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Nascido do dia: Alfred North Whitehead

Alfred North Whitehead nasceu a 15 de fevereiro de 1861, em Ramsgate, e morreu em Cambridge, a 30 de dezembro de 1947. Filósofo, lógico e matemático britânico, fundador da escola filosófica conhecida como a filosofia do processo, atualmente aplicada em vários campos da ciência, como na ecologia, teologia, pedagogia, física, biologia, economia e psicologia.

No início da carreira dedicou-se à matemática, à lógica e à física. O primeiro grande trabalho foi O Tratado sobre a Álgebra Universal (1898), onde se propôs a unificar a álgebra, ainda que o seu trabalho mais notável sobre o assunto seja o Principia mathematica (1910–1913), escrito com a colaboração do antigo aluno Bertrand Russell.

Entre fins da década de 1910 e o início dos anos 1920, enveredou pela filosofia da ciência, dedicando-se à filosofia da natureza – Os Princípios do Conhecimento Natural (1919) e O Conceito da Natureza (1920). Em Os Princípios da Relatividade (1922) fez uma abordagem crítica à teoria da relatividade de Albert Einstein.

A sua Magnum Opus, Processo e Realidade (1929) é considerada a fundadora da filosofia do processo. Whitehead não procura explicar a teoria do conhecimento mas antes a experiência em si, distinguindo-se da metafísica de Immanuel Kant.

A filosofia do processo de Whitehead pressupõe que “é urgente ver o mundo como uma rede de processos interdependentes da qual fazemos parte, e todas as nossas escolhas e nossas ações têm consequências onde vivemos“. Por essa razão muito influenciou os estudos da ecologia, sobretudo na ética ambiental de John B. Cobb.

Alfred North Whitehead (Stanford Encyclopedia)

Alfred North Whitehead

Thus nature is a structure of evolving processes. The reality is the process. It is nonsense to ask if the colour red is real. The colour red is ingredient in the process of realisation. The realities of nature are the prehensions in nature, that is to say, the events in nature…

An event has contemporaries. This means that an event mirrors within itself the modes of its contemporaries as a display of immediate achievement. An event has a past. This means that an event mirrors within itself the modes of its predecessors, as memories which are fused into its own content. An event has a future. This means that an event mirrors within itself such aspects as the future throws back onto the present, or, in other words, as the present has determined concerning the future. Thus an event has anticipation…

These conclusions are essential for any form of realism. For there is in the world for our cognizance, memory of the past, immediacy of realisation, and indication of things to come.

I propose in the first place to consider how the concrete educated thought of men has viewed this opposition of mechanism and organism. It is in literature that the concrete outlook of humanity receives its expression. Accordingly it is to literature that we must look, particularly in its more concrete forms, namely in poetry and in drama, if we hope to discover the inward thoughts of a generation…A scientific realism, based on mechanism, is conjoined with an unwavering belief in the world of men and of the higher animals as being composed of self-determining organisms. This radical inconsistency at the basis of modern thought accounts for much that is half-hearted and wavering in our civilisation…

Of course, we find in the eighteenth century Paley’s famous argument, that mechanism presupposes a God who is the author of nature. But even before Paley put the argument into its final form, Hume had written the retort, that the God whom you will find will be the sort of God who makes that mechanism. In other words, that mechanism can, at most, presuppose a mechanic, and not merely a mechanic but its mechanic. The only way of mitigating mechanism is by the discovery that it is not mechanism.

When we leave apologetic theology, and come to ordinary literature, we find, as we might expect, that the scientific outlook is in general simply ignored.

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Nascido do dia: Hans-Georg Gadamer

 

Hans-Georg Gadamer nasceu a 11 de fevereiro de 1900, em Marburgo e morreu em Heidelberg, a 13 de março de 2002. Não tenho ideia se se lembram dos obituários, como do The Guardian, do Telegraph ou Independent.

The life of Hans-Georg Gadamer is synonymous with a century of German philosophy, from Neo- Kantian origins to his apprenticeship with his brilliant but flawed mentor Martin Heidegger and to the formulation of an influential new approach to a philosophy of understanding (hermeneutics), from moderate German nationalism to socialism and a critical stance towards globalisation.

