesso aos dados científicos da investigação financiada por fundos públicos («OECD Declaration on Access to Research Data from Public Funding»)
9. Informem a Comissão, 18 meses após a publicação da presente recomendação no Jornal Oficial da União Europeia, e posteriormente de dois em dois anos, das medidas tomadas em resposta aos diferentes elementos da presente recomendação, de acordo com formalidades a definir e a acordar. Com base nessas informações, a Comissão avaliará os progressos realizados em toda a UE e determinará se são necessárias novas medidas para atingir os objetivos definidos na presente recomendação.

Da sabedoria

LN

Todos os dias deparamos com escolhas para as quais não existe uma resposta única, que possa ser obtida através de um processo lógico e racional. As decisões a tomar – pela sua complexidade, ambiguidade e incerteza – exigem a mobilização de experiências, de reflexões pessoais e também de sensibilidade. Estas competências – “que tornam os que as possuem mais aptos para resolver problemas deficientemente estruturados” – chamam-se sabedoria.

A maioria dos autores identifica-a, não com o conhecimento mas com o modo de o encarar e usar. A sabedoria, para Kitchener & Brenner pressupõe 4 competências: (1) a consciência da existência problemas de resolução muito difícil; (2) um saber compreensivo, caracterizado pela tolerância e profundidade; (3) o reconhecimento que o saber é incerto e de que é impossível conhecer a verdade absoluta; (4) e a habilidade para formular juízos susceptíveis de gerarem largos consensos em situações marcadas por elevada incerteza.

A sabedoria é a integração do afectivo, do volitivo e dos aspectos cognitivos das capacidades humanas em resposta a tarefas de vida e problemas – para atingir um equilíbrio entre a adaptação ao ambiente existente, dar forma aos ambientes e seleccionar novos ambientes.

the application of tacit knowledge as mediated by values toward the achievement of a common good through a balance among multiple (a) intrapersonal, (b) interpersonal, and (c) extrapersonal interests in order to achieve a balance among (a) adaptation to existing environments, (b) shaping of existing environments, and (c) selection of new environments.” (Sternberg 1998:347)

Parece ser particularmente estimulada numa atmosfera onde as ambiguidades e as contradições sejam assumidas como desafios e não como obstáculos. É assim, mais claro, que se fale do formador como um facilitador, num processo de conceptualização e apropriação da realidade – pois que o modo como se apreende e constrói o saber torna-se, por vezes, mais importante que o próprio saber.

Sugestões de leitura:

‘Adding legs to a snake’: a reanalysis of motivation and the pursuit of hapiness from a Zen Perspective

Empirical assessment of a three-dimensional Wisdom scale

Inspirational Chaos: Executive Coaching nd Tolerance of Complexity

The Pursuit of Wisdom and the future of education

EE’s – Epistemologia e Enfermagem: convicções

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em Fundamental Patterns of Knowing, Carper identificou quatro componentes fundamentais do conhecimento em Enfermagem – no decurso do texto, identifica-os: científico, ético, estético e de conhecimento pessoal, que se tornaram muito lidos e comentados.

os estudos de Jacobs Kramer e Chin, na operacionalização de um modelo, clarificaram a expressão de um contexto social e político, pelo que, mais de uma década depois de Carper, na revisão e update, introduz-se uma quinta dimensão aos padrões de conhecimento.

Hoje, na configuração da disciplinariedade de o paradigma epistemológico, sou pelo ecletismo e pluralismo metodológico.

É minha convicção que o princípio que hoje se apresenta para uma análise epistemológica é o da heterogeneidade, ou seja, a pluralidade metológica que nega algum monismo ainda vigente. Não existe um único método que não deva ser seguido nem um método rigoroso de comparação entre os diferentes programas de investigação (alguém atento perceberá alguma adesão a Imre Lakatos, pelo uso da expressão «programas de investigação»).

