“O enfermeiro na sala de gessos”

 

Os enfermeiros João Gomes e José Fortunato, do Centro Hospitalar de Setúbal – Hospital Ortopédico Sant’lago do Outão, escreveram o livro “O Enfermeiro na Sala de Gessos – manual de normas sobre imobilizações em ortopedia e traumatologia”, onde partilham conhecimentos e técnicas da sala de gessos.

“Este livro é o resultado de 30 anos de exercício profissional em Sala de Gessos, no Hospital Ortopédico Sant’Iago do Outão. Durante estes anos, houve várias tentativas de organizar um manual relativo às principais técnicas que se executam em sala de gessos. Finalmente, conseguimos cumprir esse objetivo”, afirmou o enfermeiro João Gomes.

Da minha ligação ao assunto, além de ter tido o privilégio de escrever o Prefácio, considero que este livro representa um feliz encontro entre os profissionais com elevada expertise na área, a indústria que suportou a publicação, a formação e o ensino que usarão o «produto final», num ciclo que, futuramente, pode incluir revisões e ampliações.  A apresentação do livro decorreu no Hospital do Outão, no passado dia 3 de março, com a sala cheia e um ambiente caloroso, de reconhecimento mútuo, ligado à história do próprio hospital e dos enfermeiros.

Segundo sei, o manual (500 exemplares na 1ª edição) será enviado para todos os serviços de Ortopedia e todas as Escolas de Enfermageme  Saúde. Bem haja aos autores.

“Significados atribuídos à competência emocional do enfermeiro – estudo empírico e impacto na educação”

SIGNIFICADOS ATRIBUÍDOS À COMPETÊNCIA EMOCIONAL DO ENFERMEIRO – ESTUDO EMPÍRICO E IMPACTO NA EDUCAÇÃO

Resumo

Objetivo: em vários estudos recentemente realizados, o lugar das emoções na prática de enfermagem surgiu principalmente focado no nível de experiência emocional, aumentando
a necessidade de significar a competência emocional do enfermeiro, a fim de encontrar contributos que permitam conhecer e compreender as diferentes dimensões e identificar
a sua finalidade no proporcionar conforto à pessoa hospitalizada numa unidade de cuidados paliativos.

Métodos: dado que se procuram os signifcados, a abordagem metodológica assumiu uma natureza qualitativa, descritiva e exploratória, utilizando a análise crítica do discurso de Fairclough para configurar o fenómeno. Os sujeitos do estudo foram enfermeiros e doentes que experienciavam a última etapa da vida, ambos presentes em unidades de cuidados paliativos. Foram entrevistadas trinta e quatro enfermeiras e doze pessoas vivendo o fim da vida.

Resultados: a análise e a compreensão da prática social em estudo permitiram construir o construto “competência emocional de enfermeiros”, juntamente com declarações descritivas de cinco capacidades e vinte e uma unidades de competência que o compõem. Conclusões: através da redução e da abstração teórica, o corpus discursivo revelou que a construção da “competência emocional dos enfermeiros” é concetualizada como um conjunto de capacidades que nos permitem conhecer, regular, alcançar e gerir fenómenos emocionais para construir e sustentar relações interpessoais em ambiente afetivo; e podemos explorar a influência na educação ou na gestão.
Palavras-chave: Competência clínica; emoções; métodos; assistência terminal; enfermagem.

Goal: In several studies, that have happened recently, the place of emotions in nursing practice has arisen primarily focused at the level of emotional experience, enhancing the need to signify the emotional competence of nurses. That need has the main intention of find contributions that allow knowing and understanding their different dimensions and identifying their purpose in providing comfort care to the hospitalized person in a palliative care unit.

Methods: Searching for meanings, the methodological approach has taken a qualitative, descriptive and exploratory nature, using critical discourse analysis of Fairclough to find the phenomenon configuration. Research subjects were nurses and patients who experience the last stage of life, both present in palliative care units. We have interviewed thirty-four nurses and twelve people living the end-of- life.

Findings: The analysis and understanding of the social practice under study allowed to build the construct‘emotional competence of nurses’ along with descriptive statements of five capabilities and twenty-one units of competency that compose it. Conclusions: The discursive corpus revealed that the construct of ‘emotional competence of nurses’ is conceptualized as a set of capabilities that allow us to know, regulate, achieve and manage emotional phenomena in order to build and sustain interpersonal relationships in affective environment; and we can explore the influence in education or management.
Keywords: Clinical competence; emotions; methods; terminal care; nursing.