His life is also distinguished not only by his own magnum opus, Wahrheit und Methode (Truth and Method, 1960), but also by his facility in practising the personal and philosophical dialogue he had preached in his relations with his many pupils, many of whom, Jürgen Habermas among them, came to great prominence themselves.(aqui)

Gadamer é considerado um dos maiores expoentes da hermenêutica e a sua obra de maior impacto parece ser Verdade e Método (Wahrheit und Methode), de 1960, onde elabora uma filosofia propriamente hermenêutica, que trata da natureza do fenómeno da compreensão.

Not until the age of 60 did his magnum opus appear: Truth and Method, a vindication of hermeneutics, or the study of interpretation, a classic of 20th-century philosophy. Gadamer traced his intellectual lineage back to Plato and Aristotle, but even as a centenarian he was alive to the challenges of modernity.

At the heart of Truth and Method lies Gadamer’s defence of the concept of prejudice. Only the Enlightenment, he argues, with its “prejudice against prejudice” gave the concept its present negative connotation. Romanticism, especially in Germany, reversed the Anglo-French Enlightenment’s priority of reason over myth, but perpetuated the same dualism.

For Gadamer, by contrast, “the prejudices of the individual, far more than his judgments, constitute the historical reality of his being”. It is impossible to understand the world we live in, let alone our place in it, without authority and tradition. “History,” he declared, “does not belong to us; we belong to it.”

Gadamer’s philosophy passes seamlessly into classical philology and the history of ideas. “Our historical consciousness is always filled with a variety of voices in which the echo of the past is heard,” he wrote. “Only in the multifariousness of such voices does it exist.” (aqui)

Um dos mais importantes pensadores do século XX, teria sido sempre reticente a falar de si próprio. Gadamer cresceu em Breslávia, onde o pai foi professor de farmácia na Universidade, assumindo posteriormente a cadeira de Química Farmacêutica. A mãe morreu de diabetes quando ele tinha quatro anos e não teve irmãos ou irmãs sobreviventes. Começou os estudos universitários em Breslau em 1918 (com Richard Hoenigswald), mudando-se para Marburgo com o pai em 1919. Completou estudos de doutoramento em Marburgo em 1922, com uma dissertação sobre Platão. Nesse mesmo ano, contraiu poliomielite, da qual recuperou lentamente, sendo os efeitos posteriores da doença permanentes para o resto da vida.

Os primeiros professores de Gadamer em Marburgo foram Paul Natorp e Nicolai Hartmann. No entanto, foi Martin Heidegger (em Marburgo de 1923-1928) que exerceu o efeito mais importante e duradouro no desenvolvimento filosófico de Gadamer. Foi assistente não remunerado de Heidegger em 1925 mas Heidegger teria sido muito crítico quanto às capacidades e contribuições filosóficas de Gadamer. Assim, decidiu abandonar a filosofia e mudar-se para a filologia clássica. Apresentou-se ao Exame de Estado nesta área, em 1928,  com  ‘Ética Dialética de Platão’.

Gadamer ocupou um cargo de professor temporário em Kiel, entre 1934 e 1939, tornando-se Diretor do Instituto Filosófico da Universidade de Leipzig, Decano da Faculdade em 1945, e Reitor em 1946, antes de se dedicar ao ensino e pesquisa em Frankfurt  em 1947. Em 1949, sucedeu Karl Jaspers em Heidelberg, tornando-se Professor Emérito em 1968.

Over the next half century Gadamer became as much of an institution in Heidelberg as Kant had once been in Konigsberg: a familiar figure on the cobbled streets, walking and talking, always in his corduroy jacket, always convivial, fixing his interlocutor with a penetrating gaze. Having survived the Nazis and the Communists, Gadamer found no difficulty surviving the 1960s, during which he engaged the thinkers of the Frankfurt school, especially Jurgen Habermas.

The revival of Heidegger’s popularity in the 1950s owed much to Gadamer; it inevitably led to the rediscovery of his Nazi past in the late 1980s. Heidegger’s death in 1976 left Gadamer pre-eminent. (aqui)

Já aposentado, viajou extensivamente, foi visitante em várias instituições e desenvolveu uma associação especialmente próxima com o Boston College em Massachusetts. Permanecendo intelectualmente ativo até ao final de sua vida (ocupava o horário regular de trabalho aos noventa anos), Gadamer morreu aos 102 anos de idade, um dos pensadores mais longevos da historia da filosofia ocidental.

