Consulta pública: “Perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória”

A educação e a formação são alicerces fundamentais para o futuro das pessoas e do país. Uma educação para todos exige que se considere a diversidade e a complexidade como fatores preponderantes ao definir um perfil de saída para os alunos no final de 12 anos de escolaridade obrigatória.

Num mundo de incertezas e em rápida mudança, importa formar cidadãos autónomos, responsáveis e ativos, aptos a interagir numa era global e do conhecimento.

Nesta perspetiva, torna-se fundamental a definição de um perfil de competências que se pretende que os alunos apresentem no final do percurso escolar de 12 anos, que lhes permita continuar a aprender ao longo da vida e responder aos desafios do mundo atual, a par do desenvolvimento de competências do século XXI.

Convidam-se todos os interessados a participar no debate em torno deste documento, até ao dia 13 de março de 2017, enviando os seus contributos através do formulário eletrónico abaixo indicado.” (aqui)

O documento encontra-se em consulta pública até ao dia 13 de março de 2017.

No âmbito do debate alargado lançado pelo Ministério da Educação sobre o Currículo do século XXI, foi constituído um Grupo de Trabalho tendo em vista a definição do perfil de saída dos jovens de 18 anos de idade, no final de 12 anos de escolaridade obrigatória (Cf. Despacho n.º 9311/2016, de 21 de julho).

Concluídos os trabalhos do referido Grupo, o Ministério da Educação coloca agora em discussão pública, até ao dia 13 de março de 2017, o documento Perfil dos alunos à saída da Escolaridade Obrigatória, disponível em: http://dge.mec.pt/perfil

Para participar neste momento de consulta pública –  preenchimento do formulário eletrónico: http://area.dge.mec.pt/perfil

Estes são os princípios que subjazem ao trabalho de natureza curricular que aqui se apresenta.
A. Um perfil de base humanista
B. Educar ensinando para a consecução efetiva das aprendizagens
C. Incluir como requisito de educação
D. Contribuir para o desenvolvimento sustentável
E. Educar ensinando com coerência e flexibilidade
F. Agir com adaptabilidade e ousadia
G. Garantir a estabilidade
H. Valorizar o saber
Visão:
Pretende-se que o jovem, à saída da escolaridade obrigatória, seja um cidadão:
  • dotado de literacia cultural, científica e tecnológica que lhe permita analisar e questionar criticamente a realidade, avaliar e selecionar a informação, formular hipóteses e tomar decisões fundamentadas no seu dia a dia;
  • livre, autónomo, responsável e consciente de si próprio e do mundo que o rodeia;
  • capaz de lidar com a mudança e a incerteza num mundo em rápida transformação;
  • que reconheça a importância e o desafio oferecidos conjuntamente pelas Artes, as Humanidades, a Ciência e Tecnologia para a sustentabilidade social, cultural, económica e ambiental de Portugal e do mundo;
  • capaz de pensar critica e autonomamente, criativo, com competência de trabalho colaborativo e capacidade de comunicação;
  • apto a continuar a sua aprendizagem ao longo da vida, como fator decisivo do seu desenvolvimento pessoal e da sua intervenção social;
  • que conheça e respeite os princípios fundamentais da sociedade democrática e os direitos, garantias e liberdades em que esta assenta;
  • que valorize o respeito pela dignidade humana, pelo exercício da cidadania plena, pela solidariedade para com os outros, pela diversidade cultural e pelo debate democrático;
  • que rejeite todas as formas de discriminação e de exclusão social.

Valores

  • Responsabilidade e integridade
  • • Excelência e exigência
  • • Curiosidade, reflexão e inovação
  • • Cidadania e participação
  • • Liberdade
 Áreas de desenvolvimento e aquisição das competências-chave:
Linguagens e textos.
Informação e comunicação.
Raciocínio e resolução de problemas.
Pensamento crítico e pensamento criativo.
Relacionamento interpessoal.
Autonomia e desenvolvimento pessoal.
Bem-estar e saúde.
Sensibilidade estética e artística.
Saber técnico e tecnologias.
Consciência e domínio do corpo
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“Relatório sobre a avaliação do acesso ao Ensino Superior”

