Michael Crichton

A 5 de novembro de 2008, com 66 anos, morreu Michael Crichton, autor de mais de uma dezena de “best-sellers”, entre os quais “Parque Jurássico”, “Congo” e “O mundo perdido”.

“O género literário pode ser descrito como thriller tecnológico, que é, geralmente, a união de ação e de detalhes técnicos. Seus romances muitas vezes exploram a tecnologia e as falhas da interação humana com ela, especialmente resultando em catástrofes com biotecnologia. Muitas das suas novelas têm termos médicos ou científicos, refletindo seu treino médico e científico — Crichton era formado em medicina pela Harvard Medical School. Escreveu, entre outras obras, The Andromeda Strain (1969), Congo (1980), Sphere (1987), Travels (1988), Jurassic Park (1990), Rising Sun (1992), Disclosure (1994), The Lost World (1995), Airframe (1996), Timeline (1999), Prey (2002), State of Fear (2004), Next (2006, o último livro publicado antes de sua morte), Pirate Latitudes (2009), um techno-thriller incompleto, Micro, que foi publicado em novembro de 2011, e Dragon Teeth, um romance histórico ambientado durante a “guerra dos ossos”, que será publicado em todo o mundo em maio de 2017.” [aqui]

Obras publicadas postumamente: “Em Território Pirata” (2009),  Micro (publicado em 2011, terminado por Richard Preston) e “Dragon Teeth” foca-se na rivalidade do século XIX, entre dois famosos paleontologistas norte-americanos, Edward Drinker Cope e Othniel Charles Marsh, durante a exploração do Oeste Americano.

Adicione-se o argumento de «Westworld» (entre outros) e da série «ER»(Emergency Room) (1994-2009).

 

 

 

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5 de novembro | efemérides de eleições [EUA]

Em 2008, a 5 de novembro, os americanos elegeram Barack Obama para Presidente dos Estados Unidos, com 52% do voto popular, sendo o primeiro afro-americano a ocupar o cargo. Em 2012, com 51,1% dos votos, Obama tornou-se o primeiro presidente democrata desde Franklin Delano Roosevelt a ganhar duas vezes a maioria.

Em 1996, William Jefferson Clinton, conhecido por Bill Clinton, foi reeleito presidente dos EUA, com cerca de 50% dos votos. Teve o mandato ameçado pelo escândalo Monica Lewinsky, mas foi absolvido pelo Senado.

Em 1968, Richard Nixon foi eleito 37º presidente dos EUA, por escassa maioria. Acabou com o envolvimento norte-americano na guerra do Vietname, em 1973, tendo sido reeleito em 1972 – exerceu até 1974, quando se tornou o primeiro e único Presidente a renunciar ao cargo, devido ao escândalo Watergate.

Em 1940, Franklin Delano Roosevelt foi reeleito presidente dos EUA, para o seu terceiro mandato (serviu como o 32º Presidente de 1933 até sua morte em 1945). Foi o responsável pela recuperação dos EUA após a Grande Depressão e pela entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial após o ataque a Pearl Harbor.

Em 1912, Woodrow Wilson foi eleito 28º presidente dos EUA. Foi Wilson quem redigiu o tratado dos 14 pontos que serviriam de embrião para a constituição da Sociedade das Nações, também conhecida como Liga das Nações, organização internacional, idealizada a 28 de abril de 1919, em Versalhes, com o intuito contribuir para a paz internacional.

A 1 de novembro [de 1955]

Terramoto acompanhado de maremoto em Lisboa no ano de 1755.jpgFoi a 1 de novembro de 1955 que ocorreu o Terramoto de Lisboa, às 9h30 ou 9h40 da manhã. Relatos da época afirmam que os abalos foram sentidos, consoante o local, durante entre seis minutos a duas horas e meia…
“O terramoto durou cinco anos (1755-1760); e subverteu as ruas e as casas, os templos, os monumentos, as instituições, os homens, e até as suas ideias. E sobre as ruínas e destroços da cidade maldita, levantou-se a Jerusalém do utilitarismo burguês; sobre as migalhas de Síbare, a efémera Salento do marquês de Pombal.
Na manhã do 1º de Novembro a cidade estremeceu, abalada profundamente, e começou a desabar. Eram nove horas da manhã, dia de Todos-os-Santos.
(…)
Dessa hecatombe nasceu o poder do marquês de Pombal; e o acaso, aterrando os ânimos com o pavoroso acontecimento, preparou-os para aceitarem submissamente o jugo do tirano, que ia consumar o terramoto político, depois da natureza ter consumado a ruína da cidade perdida de D. João V.”