Gadamer books

Gadamer’s Century: Essays in Honor of Hans-Georg Gadamer

Hans-Georg Gadamer

Hans-Georg Gadamer’s philosophical hermeneutics: Concepts of reading, understanding and interpretation, Paul Regan

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Nascida do dia: Ayn Rand

Ayn Rand, nascida Alisa Zinov’yevna Rozenbaum, em São Petersburgo, a 2 de fevereiro de 1905, morreu em Nova Iorque, a 6 de março de 1982. Foi escritora, dramaturga e filósofa norte-americana de origem judaico-russa, mais conhecida por desenvolver um sistema filosófico chamado Objetivismo e pelos seus romances –  The Fountainhead (1943) e Atlas Shrugged (1957).

“My philosophy, in essence, is the concept of man as a heroic being, with his own happiness as the moral purpose of his life, with productive achievement as his noblest activity, and reason as his only absolute.” — Ayn Rand

Defendeu a razão como o único meio de adquirir conhecimento e rejeitou a fé e a religião. Apoiou o egoísmo racional e ético e, na política, condenou a iniciação da força como imoral, opondo-se ao coletivismo e ao anarquismo.

I am often asked whether I am primarily a novelist or a philosopher. The answer is: both. In a certain sense, every novelist is a philosopher, because one cannot present a picture of human existence without a philosophical framework. . . . In order to define, explain and present my concept of man, I had to become a philosopher in the specific meaning of the term. — Ayn Rand, “Preface,” For the New Intellectual

O objetivismo argumenta que:

  1. A realidade existe independentemente da mente do observador;
  2. Os indivíduos estão em contacto com essa realidade através da percepção dos sentidos que permitem a formação de conceitos seguindo um processo lógico indutivo e dedutivo;
  3. A intenção moral da existência é a busca da felicidade ou “egoísmo racional”;
  4. O único sistema social compatível com esse objectivo moral é o laissez-faire capitalista;
  5. O papel da arte na vida humana é transformar uma ideia metafísica em uma reprodução selectiva da realidade, em uma forma física que pode ser entendida e gerar uma resposta emocional.

A revolta de Atlas passa-se numa realidade alternativa que, embora esteja num estágio de desenvolvimento tecnológico similar ao da época em que foi escrito – década de 1950 – nos mostra um mundo em declínio: fábricas devoradas pela ferrugem, estradas rachadas e invadidas pela vegetação, lojas fechadas (mesmo nas ruas mais buliçosas de Nova Iorque), regressão dos padrões civilizacionais, com as pessoas fora das grandes cidades a viver em moldes medievais, contentando-se em praticar agricultura de subsistência e vivendo alheadas do que se passa fora do seu exíguo mundo de hortas miseráveis e casas decrépitas, mobiladas com bugigangas pilhadas aos edifícios abandonados da cidade-fantasma mais próxima. O que terá empurrado a civilização para este definhar inquietante? Não foi uma guerra mundial, nem a queda de um meteorito ou uma pandemia devastadora, dir-se-ia que a civilização está a sucumbir simplesmente à abulia, à extinção da vontade de progresso, ao desleixo, ao “deixa andar” – e sempre que alguém questiona porque está o mundo como está e porque se arrastam as pessoas neste torpor, alguém retorque “Quem é John Galt?”. Ninguém sabe quem é John Galt e a frase não é sequer uma pergunta, é simplesmente uma expressão sarcástica de indiferença, passividade e aceitação de que há questões para as quais não há resposta e problemas para os quais não há solução. (continuar a ler)

Ayn Rand interviewed by Louis Rukeyser (1981)

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Nascido do dia: Auguste Comte

Isidore Auguste Marie François Xavier Comte, conhecido como Auguste Comte, nasceu a 19 de janeiro de 1798, em Montpellier, e faleceu em Paris, a 5 de setembro de 1857. Filósofo francês, formulou a doutrina do Positivismo.

