em prol do acesso aberto

online survey

Online survey on scientific information in the digital age

“The objective of the open consultation was to gather information from as many sources as possible, including governments, research institutes and universities, libraries, scientific publishers, research funding organizations, businesses, individual researchers, and other interested parties on their views on scientific information in the digital age. The consultation will feed into the development of possible policy options to be considered, and will contribute to the ex-ante impact assessment that will be carried out.

The consultation was set-up as follows: The respondent, What role for Europe?, Access to digital scientific information (including open access): scientific publications, Preservation of digital scientific information, Comments” (aqui) datado de 30.01.2012

Uns meses antes, (21.07.2012) a RECOMENDAÇÃO DA COMISSÃO de 17 de julho de 2012 sobre o acesso à informação científica e a sua preservação

 Considerando o seguinte:

(1) A Comunicação da Comissão intitulada «Europa2020» apresenta como prioridade o desenvolvimento de uma economia baseada no conhecimento e na inovação.
(2) Os objetivos estabelecidos pela estratégia Europa 2020 são descritos com mais pormenor, designadamente, nas iniciativas emblemáticas «Uma Agenda Digital para a Europa» e «Uma União da Inovação». Entre as ações a levar a cabo no âmbito da «Agenda Digital», a investigação financiada por fundos públicos deve ser amplamente divulgada através da publicação dos dados e artigos científicos num regime de acesso aberto. A iniciativa «Uma União da Inovação» apela ao estabelecimento de um quadro para o Espaço Europeu da Investigação (EEI) que elimine os obstáculos à mobilidade e à cooperação transnacional. Nela se declara que o acesso aberto às publicações e aos dados da investigação financiada por fundos públicos deve ser promovido e que o acesso às publicações deve vigorar como princípio geral para os projetos financiados pelo programas-quadro de investigação da União Europeia.

(5) As políticas em prol do acesso aberto visam disponibilizar gratuitamente aos leitores as publicações e os dados científicos que tenham sido avaliados pelos pares o mais cedo possível no processo de divulgação e possibilitar a utilização e a reutilização dos resultados da investigação científica. Essas políticas devem ser postas em prática tendo em conta o problema dos direitos de propriedade intelectual.

(6) As políticas em prol do acesso aberto aos resultados da investigação científica devem ser aplicadas a toda a investigação que receba fundos públicos. É objetivo de tais políticas melhorar as condições em que se realiza a investigação, reduzindo a duplicação de esforços e o tempo gasto a procurar e a obter acesso à informação, o que acelerará o progresso científico e facilitará a cooperação entre os Estados-Membros da UE e destes com outros países. Estas políticas respondem igualmente ao desejo da própria comunidade científica de que haja maior acesso à informação científica.
(7)  O facto de se permitir aos atores sociais interagirem no ciclo da investigação permite aumentar a qualidade, a relevância, a aceitabilidade e a sustentabilidade dos resultados da inovação ao integrar as expectativas, as necessidades, os interesses e os valores da sociedade. O acesso aberto é uma característica essencial das políticas dos Estados-Membros em prol de uma investigação e inovação responsáveis, tornando os resultados da investigação disponíveis para todos e facilitando o envolvimento da sociedade.
 (9) A Internet alterou radicalmente o mundo da ciência e da investigação. Por exemplo, os cientistas têm tido a oportunidade de experimentar novos modos de registar, certificar, divulgar e preservar as publicações científicas. As políticas de investigação e de financiamento precisam de adaptar-se a este novo contexto. Deve recomendar-se aos Estados-Membros que adaptem e desenvolvam a suas políticas em prol do acesso aberto às publicações científicas.

(10) O acesso aberto aos dados da investigação científica melhora a qualidade dos dados, reduz a duplicação de atividades de investigação, acelera o progresso científico e ajuda a combater as fraudes no domínio científico. No seu relatório final intitulado «Riding the wave: How Europe can gain from the rising tide of scientific data», de outubro de 2010, o Grupo de Peritos de Alto Nível para os Dados Científicos sublinhou a importância crítica da partilha e da preservação de dados fiáveis produzidos durante o processo científico. São, pois, urgentes e devem ser recomendadas aos Estados-Membros medidas políticas em prol do acesso aos dados.
(11) A preservação dos resultados da investigação científica é do interesse público. Tradicionalmente, tem sido responsabilidade das bibliotecas, especialmente das bibliotecas nacionais encarregadas do depósito legal. O volume de resultados de investigação produzidos está a aumentar consideravelmente. Devem ser criados mecanismos, infraestruturas e soluções de software que permitam preservar a longo prazo, em formato digital, os resultados da investigação. O financiamento sustentável da preservação é fundamental, pois os custos de curadoria dos conteúdos digitalizados são ainda relativamente elevados. Dada a importância da preservação para a futura utilização dos resultados da investigação, o estabelecimento ou reforço das políticas neste domínio devem ser recomendados aos Estados-Membros.
(14) O progresso no sentido do acesso aberto é um desígnio mundial, demonstrado pela Estratégia revista da UNESCO relativa à sua contribuição para a promoção do acesso aberto à informação e à investigação científica («Revised strategy on UNESCO’s contribution to the promotion of open access to scientific information and research») e pela Declaração da OCDE sobre o acesso aos dados científicos da investigação financiada por fundos públicos («OECD Declaration on Access to Research Data from Public Funding»)
9. Informem a Comissão, 18 meses após a publicação da presente recomendação no Jornal Oficial da União Europeia, e posteriormente de dois em dois anos, das medidas tomadas em resposta aos diferentes elementos da presente recomendação, de acordo com formalidades a definir e a acordar. Com base nessas informações, a Comissão avaliará os progressos realizados em toda a UE e determinará se são necessárias novas medidas para atingir os objetivos definidos na presente recomendação.