Oliveira Martins, História de Portugal (1879). Lisboa: INCM, 1988. p. 172

E sobre o assunto, uma tese de doutoramento de Enfermagem focou-se no socorro às vítimas – assunto que se recomenda, naturalmente, pelas aprendizagens que o passado pode aportar ao presente. É para ler:  Maria Amélia Dias Ferreira, O socorro às vítimas do Terramoto de Lisboa (1755)

Dia das Bruxas… Halloween

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O costume alastrou – desde o festival celta de Samhain (que assinalava o fim do Verão), o Dia das Bruxas que conhecemos hoje terá tomado forma entre 1500 e 1800. Dele encontrei sinais em muitos países, ao longo dos anos (e sem serem os Estados Unidos). A fotografia acima é de hoje, da abóbora sobre um balcão de hotel, com cenário de morcegos ao fundo, num dos países bálticos.

Em Portugal, a minha memória era mais do “Pão-por-Deus”. Mas não restam dúvidas que o Halloween, do tempo dos celtas aos nossos dias, se espalhou. Potenciais da globalização…

No 111º aniversário de Hannah Arendt

A assinalar a efeméride do nascimento de Hannah Arendt, a 14 de outubro, recoloco um post de 2013

Hannah Arendt – três meses e meio em Lisboa

rua sociedade farmaceutica 6

Hannah Arendt viveu em Lisboa, na Rua Sociedade Farmacêutica, n.º 6, entre janeiro e maio de 1941, de caminho para Nova Iorque, onde chegou (com Heinrich Blücher) a 22 de maio de 1941.

Tinha 27 anos, quando deixou a Alemanha, em 1933, depois de ter sido presa, em Berlim,  e interrogada durante 8 dias – com a mãe, atravessou, sem documentos, a pé, a fronteira da Checoslováquia. Passaram por Praga e chegaram a Genebra, onde ela trabalhou durante um tempo para a Liga das Nações e depois para a Agência Judaica. De lá, seguiu para Paris, onde colaborou com organizações sionistas no período do seu exílio francês, convivendo com Walter Benjamin, Bertold Brecht, Kurt Blumenfeld e Heinrich Blucher.  Acompanhou um grupo de  jovens judeus à Palestina, visitou Petra e Siracusa.

A situação em França complicou-se, dá-se a anexação da Áustria, e em 39 os judeus em solo francês são internados em campos separados (homens e mulheres). Passou cinco semanas no campo de Gurs, nos Pirinéus. Viveu o confronto da escolha colocada aos judeus e opositores políticos alemães: “serem presos pelos inimigos em campos de concentração ou pelos amigos em campos de internamento”.

Por esta altura, Walter Benjamin (que lhe tinha confiado o último manuscrito) suicidou-se na fronteira. Hannah e a mãe fugiram do campo e encontrou-se com o Heinrich em Montauban – ficaram uns tempos na cidade, até que a ordem de recensear todos os judeus nas prefeituras foi promulgada.  Ajudados por amigos, com destaque para Günther Ster, saíram de França e apanharam o comboio via Port Bou, Barcelona e Madrid, para Lisboa. Cidade que era, nessa altura, símbolo de esperança e liberdade.

Notemos que, depois da ocupação de Paris, em Junho de 1940, muitos  refugiados chegaram a Portugal, sendo a sua principal preocupação arranjar um visto de trânsito português. Imagine-se que alguém saía de França – precisava de um visto de trânsito espanhol e de outro português do qual dependia a concessão do anterior e que só era dado em função da prévia obtenção de um visto de entrada num país de destino e de uma passagem num navio. O Ministério dos Estrangeiros português enviou uma circular, a 15 de Junho de 1940, segundo a qual os vistos de trânsito por trinta dias só podiam ser concedidos aos refugiados com bilhetes de passagem, tempo planeado de estadia em Portugal e com o visto de entrada num país de destino. Muitos intelectuais, atores, cineastas, realizadores, ex-governantes e nobres de toda a Europa, passaram por Lisboa, em fuga, nesses anos.

hannah-arendt by Fred Stein_1944

Em Janeiro de 1941, munida de um visto de emergência, americano  (devido ao apoio do diplomata Hiram Bingham IV, que ilegalmente lho concedeu – a Arendt e a cerca de 2500 outros judeus – e à ajuda de Varian Fry, que custeou as passagens e os vistos),  Hannah chegou a Lisboa. Dos três meses da sua estadia na capital portuguesa conhece-se uma referência à leitura conjunta, com Heinrich Blücher e outros refugiados, do manuscrito «Uber den Begriff der Geschichte» que Walter Benjamin lhe entregara em Marseille.  Aguardaram até maio pela viagem para os Estados Unidos. A batalha pelo visto e pelos lugares navio foi cansativa, muitas vezes humilhante. Blucher já tinha as passagens mas teve de repetir testes no Consulado Americano para os vistos de entrada.