Português

English

“Abandono e insucesso escolar- construir uma perspetiva de género”

screenshot-moodle-ips-pt-2017-02-22-10-42-58

Datado de 2015, este estudo apresenta tanto uma quantidade e diversidade de dados como interpretativos interessantes – como a introdução coloca, ” consideramos importante referir que é o “po

nto de vista que cria o objecto” (Saussure, in Canário, Alves & Rolo, 2001) de estudo. No estudo pretendemos apresentar um ponto de vista sobre o insucesso e o abandono escolar numa perspectiva de género, a partir do reconhecimento da complexidade e da invisibilidade inerente à construção social e escolar destes fenómenos. Interessa-nos identificar as contradições, as tensões, os dilemas e os consensos em torno do tema, numa tentativa de compreendermos o modo como se produzem e traduzem as diferenças de género no insucesso e no abandono escolar. A complexidade do fenómeno em estudo justificou o enfoque numa metodologia mista, que articulasse uma dimensão quantitativa – centrada na análise das estatísticas oficiais, com uma dimensão qualitativa – focada nas representações e perspectivas dos actores, directa e indirectamente envolvidos na escola, sobre o insucesso e o abandono escolar numa perspectiva de género.”
Realizaram também um questionário a professores do ensino básico e secundário das escolas públicas, do território nacional, continental. Numa tentativa de complementar estes dados, realizámos quatro estudos de casos em escolas do ensino básico e secundário da área Metropolitana de Lisboa. Os estudos de caso consistiram na realização de entrevistas a elementos da direcção de cada escola, a professores, a alunos, a auxiliares de
acção educativa e a encarregados de educação; na realização de focus group a professores e a auxiliares de acção educativa e de focus group a alunos; e na observação de aulas.
“O presente estudo foi conduzido em torno da compreensão do insucesso e do abandono escolar numa perspetiva de género, em Portugal, e contou com o financiamento do Programa Operacional de Assistência Técnica do Fundo Social Europeu. O investimento neste objeto de estudo resultou do facto de a equipa considerar importante contribuir para a produção de conhecimento numa área em que este é bastante escasso. As estatísticas oficiais nacionais revelam que entre os rapazes se regista uma maior taxa de insucesso e o abandono escolar precoce do que entre as raparigas, nas últimas décadas. Os fundamentos orientadores deste trabalho resultaram, essencialmente, da escassez de estudos e de conhecimento científico, no contexto Português, o que não permite a lucidez necessária para a compreensão deste fenómeno social e educativo; por outro lado, da invisibilidade e do silenciamento do tema. O insucesso e o abandono escolar são problemas educativos que ocorrem no decurso da escolarização e resultam de causas múltiplas. Reconhecemos a complexidade inerente ao insucesso e abandono escolar precoce, pelo que se intenta um esforço de compreensão e de articulação do saber produzido neste domínio. Procuramos aproximarmo-nos de uma leitura da diversidade e complexidade dos fenómenos em estudo, o que torna evidente a importância do recurso a uma perspectiva interdisciplinar.
O insucesso escolar consiste num problema de aproveitamento escolar, que se traduz em reprovações. O abandono escolar caracteriza-se pela
saída precoce da escola, antes da conclusão da escolaridade obrigatória e/ou ter atingido os 18 anos de idade. Habitualmente, estes dois fenómenos mantêm entre si uma relação de interdependência – muitos dos jovens que abandonam precocemente a escola apresentam percursos académicos marcados pelo insucesso escolar. O insucesso e abandono escolar são fenómenos que ocorrem ao longo do percurso escolar, dentro da escola e por referência a este contexto, pelo que se torna essencial analisar a escola a partir de três dimensões – a instituição, a organização e a forma escolar.
Parece-nos, como destaca Phillippe Perrenoud (1989), que o recurso ao “estudo das variáveis contextuais, sistémicas e ecológicas apenas permite compreender, indirectamente, os processos e funcionamentos de ordem política, organizacional e didáctica”, os quais estão na génese do
insucesso e abandono escolar. O insucesso e abandono escolar colocam-nos, inevitavelmente, face ao problema das desigualdades, particularmente, as desigualdades escolares. Nas últimas décadas, apesar de uma incidência progressiva na defesa de princípios de igualdade, as sociedades contemporâneas são marcadas por profundas e múltiplas desigualdades. O insucesso e o abandono escolar estão inextrincavelmente associados a essas profundas e múltiplas desigualdades sociais, porém, parece-nos imperioso reconhecer que “às desigualdades sociais a escola acrescenta as suas próprias desigualdades” (Dubet, 2000, p.37).
Consideramos, à semelhança de Perrenoud (1989), que o sucesso e o insucesso escolar são faces de uma mesma moeda, representações fabricadas pelo sistema escolar, de acordo com os seus próprios critérios e procedimentos de avaliação, a partir de julgamentos e normas de excelência, relacionadas com o conteúdo e a forma escolar, os quais influenciam directamente a natureza e a amplitude das desigualdades. Neste sentido, o insucesso escolar é também o insucesso da escola, porquanto coloca em evidência a contradição entre a intenção de ensinar e a impossibilidade de assegurar a aprendizagem a todos os que a frequentam. As diferenças e desigualdades que caracterizam os alunos à entrada da escola podem ser minimizadas ao longo do percurso escolar ou pelo contrário intensificadas, quando a escola “transforma desigualdades mínimas em hierarquias decisivas” (Perrenoud, 1989, p.3).