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O Relatório avança finalmente com um conjunto de questões que permitirão sustentar estratégias e justificar decisões que melhorem os mecanismos associados ao acesso ao ensino superior.
As questões abordadas no Relatório podem ser sintetizadas:
 Criação de uma via de acesso ao ensino superior para os diplomados com cursos secundários profissionalizantes. Estes cursos (profissionais e de aprendizagem) atingiram uma expressão significativa no panorama do ensino secundário e não foram, entretanto, definidos mecanismos ajustados que promovam o respetivo acesso ao ensino superior. Sugere-se a criação de um percurso natural e coerente, de matriz profissionalizante, associando estes cursos à oferta das escolas politécnicas.
 Melhoria do acesso ao ensino superior para os diplomados com cursos secundários artísticos especializados. À semelhança dos cursos profissionais, não existe um percurso coerente para o acesso ao ensino superior, sendo estes diplomados obrigados a submeterem-se a determinadas avaliações frequentemente alheadas dos itinerários escolares frequentados. Sugere-se a criação de uma via especifica de acesso ao ensino superior.
 Organização do acesso aos Cursos Técnicos Superiores Profissionais (ensino superior) através de um Concurso Nacional, garantindo-se um quadro de preferências e prioridades regionais e habilitacionais;
Ajustamento do conteúdo das provas para avaliação das capacidades para a frequência do ensino superior para maiores de 23 anos, autonomizando-as dos referenciais do ensino secundário e ajustando-as aos perfis exigidos para a frequência do ensino superior (níveis de conhecimento, aptidões cognitivas, experiências profissionais consolidadas e progressivas, intervenção cidadã, etc.), evitando que a prova seja uma repetição dos exames finais do ensino secundário;
 Lançamento de uma campanha de mobilização para atrair novos públicos para o ensino superior, diversificando as linhas de formação oferecidas, os modelos de organização da formação, os calendários, as parcerias, encontrando soluções flexíveis para responder positivamente a necessidades reais ou latentes;
Normalização das classificações dos exames finais do ensino secundário, superando a variabilidade inter-anual que é normalmente provocada por alterações nos respetivos níveis de exigência. Este processo levaria à calibração das classificações, assegurando-se que, em cada ano, a média globalmente fixada fosse respeitada;
Regulação das diferenciações excessivas das classificações internas do ensino secundário, reduzindo os desvios (positivos e negativos) introduzidos por desalinhamentos exagerados nas notas internas e garantindo um maior grau de equidade nas candidaturas ao Concurso Nacional de Acesso.
(negritos são meus)
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a partir da página  67
Tema A – Criação de um Concurso Especial de acesso ao ensino superior para os diplomados dos cursos profissionalizantes (cursos profissionais e cursos de aprendizagem)
Tema B – Criação um Concurso Especial de acesso aos cursos das áreas artísticas do ensino superior para os diplomados dos cursos artísticos especializados.
Tema C – Supressão dos exames nacionais como condição para a certificação dos diplomados dos cursos artísticos especializados e profissionais para candidatura ao ensino superior.
Tema D – Criação de um Concurso Nacional (ou uma componente do atual Concurso Nacional de Acesso) para acesso aos cursos Técnicos Superiores Profissionais (TeSP) do ensino superior politécnico público.
Tema E – Alteração dos conteúdos das provas para apuramento de capacidades para candidatos maiores de 23 anos
Tema F – Criação no sistema de ensino superior de opções de formação específicas para acolher novos públicos (maiores de 23 anos, reingressos, formações complementares, etc.)
Tema G – Normalização das classificações dos exames finais do ensino secundário
Tema H – Regulação das diferenciações excessivas das classificações internas do ensino secundário.

identidade académica e dimensões do trabalho do professor

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Resumo
O ensino superior português, atualmente, é marcado por transformações, em consequência da adaptação da educação às mudanças políticas, económicas e sociais do país. Fatores externos, portanto, reconfiguram
as preocupações, as estruturas e os objetivos da universidade. Os professores sofrem o impacto dessas mudanças, respondendo a novas exigências e reconstruindo a sua identidade. Este artigo discute a identidade académica e as dimensões do trabalho do professor universitário – ensino, investigação, gestão académica e prestação de serviços à comunidade/transferência de conhecimento – face ao cenário atual de transformações. Recorrendo a narrativas de tipo biográficoe a um grupo de discussão focalizada, o caráter empírico do estudo centra-se na voz de professores da área da Educação de uma universidade pública portuguesa. Os resultados destacam a identidade académica delineada pela intensificação do trabalho e o desejo da articulação entre as dimensões do trabalho docente, visando romper a fragmentação da profissão.
O artigo lê-se muito bem, de vez em quando pontuado com «eu também!» …