Da sabedoria

LN

Todos os dias deparamos com escolhas para as quais não existe uma resposta única, que possa ser obtida através de um processo lógico e racional. As decisões a tomar – pela sua complexidade, ambiguidade e incerteza – exigem a mobilização de experiências, de reflexões pessoais e também de sensibilidade. Estas competências – “que tornam os que as possuem mais aptos para resolver problemas deficientemente estruturados” – chamam-se sabedoria.

A maioria dos autores identifica-a, não com o conhecimento mas com o modo de o encarar e usar. A sabedoria, para Kitchener & Brenner pressupõe 4 competências: (1) a consciência da existência problemas de resolução muito difícil; (2) um saber compreensivo, caracterizado pela tolerância e profundidade; (3) o reconhecimento que o saber é incerto e de que é impossível conhecer a verdade absoluta; (4) e a habilidade para formular juízos susceptíveis de gerarem largos consensos em situações marcadas por elevada incerteza.

A sabedoria é a integração do afectivo, do volitivo e dos aspectos cognitivos das capacidades humanas em resposta a tarefas de vida e problemas – para atingir um equilíbrio entre a adaptação ao ambiente existente, dar forma aos ambientes e seleccionar novos ambientes.

the application of tacit knowledge as mediated by values toward the achievement of a common good through a balance among multiple (a) intrapersonal, (b) interpersonal, and (c) extrapersonal interests in order to achieve a balance among (a) adaptation to existing environments, (b) shaping of existing environments, and (c) selection of new environments.” (Sternberg 1998:347)

Parece ser particularmente estimulada numa atmosfera onde as ambiguidades e as contradições sejam assumidas como desafios e não como obstáculos. É assim, mais claro, que se fale do formador como um facilitador, num processo de conceptualização e apropriação da realidade – pois que o modo como se apreende e constrói o saber torna-se, por vezes, mais importante que o próprio saber.

Sugestões de leitura:

‘Adding legs to a snake’: a reanalysis of motivation and the pursuit of hapiness from a Zen Perspective

Empirical assessment of a three-dimensional Wisdom scale

Inspirational Chaos: Executive Coaching nd Tolerance of Complexity

The Pursuit of Wisdom and the future of education

EE’s – Epistemologia e Enfermagem: convicções

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em Fundamental Patterns of Knowing, Carper identificou quatro componentes fundamentais do conhecimento em Enfermagem – no decurso do texto, identifica-os: científico, ético, estético e de conhecimento pessoal, que se tornaram muito lidos e comentados.

os estudos de Jacobs Kramer e Chin, na operacionalização de um modelo, clarificaram a expressão de um contexto social e político, pelo que, mais de uma década depois de Carper, na revisão e update, introduz-se uma quinta dimensão aos padrões de conhecimento.

Hoje, na configuração da disciplinariedade de o paradigma epistemológico, sou pelo ecletismo e pluralismo metodológico.

É minha convicção que o princípio que hoje se apresenta para uma análise epistemológica é o da heterogeneidade, ou seja, a pluralidade metológica que nega algum monismo ainda vigente. Não existe um único método que não deva ser seguido nem um método rigoroso de comparação entre os diferentes programas de investigação (alguém atento perceberá alguma adesão a Imre Lakatos, pelo uso da expressão «programas de investigação»).

A Enfermagem não pode fundar-se senão sobre uma determinação crítica do seu objecto, irredutível a uma simples fenomenologia do existente. Esta é uma questão polémica que liga o projecto epistémico da enfermagem ao programa de uma filosofia crítica da enfermagem – definimos a finalidade da acção, estabelecemos standards de cuidados, entendemos intuitivamente o sentido de ser «disciplina científica» mas é preciso ir mais além, e um dos desafios passa por aqui: pela ligação necessária de um projecto epistémico a uma filosofia crítica de ciência.

Nem sempre acontece, mas está de leitura livre na Questia:
E P I S T E M O L O G Y OR THE THEORY OF KNOWLEDGE

imagem: Cyrus Cilinder

do sentido da humildade

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Gosto de Samuel Bak. Já sabem… ou já o encontraram por aqui. Com Interpretation, As clear as the day, Key position, Transcribed, Sounds of silence. Esta imagem, trouxe dali.