Euro Health Consumer Index 2016

report

Um relatório relativamente sintético (100 páginas), em que cada país tem uns comentários, sob cada item análise (direitos e informação dos doentes; acessibilidade – tempos de espera para tratamentos; resultados; diversidade e abrangência dos serviços prestados; prevenção e produtos farmacêuticos).

rank-geral
(rank geral)

“Portugal atingiu 76% do total de pontos possíveis do Euro Health Consumer Index, em 2016, no quadro do ranking internacional que avalia os sistemas de saúde do ponto de vista do consumidor. Agora, passou a ocupar o 14º lugar de entre 35 países, tendo subido seis posições desde a última avaliação, surgindo à frente do Reino Unido (15º) e de Espanha (18º).

A melhoria no que respeita à acessibilidade permitiu subir seis pontos na avaliação internacional face ao ano anterior, em que Portugal surgia no 20º lugar.  Em 2016, as áreas onde o sistema de saúde português é mais valorizado foram a dos Direitos dos doentes e informação, resultados e prevenção.

Pela primeira vez é apresentada também uma ordenação do custo-efetividade nos cuidados de saúde, com Portugal na 10ª posição na relação entre os gastos em saúde e os resultados. A Holanda, país que ocupa o 1º lugar no índice geral, ficou em 11.º lugar na ordenação do custo-efetividade.

Organizado pela Health Consumer Powerhouse, organização privada de origem sueca, este índice avalia anualmente os sistemas de saúde em seis áreas distintas: direitos e informação dos doentes; acessibilidade – tempos de espera para tratamentos; resultados; diversidade e abrangência dos serviços prestados; prevenção e produtos farmacêuticos.” (fonte: DGS)

Relatório completo

Apresentação de lançamento

acessibility

identidade académica e dimensões do trabalho do professor

Screenshot_1

Resumo
O ensino superior português, atualmente, é marcado por transformações, em consequência da adaptação da educação às mudanças políticas, económicas e sociais do país. Fatores externos, portanto, reconfiguram
as preocupações, as estruturas e os objetivos da universidade. Os professores sofrem o impacto dessas mudanças, respondendo a novas exigências e reconstruindo a sua identidade. Este artigo discute a identidade académica e as dimensões do trabalho do professor universitário – ensino, investigação, gestão académica e prestação de serviços à comunidade/transferência de conhecimento – face ao cenário atual de transformações. Recorrendo a narrativas de tipo biográficoe a um grupo de discussão focalizada, o caráter empírico do estudo centra-se na voz de professores da área da Educação de uma universidade pública portuguesa. Os resultados destacam a identidade académica delineada pela intensificação do trabalho e o desejo da articulação entre as dimensões do trabalho docente, visando romper a fragmentação da profissão.
O artigo lê-se muito bem, de vez em quando pontuado com «eu também!» …