Excerto do dia

Study time

“As palavras de Hamlet, «o tempo está fora dos gonzos. Oh! sorte maldita, que nos fez nascer para restabelecer o seu curso», são verdadeiras para cada nova geração, ainda que, desde o início do nosso século, porventura tenham adquirido uma ainda validade maior do que anteriormente. No fundo, estamos sempre a educar para um mundo que já está, ou está a ficar, fora dos seus gonzos. Esta é a situação básica do homem. O mundo é criado por mãos humanas para servir de casa aos humanos durante um tempo muito limitado. Porque o mundo é feito por mortais, ele é perecível. Porque os seus habitantes estão continuamente a mudar, o mundo corre o risco de se tomar tão mortal como eles. Para preservar o mundo contra a mortalidade dos seus criadores e habitantes, é necessário constantemente restabelecê-lo de novo. O problema é saber como educar de forma a que essa recolocação continue a ser possível, ainda que, de forma absoluta, nunca possa ser assegurada. A nossa esperança reside sempre na novidade que cada nova geração traz consigo. (…)

O que nos diz respeito a todos e, consequentemente, não pode ser confiado à pedagogia enquanto ciência especializada, é a relação entre adultos e crianças em geral ou, em termos ainda mais gerais e exatos, a nossa relação com o facto da natalidade: o facto de que todos chegamos ao mundo pelo nascimento e que é pelo nascimento que este mundo constantemente se renova. A educação é assim o ponto em que se decide se se ama suficientemente o mundo para assumir responsabilidade por ele e, mais ainda, para o salvar da ruína que seria inevitável sem a renovação, sem a chegada dos novos e dos jovens. ”

H. Arendt, a crise na educação

“A Construção de Conhecimento sobre Políticas Públicas de Educação em Portugal.”

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Luis Miguel Carvalho. Julho 2014
“Este e-book apresenta um estudo original sobre a investigação realizada em contexto de elaboração de teses de doutoramento, em Educação/Ciências da Educação e em universidades portuguesas, sobre políticas públicas de educação. Basicamente, aqui se descreve e examina o modo como as políticas vêm sendo abordadas nessa modalidade de concretização da pesquisa educacional, de modo a evidenciar e discutir a emergência, em Portugal e na referida área científica, entre 2000 e 2012, de um espaço de conhecimento analítico, de carácter não disciplinar, sobre políticas públicas de educação.  (…) Importa acrescentar que este pequeno estudo faz parte de um outro, de maior fôlego e em curso, orientado para a caracterização e análise da formação de um conhecimento especializado em política educativa em Educação em Portugal, desde 2000. O projecto assenta na constituição e no exame de dois corpos documentais distintos: as teses de doutoramento em Educação/Ciências da Educação, aqui examinadas; os artigos publicados em revistas especializadas da área da Educação/Ciências da Educação editadas em língua portuguesa, até ao momento apenas coleccionados. O estudo descritivo e interpretativo que aqui se apresenta é suportado pela análise de teses apresentadas a defesa pública, entre 2000 e 2012, em universidades portuguesas. A constituição do acervo resultou do cruzamento de informação disponível em três tipos de arquivos: (a) Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal; (b) Biblioteca Nacional; (c) repositórios de Universidades públicas e privadas portuguesas” (p.14-15)
“Independentemente das diferenças que marcam as diversas aproximações aqui referidas, parece evidente uma procura de modos de análise que se centram na compreensão dos documentos, não apenas como espaços de inscrição de valores, princípios, prescrições, mas também como lugares de problematização do real e de legitimação e de deslegitimação dos modos de (o) pensar e de nele/sobre ele agir. Trata-se de um desafio ao qual parece tanto mais necessário responder quanto, como refere Correia (2010: 456), nas últimas décadas “o campo político se ocupou menos na definição de normas práticas para a acção e mais na imposição de ordens cognitivas para pensar a acção”.(p.77)

“Apprendre à être”

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“L’éducation de l’homme moderne est considérée, dans un grand nombre de pays, comme un problème d’une exceptionnelle difficulté, et, dans tous sans exception, comme une tâche de la plus haute importance. C’est un sujet capital, d’envergure universelle, pour tous les hommes qui se soucient d’améliorer le monde d’aujourd’hui et de préparer celui de demain. L’Unesco, en constituant la Commission internationale sur le développement de l’éducation, se montre ainsi fidèle aux échéances du calendrier politique contemporaine.”

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