Knowledgeable. Porque o pensamento do conhecível e do conhecido é, em si, muitissimo diverso. E a amplitude do conhecível desafiadora…  sempre espantosa a quantidade e qualidade das coisas que podem ser conhecidas. Que nos reduz, de alguma forma, em sentido positivo, e aguça a necessidade de humildade.

Voltando lá: falácias afectivas

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Porque é um tema interessante e que se mantem com muitos trilhos por explorar… Vindos das falácias I, das falácias II, do diagnóstico diferencial, dos recursos em falácias, do determinismo tecnológico, ouvindo os comentários e repensando neles…

No decurso da ideia de enganadora, enviesadora do pensamento, a falácia pode ser aplicada ao que é dito (ou escrito) assim como à falácia afectiva, ou seja, da avaliação de algo em função dos afectos que desperta…

Helmut Bonheim (The critical fallacies) mostra que (36) falácias contemporâneas falham na sua formulação ou por problemas de lógica argumentativa ou porque têm em vista atacar uma pessoa e não a obra concretamente.

A falácia afectiva nasce na crítica literária. A partir da catarse que os gregos definiram, aplicando-se a todas as abordagens que privilegiem as sinestesias, as sublimações, as formas de empatia e de entusiasmo. Kant distinguiu entre o que provoca a experiência estética (marcada pela satisfação desinteressada, na ausência de interesse) e o que é agradável porque sempre ligado a uma finalidade prática. Ao que os seguidores do Novo Criticismo chamaram «falácia afectiva» é um erro de leitura que confunde a obra e o efeito.

Assim ocorre quando se mistura o significado e o efeito emocional. Quando se embrulha no mesmo traje, diria metaforicamente, o sentido do que é dito ou escrito e os efeitos emocionais, psicológicos, que tem em quem ouve (ou lê) – «erro de leitura», portanto…

ou não?!

# 32 – Das opiniões

No Livro V de A República Platão distingue claramente entre episteme e doxa.
É da episteme, ou gnosis, termos habitualmente traduzidos por conhecimento, que surgem as verdades necessárias e fundamentais, nas quais a ciência se baseia.
A doxa, que se traduz por opinião, diferencia-se da episteme por fazer parte da verdade pré-crítica e de uma compreensão pré-ontológica. A doxa estaria situada num nivel intermediário entre o conhecimento e a ignorância, caracterizando-se pela multiplicidade e relativididade.

As opiniões discutem-se…
– se não se discutissem, seriam dogmas ao invés de opiniões.

Um dos elementos que podem ser decisivos é colocar as coisas sobre a mesa, de assumir que temos de discutir o que fazemos. E discutir não é zangarmo-nos pelas diferenças de opinião.

É muito mais no sentido de procurar as raízes das coisas, do debate de razões ou dos fundamentos das práticas – porque ter uma opinião não pode ser couraçar-se, fechar-se numa redoma mas antes confrontar-se com provas, factos e evidências. E julgo que as opiniões não valem todas o mesmo, não são todas igualmente respeitáveis.

Como afirmou Savater, todas as pessoas são respeitáveis; algumas opiniões não são. Pensar que a opinião de todos vale o mesmo é uma falácia, uma pretensa liberalidade.As ideias não valem a não ser que quem as sustente possa aduzir provas, dados, raciocínios.

Quando se afirma opinião, tem de se ser capaz de fundar e justificar essa opinião de forma consistente. E de pugnar por ela…

diagnóstico diferencial…

Falácias
um argumento falso ou uma falha no argumento. Logicamente inconsistente, inválido, ou que falhe de outro modo no suporte eficaz do que pretende provar. O termo falácia deriva do verbo latino fallere que significa enganar. Tem o aspecto de um argumento correcto e válido mas não é uma coisa nem outra.
Vendo o Guia das Falácias, de Stephen Downes, percebe-se que 80% ? 90% ? das discussões são de falácias contra falácias…

Sofismas
raciocínios com falhas voluntárias, produzidas de forma a confundir alguém numa discussão.
O raciocínio parte de premissas verdadeiras ou verossímeis – todavia, são concluídos de uma forma inadmissível ou absurda. Por definição, o sofisma tem o objetivo de dissimular uma ilusão de verdade, apresentado-a sob esquemas que parecem seguir as regras da lógica.

Paradoxos
os raciocínios onde se parte de enunciados não contraditórios, e se chega a conclusões contraditórias. Num paradoxo tanto se desmonstra a veracidade como a falsidade de um juízo.
A palavra paradoxo significa literalmente o que está para além do senso comum

Mentiras
informação falsa. desvios ou erros propositados sobre factos reais.

diferindo conversas mais longas para daqui a uns dias, fica prometida a continuação do assunto (que me interessa e a mais gente, também).