A Enfermagem não pode fundar-se senão sobre uma determinação crítica do seu objecto, irredutível a uma simples fenomenologia do existente. Esta é uma questão polémica que liga o projecto epistémico da enfermagem ao programa de uma filosofia crítica da enfermagem – definimos a finalidade da acção, estabelecemos standards de cuidados, entendemos intuitivamente o sentido de ser «disciplina científica» mas é preciso ir mais além, e um dos desafios passa por aqui: pela ligação necessária de um projecto epistémico a uma filosofia crítica de ciência.

Nem sempre acontece, mas está de leitura livre na Questia:
E P I S T E M O L O G Y OR THE THEORY OF KNOWLEDGE

imagem: Cyrus Cilinder

do sentido da humildade

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Gosto de Samuel Bak. Já sabem… ou já o encontraram por aqui. Com Interpretation, As clear as the day, Key position, Transcribed, Sounds of silence. Esta imagem, trouxe dali.

Knowledgeable. Porque o pensamento do conhecível e do conhecido é, em si, muitissimo diverso. E a amplitude do conhecível desafiadora…  sempre espantosa a quantidade e qualidade das coisas que podem ser conhecidas. Que nos reduz, de alguma forma, em sentido positivo, e aguça a necessidade de humildade.

Voltando lá: falácias afectivas

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Porque é um tema interessante e que se mantem com muitos trilhos por explorar… Vindos das falácias I, das falácias II, do diagnóstico diferencial, dos recursos em falácias, do determinismo tecnológico, ouvindo os comentários e repensando neles…

No decurso da ideia de enganadora, enviesadora do pensamento, a falácia pode ser aplicada ao que é dito (ou escrito) assim como à falácia afectiva, ou seja, da avaliação de algo em função dos afectos que desperta…

Helmut Bonheim (The critical fallacies) mostra que (36) falácias contemporâneas falham na sua formulação ou por problemas de lógica argumentativa ou porque têm em vista atacar uma pessoa e não a obra concretamente.

A falácia afectiva nasce na crítica literária. A partir da catarse que os gregos definiram, aplicando-se a todas as abordagens que privilegiem as sinestesias, as sublimações, as formas de empatia e de entusiasmo. Kant distinguiu entre o que provoca a experiência estética (marcada pela satisfação desinteressada, na ausência de interesse) e o que é agradável porque sempre ligado a uma finalidade prática. Ao que os seguidores do Novo Criticismo chamaram «falácia afectiva» é um erro de leitura que confunde a obra e o efeito.

Assim ocorre quando se mistura o significado e o efeito emocional. Quando se embrulha no mesmo traje, diria metaforicamente, o sentido do que é dito ou escrito e os efeitos emocionais, psicológicos, que tem em quem ouve (ou lê) – «erro de leitura», portanto…

ou não?!

# 32 – Das opiniões

No Livro V de A República Platão distingue claramente entre episteme e doxa.
É da episteme, ou gnosis, termos habitualmente traduzidos por conhecimento, que surgem as verdades necessárias e fundamentais, nas quais a ciência se baseia.
A doxa, que se traduz por opinião, diferencia-se da episteme por fazer parte da verdade pré-crítica e de uma compreensão pré-ontológica. A doxa estaria situada num nivel intermediário entre o conhecimento e a ignorância, caracterizando-se pela multiplicidade e relativididade.

As opiniões discutem-se…
– se não se discutissem, seriam dogmas ao invés de opiniões.

Um dos elementos que podem ser decisivos é colocar as coisas sobre a mesa, de assumir que temos de discutir o que fazemos. E discutir não é zangarmo-nos pelas diferenças de opinião.

É muito mais no sentido de procurar as raízes das coisas, do debate de razões ou dos fundamentos das práticas – porque ter uma opinião não pode ser couraçar-se, fechar-se numa redoma mas antes confrontar-se com provas, factos e evidências. E julgo que as opiniões não valem todas o mesmo, não são todas igualmente respeitáveis.

Como afirmou Savater, todas as pessoas são respeitáveis; algumas opiniões não são. Pensar que a opinião de todos vale o mesmo é uma falácia, uma pretensa liberalidade.As ideias não valem a não ser que quem as sustente possa aduzir provas, dados, raciocínios.

Quando se afirma opinião, tem de se ser capaz de fundar e justificar essa opinião de forma consistente. E de pugnar por ela…