“Tutankamon — Tesouros do Egipto”

A exposição, patente no Pavilhão de Portugal, em Lisboa, apresenta a recriação à escala real do túmulo de Tutankamon, incluindo a antecâmara e a sala do Tesouro. Aliás, Tutankamon ficou famoso pelo seu túmulo intacto e Howard Carter por tê-lo descoberto em 1922.

Tutankamon, o “Faraó Menino”, casou aos 8 anos com a sua meia-irmã, Anchesenamon; terá assumido o trono quando tinha nove anos, restaurando os antigos cultos aos deuses  (principalmente o do deus Amon de Tebas) e morreu aos 19 anos de idade, em 1.327 a.C., tendo sido o último faraó da 18ª dinastia. A câmara funerária foi aberta de forma oficial no dia 16 de Fevereiro de 1923. Estava preenchida por quatro capelas em madeira dourada encaixadas umas nas outras, que protegiam um sarcófago em quartzito de forma rectangular, seguindo a tradição da forma dos sarcófagos da XVIII dinastia. Em cada um dos cantos do sarcófago estão representadas as deusas Ísis, Néftis, Neith e Selket. Dentro do sarcófago encontravam-se três caixões antropomórficos, encontrando-se a múmia no último destes caixões; sobre a face a múmia tinha a famosa máscara funerária.

O documentário não é interessante; os paineis e fotos antigas, sim. Algumas réplicas da antecâmara e da Sala do Tesouro estão bem conseguidas. Dizem que na exposição estão presentes mais de cem réplicas dos achados encontrados no túmulo de Tutankamon no Vale dos Reis, no Egipto (não as contei, em bom rigor…). Para mim, que vi a maior parte das peças originais no Museu do Cairo, esta exposição fica aquém mas também pode ser do ambiente e da própria disposição dos espaços.

 

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“José de Almada Negreiros: uma maneira de ser moderno” na FCG

 

Autor profícuo, diversificado, Almada Negreiros  (1893-1970) desdobrou-se por diversos ofícios. Toda a arte, nas suas várias formas, seria, para Almada, uma parte do «espetáculo» que o artista teria por missão apresentar perante o público, fazendo de cada obra, gesto ou atitude um meio de dar a ver uma ideia total de modernidade. Um profundo sentido do «VER» e do »Representar» emergem na sua obra, muito visível nesta exposição.

Gostei de ver os estudos inéditos e de obras conhecidas, a pintura e o desenho, o cinema e a narrativa gráfica. Em alguns momentos, percebemos a familiaridade com a obra, que  encontramos por Lisboa, em fachadas, paineis e edifícios, e aqui nos surge numa perspetiva mais global. Agregada. Estão lá os famosos retratos de Fernando Pessoa e o Manifesto Anti-Dantas, naturalmente, mas o que mais surpreende é a diversidade e a riqueza da sua produção ao longo de seis décadas. Do cartaz do filme A Canção de Lisboa aos painéis das gares de Alcântara e da Rocha do Conde de Óbidos, do mapa mundi ao Arlequim,  mais de quatrocentos trabalhos distribuídos por dois pisos organizados em oito núcleos temáticos. Pintura, desenho, cerâmica, vitrais, painéis, cinema, novelas gráficas, teatro e até dança.

«Os meus olhos não são meus, são os olhos do nosso século».