Auguste Comte nasceu no rescaldo da Revolução Francesa, no seio de uma família católica e monárquica. É admitido na Ecole Polytechnique em 1814, mas é expulso em 1816,durante a reestruturação monárquica da Escola. A sua juventude é atribulada e rebelde, até que repudia o catolicismo.De 1817 a 1823, torna-se secretário de Saint-Simon(1760-1825), cujo pensamento o influencia decisivamente. A vida de Comte foi marcada por dificuldades económicas. Nunca teve um emprego na universidade e sobreviveu do que ganhava em conferências, como examinador de escolas e, ainda,dos donativos de admiradores como John Stuart Mill (1806-1873)e outros. Em 1830,funda a Association Polytechnique destinada à educação das classes trabalhadoras, e, em 1848, fundou a Société Positiviste vocacionada para o “Culto da Humanidade”. Os últimos anos da sua vida foram dedicados ao desenvolvimento de uma religião sem Deus, mas com rituais semelhantes aos do catolicismo que ele tinha repudiado na juventude. Comte morreu na pobreza, abandonado por amigos e discípulos de cuja boa vontade frequentemente abusou.Os escritos de Comte abrangem uma vasta gama de assuntos: matemática, filosofia da ciência, religião, moral, sociologia e economia política. Aquilo que os unifica é o problema do conhecimento, isto é, a sua natureza, estrutura, e o método da sua aquisição. O Positivismo, o nome que Comte deu à sua filosofia é acima de tudo uma doutrina metodológica e epistemológica. (continuar a ler)

Tendo planeado um Curso de Filosofia Positiva, com 72 lições e

em 4 de abril de 1826, Comte deu a primeira conferência, na sua própria residência. Embora restrito, o auditório era composto por eminentes estudiosos: “nas primeiras fileiras do auditório sentavam-se Broussais, Blainville, Poinsot, J. Fourier, Alexandre de Humboldt” (Lonchampt, 1959, p. 42). Comte deu apenas três aulas e foi obrigado a interromper o curso devido a uma grave crise mental. (continuar a ler)

Foi internado na clínica de doenças mentais do discípulo do Dr. Pinel, Dr. Esquirol, que diagnostica o seu mal como “mania”. Esquirol submeteu-o a um tratamento de banhos frios e sangrias. Contudo, a agitação de Comte era muito grande e a terapia não fez qualquer efeito. Permaneceu internado vários meses, tendo saído a 2 de dezembro de 1826, por decisão da mãe. Em 1827, Comte caiu em melancolia profunda, tendo tentado o suicídio em abril de 1827. Recuperou devagar e em janeiro de 1829, reabriu o curso de Filosofia Positiva.

Durante o período de 1830-1842, quando escreveu o Curso de Filosofia Positiva, em seis volumes, continuou a viver em dificuldades e à margem do mundo académico. As tentativas de ser nomeado para uma cadeira na Escola Politécnica ou para um lugar na Academia das Ciências ou, ainda, na Faculdade de França, foram em vão. Somente em 1832, por intermédio de Navier, professor de Cálculo na Escola Politécnica, foi nomeado repetidor de Análise e de Mecânica Racional na referida Escola e, quatro anos mais tarde, em 1836, foi indicado como examinador para admissão na mesma instituição. Esses fatos acarretaram uma melhora financeira em sua vida, o que lhe permitiu, mesmo vivendo modestamente, dedicar menos tempo ao ensino particular e mais à elaboração de sua obra. Todavia, a sua atitude na Escola Politécnica acabaria por levar à sua exclusão do cargo de examinador para admissão, em 1844.

Numa nova fase de pensamento, começou a pugnar pela religião positiva – passou a assinar suas circulares como “fundador da religião universal e sumo sacerdote da humanidade”. E, como qualquer outra, a Religião da Humanidade teve a sua liturgia, com os sacramentos positivistas, expostos de forma ordenada, em 1852, em sua obra doutrinária: Catecismo Positivista ou Exposição Sumária da Religião Universal.