Hannah Arendt escreveu, no dia 17 de Fevereiro 1941, de Lisboa a Salomon Adler- Rudel, que estava em Londres : “[ …] Até quando vamos ficar aqui, eu não sei. Temos provisoriamente passagens e vou ter que lidar com a HICEM”. No início de abril, escreveu: ” [ …] Nós temos uma ténue esperança de sair ainda este mês. As nossas passagens foram  pagas – para nós, pelo Rescue Committtee, para minha mãe pelo Hicem -, mas pelos lugares encontra-se uma verdadeira batalha”. Realmente, viajariam separados. Chegaram aos EUA a 22 de maio de 1941, sem dinheiro, sem trabalho, sem documentos e sem falar a língua  – recorreram às organizações judaicas de ajuda para sobreviverem. Ocupou dois quartos a oeste da Ninety-fifth Street e algumas semanas mais tarde chegou Martha Arendt. Curioso que, dada a sua determinação de fazer ouvir a sua voz em público, aprendeu inglês rapidamente e tornou-se colunista do Aufbau, para ser depois colaboradora na Partisan Review, The New Yorker, e The New York Review of Books. Depois de quase 20 anos como apátrida (a cidadania alemã foi-lhe retirada),  Hannah recebeu a cidadania americana em dezembro de 1951.

A senhoria da casa em que Arendt esteve morreu logo após o final da guerra – por isso, mesmo quem procurou, não encontrou mais detalhes da sua estadia em Lisboa.

 

Passei vezes sem conta nesta rua, para entrar no Hospital de Santa Marta. Ao fundo, antes do portão, o Escondidinho medeia duas portas da antiga morada de Hannah Arendt. Incrível, pensei, quando li o facto. Quase quatro meses em Lisboa, a descer a avenida, a frequentar a pastelaria Suiça e a escrever (cartas e textos), de passagens compradas em abril, à espera do navio. Em 1941.

vale a pena ler:

We refugees, Hanah Arendt

Hannah Arendt, l’amour du monde

Arendt à Paris et en France : 1933 -1941

Wartesaal Lissabon 1941: Hannah Arendt und Heinrich Blücher

Assumir l’humanité. Hannah Arendt: la responsibilité face à la pluralité

Beware of Pity

A foto, de Fred Stein, é datada de 1944.

Efeméride do dia: Charles Darwin e Alfred Wallace

A 1 de julho de 1858 (faz hoje 159 anos) Charles Darwin e Alfred Russel Wallace apresentaram, pela 1ª vez, diante de um grupo de naturalistas, na Linnean Society of London, a teoria da evolução. Uma mudança de paradigma, trazida no paper  “On the Tendency of Species to form Varieties; and on the Perpetuation of Varieties and Species by Natural Means of Selection. By CHARLES DARWIN, Esq., F.R.S., F.L.S., & F.G.S., and ALFRED WALLACE, Esq. Communicated by Sir CHARLES LYELL, F.R.S., F.L.S., and J. D. HOOKER, Esq., M.D., V.P.R.S., F.L.S, &c.”

Sobre a Tendência das Espécies em Formar Variedades e a Perpetuação das Variedades e Espécies por Meios Naturais de Seleção,  foi o primeiro anúncio da teoria de Darwin-Wallace da evolução pela seleção natural, que seria impressa pela primeira vez no dia 20 de agosto. A apresentação estimulou Darwin a escrever um “abstrat” do seu livro, um resumo publicado em novembro de 1859, como A Origem das Espécies.

“The theory of evolution by natural selection was first proposed by Charles Darwin and Alfred Russel Wallace in the scientific article below. It is probably the most important scientific paper in the history of biology and it was first read at a meeting of the Linnean Society of London on July 1st 1858, before being published on the 20th August of that year in the Journal of the Proceedings of the Linnean Society: Zoology. Wallace’s essay on natural selection, which forms part of the article below, was written in the village of Dodinga on the Indonesian island of Halmahera (Gilolo) in February 1858 and posted to Darwin together with a covering letter from the neighbouring island of Ternate probably in March 1858. It’s unexpected arrival at Darwin’s home in Kent in June 1858 spurred a shocked Darwin to hastily write his famous book On the Origin of Species, which was published fifteen months later in November 1859.” (aqui)

1 de Junho, Dia Mundial da Criança

Depus a máscara e vi-me ao espelho.
Era a criança de há quantos anos.
Não tinha mudado nada…
É essa a vantagem de saber tirar a máscara.
É-se sempre a criança,
O passado que foi
A criança.
Depus a máscara, e tornei a pô-la.
Assim é melhor,
Assim sem a máscara.
E volto à personalidade como a um términus de linha.

Álvaro de Campos