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If – in memoriam Rudyard Kipling

(Photo by Evening Standard/Getty Images)

18 de janeiro de 1936 assinala a morte de Rudyard Kipling, escritor britânico, nascido em Bombaim a 30 de dezembro de 1865. Iniciou a carreira literária em 1886 com a publicação do volume de poemas Departmental Ditties, afirmando-se rapidamente se como um dos escritores mais populares do Reino Unido, quer na poesia quer na prosa, por muitos considerado o sucessor literário de Charles Dickens. Em 1894 lançou O Livro da Selva, que viria a consolidar-se como clássico juvenil. O Segundo Livro da Selva foi publicado no ano seguinte e Kim, considerada a sua obra mais conseguida, saiu em 1901. Em 1907 tornou-se o primeiro autor de língua inglesa a receber o Prémio Nobel da Literatura e é, até hoje, o mais jovem escritor a quem foi atribuída a distinção (tinha 41 anos). (fonte aqui)

If you can keep your head when all about you
    Are losing theirs and blaming it on you,
If you can trust yourself when all men doubt you,
    But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
    Or being lied about, don’t deal in lies,
Or being hated, don’t give way to hating,
    And yet don’t look too good, nor talk too wise:
If you can dream—and not make dreams your master;
    If you can think—and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
    And treat those two impostors just the same;
If you can bear to hear the truth you’ve spoken
    Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
    And stoop and build ’em up with worn-out tools:
If you can make one heap of all your winnings
    And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
    And never breathe a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
    To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
    Except the Will which says to them: ‘Hold on!’
If you can talk with crowds and keep your virtue,
    Or walk with Kings—nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you,
    If all men count with you, but none too much;
If you can fill the unforgiving minute
    With sixty seconds’ worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that’s in it,
    And—which is more—you’ll be a Man, my son!
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Nascido do dia: Alasdair MacIntyre

Alasdair Chalmers MacIntyre nasceu em Glasgow, a 12 de janeiro de 1929. É um filósofo britânico principalmente conhecido no campo da moral e filosofia política assim como na história da filosofia e teologia.  Educado na Universidade de Londres, foi mestre de artes na Universidade de Manchester e na Universidade de Oxford. Começou a carreira docente em 1951 na Universidade de Manchester, lecionando na Universidade de Leeds, de Essex e de Londres no Reino Unido, antes de se mudar para os Estados Unidos por volta de 1969, como professor de História das Ideias na Brandeis University. Em 1972, foi nomeado reitor da Faculdade de Artes Liberais e professor de filosofia na Universidade de Boston. Em 1984 foi presidente da Divisão Leste da American Philosophy Association. Professor de filosofia na Universidade de Notre Dame em 1985, na Universidade de Yale (1988–1989), em Notre Dame (1989-1994) e Universidade de Duke (1995-1997). Em abril de 2005, foi eleito para a American Philosophical Society. (fonte aqui)

A abordagem de Macintyre à filosofia moral é sustentada pela ética das virtudes. A sua obra mais famosa parece ser After Virtue, retornando à tradição da ética aristotélica quanto à definição teleológica das ações morais.

Conseguiu em sua obra dar continuidade a filosofia de Aristóteles e de Tomás de Aquino e simultaneamente, construir uma teoria ética inovadora. Para o filósofo escocês, a causa do fracasso da sociedade moderna está no fracasso do iluminismo, que resultou em uma sociedade fragmentada. (continuar a ler)

MacIntyre faz parte de uma corrente heterodoxa da ética (moral philosophy) que a libertou de uma subjugação à filosofia da linguagem, fazendo-a florescer de novo, o que constitui, desde logo, um motivo de interesse para o ler. Tem sido também invariavelmente uma voz de minorias: escocês em Inglaterra e nos E.U.A., marxista no mundo capitalista e depois católico num mundo académico secular. Desengane-se, porém, quem pensa que esta segunda razão é auto-justificativa ou parte de uma agenda ideológica: pelo contrário, é a causa de um pensamento contra-corrente e original, que corresponde precisamente à caricatura que dele é habitualmente esboçada — um neoaristotélico, ou tomista sui generis, com uma visão pessimista da sociedade atual —, mas que nos oferece uma perspectiva crítica do nosso lugar enquanto agentes racionais na sociedade actual.

Em Novembro de 2016, com 87 anos, lançou mais uma monografia, intitulada Ethics in the Conflicts of Modernity. Há muitas continuidades com os livros que tem vindo a publicar, nomeadamente no que diz respeito à visão crítica da sociedade e da filosofia actuais, mais reconhecida em After Virtue (1981). No princípio deste novo livro lemos, pois, uma crítica mordaz ao modo como a própria filosofia alimenta as desorientações características desta sociedade: «contemporary philosophical theorizing about morality, instead of illuminating the realities with which we have to deal as rational agents, misleads and distorts and, more than this, […] it has the social function of misleading and distorting» (p. 78). Atendendo a essa continuidade e, por outro lado, à idade do autor, seria tentador encarar esta nova publicação como uma espécie de resumo do seu pensamento, mas essa presunção não só seria redutora, como errada. Interessa aqui perceber quais as novas ideias que entram no debate. (continuar a ler)

 

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Nascido do dia: Umberto Eco

Foto: Nationaal Archief/ Collection Fotopersbureau ANEFO

Filósofo, medievalista, semiólogo, crítico literário, romacista, Umberto Eco nasceu

a 5 de janeiro de 1932 em Alessandria (Piemonte), faleceu a 19 de fevereiro de 2016, em Milão. Pouco se sabe sobre as suas origens e a sua infância, salvo que revelou extrema precocidade ao doutorar-se pela Universidade de Turim com apenas vinte e dois anos de idade, em 1954, apresentando para o efeito uma tese consagrada ao pensamento filosófico de São Tomás de Aquino, O Problema Estético em S. Tomás de Aquino.

Entre 1954 e 1959 desempenhou as funções de editor cultural na famosa cadeia de televisão estatal italiana RAI, lecionando também nessa altura nas universidades de Turim, Milão e Florença e no Instituto Politécnico de Milão. Com apenas trinta e nove anos de idade foi nomeado professor catedrático de Semiótica pela Universidade de Bolonha.

Começou a escrever nos finais da década de 50, contribuindo para diversas publicações periódicas com uma série de artigos que seriam reunidos em volumes como Diario Minimo (1963, Diário Mínimo), Il Costume di Casa (1973), Dalla Periferia Dell’Impero (1977) e Il Secondo Diario Minimo (1992). O seu início de atividade ficou também marcado por obras como Opera Aperta (1962) e Apocalittici E Integrati (1964, Apocalípticos e Integrados).

Mantendo uma carreira editorial bastante completa e ativa, Eco não deixou de publicar estudos académicos sobre Estética, Semiótica e Filosofia, dos quais se podem destacar La Definizione Dell’Arte (1968), Le Forme Del Contenuto (1971), Trattato Di Semiotica Generale (1976), Come Si Fa Una Tesi Di Laurea (Como Fazer Uma Tese de Doutoramento, 1977) e Arte E Bellezza Nell’Estetica Medievale (1986), obra que lhe valeu vários e conceituados prémios literários.

Em 1980 publicou o seu primeiro romance, Il Nome Della Rosa (O Nome da Rosa), obra que foi imediatamente considerada como um clássico da literatura mundial. Contando as andanças de um monge do século XIV que é chamado a uma abadia beneditina para solucionar um crime, Eco restabelecia a velha contenda entre o mundo material e o espiritual. A obra foi adaptada com sucesso para o cinema em 1986, pela mão do realizador Jean-Jacques Annaud.

Bastante popular  foi o seu segundo romance, Il Pendolo Di Foucault (1988, O pêndulo de Foucault), em que Eco contrapunha o hermetismo e a cosmologia aos potenciais da informática e aos perigos do crime organizado. O público acolheu com mais modéstia L’Isola Del Giorno Prima (1995, A Ilha do Dia Antes), romance em que Roberto della Griva, um aristocrata do século XVII, desperta numa embarcação à deriva no Pacífico Sul, e Baudolino (2000, Baudolino), obra também pertencente ao género do romance histórico. Em 2004 foi publicada outra obra sua, intitulada La Misteriosa fiamma della regina Loana (A Misteriosa Chama da Rainha Loana, 2005), a história de um personagem, Yambo – alfarrabista de Milão, que perde a memória e parte em busca do tempo perdido.

fonte aqui